O 7MARGENS acompanha os trabalhos da Assembleia-Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade que já se iniciaram, publicando as expectativas dos seus leitores sobre este importante acontecimento (ver textos já publicados).

Esperamos uma Igreja onde as ruelas dos bons fieis abram caminho para acolher mais pessoas vindas do mundo, as quais possam encontrar nessas ruelas um refrigério à sombra depois da ardência do deserto; um pouco de relva depois dos caminhos de pedras; um sorriso acolhedor depois de muitos encontros sem alma.
Um lugar que acredita no homem, criatura do Pai-Amor, onde a linguagem universal do amor seja consagrada, antes de ser fiscalizada. Comunidades vivas, de pessoas amadas, que não precisem de muitas palavras para evangelizar.
Esperamos uma Igreja missionária, próxima, dinâmica e solidária, que abandone o confortável critério pastoral do “sempre se fez assim” e repense a evangelização das suas comunidades para ser mais fiel ao Evangelho.
Sentimos a necessidade de comunidades capazes de saírem das vedações protegidas do hábito, para ir ao encontro do outro onde ele está, independentemente da sua condição socioeconómica, da origem, do status legal ou da orientação sexual. Uma Igreja que possa ser compreendida por todos, conforme ao Mestre. Pois, muitas vezes, as nossas palavras, os gestos e os rituais são de difícil compreensão para quem não pratica assiduamente. Estamos conscientes disto?
Quando as nossas linguagens têm dificuldade em se conectar com a vida, com as questões de sentido e com as perguntas fundamentais que todo o ser humano traz consigo, cria-se uma distância fria, sendo a principal delas a dificuldade em dialogar com o mundo juvenil: adolescentes, rapazes e raparigas, jovens adultos parecem falar um idioma que pouco tem a ver com o da Igreja. E esta realidade prejudica o futuro comum e a comunhão inter-geracional.
Esperamos que o caminho da Igreja não se torne numa ruela seca, afastada da cidade, com password (ou reconhecimento facial) para entrar e muitos objetos (porventura preciosos) pelo caminho que façam tropeçar. Desejamos que a Igreja se mantenha uma proposta alternativa, mas radicada na encarnação e ao serviço da carne de Cristo.
Giovanna Campagnolo é gestora de recursos humanos e formadora na área comportamental.
Mara Campagnolo é irmã da congregação do Sagrado Coração de Jesus de Maria Schininà.










