AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Manifestação em Berlim , em Janeiro 2025, contra a extrema-direita e em defesa da democracia: “A Democracia é um jogo de diálogo, atenção às diferentes perspectivas, negociação e concessão.” Foto © Helena Araújo
Manifestação em Berlim , em Janeiro 2025, contra a extrema-direita e em defesa da democracia: “A Democracia é um jogo de diálogo, atenção às diferentes perspectivas, negociação e concessão.” Foto © Helena Araújo

[Dicionário particular]

“d” de democracia, por onde vais?

| 26/03/2025

 

A democracia é um pilar fundamental nas sociedades modernas. É um ideal a ser alcançado, o que, na realidade prática, se pode revelar como um desafio hercúleo. A pergunta “Democracia, por onde vais?” tem andado, um bocadinho, de boca em boca, principalmente nos últimos tempos devido às crises políticas, sociais e económicas. Inevitavelmente, a pergunta leva-nos a refletir sobre o estado atual da democracia nas diversas partes do mundo e como será possível enfrentar os desafios para que seja preservada e fortalecida.

A democracia, historicamente, surge como uma resposta à opressão e à tirania, oferecendo espaço para que todas as vozes se façam ouvir e sejam respeitadas. Ao longo dos anos, temos testemunhado avanços e retrocessos sistemáticos que ameaçam o essencial, mas tão frágil, ideal.

Os regimes autoritários de muitos países têm posto a democracia à prova. Procuram silenciar tudo o que é oposição, restringindo a liberdade de expressão e manipulando processos eleitorais. A erosão das instituições democráticas – sistema judicial e a imprensa livre – é a bandeirinha a acenar, é o perigo a fazer soar sirenes em sinal de alarme.

Para além disso, a desinformação e as fake news, notícias falsas, espalham-se rapidamente, gerando-se, assim, um ambiente onde a verdade é distorcida e a confiança nas instituições é infestada por minas prontas a explodir. Num mundo saturado de informação, é cada vez mais difícil discernir o que é real e o que é manipulado. Este desnorte afeta a opinião pública e leva à polarização extrema, onde não há espaço para dialogar, entenda-se, diálogo construtivo.

Pobreza, sem-abrigo, Lisboa, rua,

“A desigualdade social e económica são o combustível perfeito para que a crise da democracia se agrave ainda mais.” Foto: Pessoa sem-abrigo em Lisboa. © Miguel Veiga

A desigualdade social e económica são o combustível perfeito para que a crise da democracia se agrave ainda mais. Quando uma parte significativa da população se sente excluída dos benefícios do sistema, cresce o desânimo e a democracia passa a ser apenas uma espécie de ilusão. A falta de oportunidades e a marginalização de grupos vulneráveis levam a sentimentos de impotência e insegurança, alguns acreditam que a sua voz não tem valor e isso é preocupante, principalmente nas sociedades em que o sistema político está desacreditado.

Apesar dos desafios, quero crer que a chama da democracia ainda arde: os movimentos sociais, o ativismo e a luta pelos direitos humanos continuam a inspirar mudança e a mobilizar muita gente em todo o mundo, sendo a juventude essencial, uma das forças mais poderosas, na defesa da democracia, ou não esteja nas suas mãos a condução do futuro. Neste sentido, a educação cívica, a bendita cidadania, é a ferramenta vital para o fortalecimento da democracia, pois, ao capacitar os cidadãos sobre direitos e deveres, bem como sobre o funcionamento das instituições democráticas, está a cultivar-se uma sociedade mais informada e consciente, permitindo a todos uma participação ativa no processo democrático, seja por meio do voto, do ativismo ou do diálogo, que irão garantir a prosperidade da democracia.

Agora, voltando ao início para terminar, a pergunta: “Democracia, por onde vais?”, que não seja vista como um lamento, mas sim como chamada de atenção para entrarmos em ação. É um convite para que reflitamos sobre o nosso papel na construção e na defesa da democracia. A responsabilidade de proteger o ideal democrático não recai apenas sobre os líderes políticos, é sobre cada um de nós enquanto cidadãos. Quanto mais nos unirmos em torno dos valores democráticos, mais estaremos a trabalhar para garantir que a democracia permanece vibrante, inclusiva e representativa de todos.

-Democracia, por onde vais?… Por onde quer que vás, vou por aí!

 

Júlia Costa é cristã na essência, católica por tradição. Ligada à paróquia da Amadora, na Pastoral Juvenil e na Promoção da Comunidade. Mãe de uma filha, avó de três netos. Profissionalmente na área da contabilidade, embrenhada em números, mas desde sempre fascinada pela palavra.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

“Depressa passas de bestial a besta”

[Lugar (in)comum]

“Depressa passas de bestial a besta” novidade

“Na era dos ecrãs e da comunicação imediata, construímos expectativas irrealistas, esperando infalibilidade de quem está sob o holofote. Chega a ser irónica a facilidade com que se eleva alguém a um estatuto quase divino para em seguida lhe ser exigido um comportamento humanamente irrepreensível.” [Texto de Júlia Costa]

A consciência da consciência revela-nos o saber dentro do não-saber

[Entre Margens]

A consciência da consciência revela-nos o saber dentro do não-saber novidade

Com efeito, o sentido do mistério absoluto que a vida é começa com a consciência da consciência. A própria filosofia, de resto, começa com a consciência da consciência. É que, com a consciência da consciência, o homem desperta, assombrado, para a realidade misteriosa e radical da sua própria existência, e da Existência enquanto tal, como um todo. [Texto de Rúben Azevedo].

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência

Esta terça-feira, 7 outubro

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência novidade

A Liga Operária Católica/ Movimento de Trabalhadores Cristãos assinala esta terça-feira, 7 de outubro, o Dia Mundial pelo Trabalho Digno com uma videoconferência sobre “Trabalho Digno/Código Laboral”. A sessão, com início marcado para as 21h00 e de participação livre, terá como oradores Mafalda Troncho, diretora do Escritório da Organização Internacional do Trabalho em Portugal, e Ulisses Garrido, sociólogo e especialista em relações laborais.

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This