A democracia é um pilar fundamental nas sociedades modernas. É um ideal a ser alcançado, o que, na realidade prática, se pode revelar como um desafio hercúleo. A pergunta “Democracia, por onde vais?” tem andado, um bocadinho, de boca em boca, principalmente nos últimos tempos devido às crises políticas, sociais e económicas. Inevitavelmente, a pergunta leva-nos a refletir sobre o estado atual da democracia nas diversas partes do mundo e como será possível enfrentar os desafios para que seja preservada e fortalecida.
A democracia, historicamente, surge como uma resposta à opressão e à tirania, oferecendo espaço para que todas as vozes se façam ouvir e sejam respeitadas. Ao longo dos anos, temos testemunhado avanços e retrocessos sistemáticos que ameaçam o essencial, mas tão frágil, ideal.
Os regimes autoritários de muitos países têm posto a democracia à prova. Procuram silenciar tudo o que é oposição, restringindo a liberdade de expressão e manipulando processos eleitorais. A erosão das instituições democráticas – sistema judicial e a imprensa livre – é a bandeirinha a acenar, é o perigo a fazer soar sirenes em sinal de alarme.
Para além disso, a desinformação e as fake news, notícias falsas, espalham-se rapidamente, gerando-se, assim, um ambiente onde a verdade é distorcida e a confiança nas instituições é infestada por minas prontas a explodir. Num mundo saturado de informação, é cada vez mais difícil discernir o que é real e o que é manipulado. Este desnorte afeta a opinião pública e leva à polarização extrema, onde não há espaço para dialogar, entenda-se, diálogo construtivo.

“A desigualdade social e económica são o combustível perfeito para que a crise da democracia se agrave ainda mais.” Foto: Pessoa sem-abrigo em Lisboa. © Miguel Veiga
A desigualdade social e económica são o combustível perfeito para que a crise da democracia se agrave ainda mais. Quando uma parte significativa da população se sente excluída dos benefícios do sistema, cresce o desânimo e a democracia passa a ser apenas uma espécie de ilusão. A falta de oportunidades e a marginalização de grupos vulneráveis levam a sentimentos de impotência e insegurança, alguns acreditam que a sua voz não tem valor e isso é preocupante, principalmente nas sociedades em que o sistema político está desacreditado.
Apesar dos desafios, quero crer que a chama da democracia ainda arde: os movimentos sociais, o ativismo e a luta pelos direitos humanos continuam a inspirar mudança e a mobilizar muita gente em todo o mundo, sendo a juventude essencial, uma das forças mais poderosas, na defesa da democracia, ou não esteja nas suas mãos a condução do futuro. Neste sentido, a educação cívica, a bendita cidadania, é a ferramenta vital para o fortalecimento da democracia, pois, ao capacitar os cidadãos sobre direitos e deveres, bem como sobre o funcionamento das instituições democráticas, está a cultivar-se uma sociedade mais informada e consciente, permitindo a todos uma participação ativa no processo democrático, seja por meio do voto, do ativismo ou do diálogo, que irão garantir a prosperidade da democracia.
Agora, voltando ao início para terminar, a pergunta: “Democracia, por onde vais?”, que não seja vista como um lamento, mas sim como chamada de atenção para entrarmos em ação. É um convite para que reflitamos sobre o nosso papel na construção e na defesa da democracia. A responsabilidade de proteger o ideal democrático não recai apenas sobre os líderes políticos, é sobre cada um de nós enquanto cidadãos. Quanto mais nos unirmos em torno dos valores democráticos, mais estaremos a trabalhar para garantir que a democracia permanece vibrante, inclusiva e representativa de todos.
-Democracia, por onde vais?… Por onde quer que vás, vou por aí!
Júlia Costa é cristã na essência, católica por tradição. Ligada à paróquia da Amadora, na Pastoral Juvenil e na Promoção da Comunidade. Mãe de uma filha, avó de três netos. Profissionalmente na área da contabilidade, embrenhada em números, mas desde sempre fascinada pela palavra.










