Deus curará as feridas, mas é preciso corrigir caminhos, dizem patriarcas ortodoxos em mensagens de Páscoa

Patriarca Bartolomeu, de Constantinopla (o segundo à esquerda): deveríamos sair da pandemia descobrindo “a dimensão de profundidade em todas as coisas”. Foto © Nicholas Manginas / Ecumenical Patriarchate
O Patriarca Bartolomeu, de Constantinopla, e o patriarca Cirilo, da Rússia, manifestam, em mensagens pascais, a esperança de que se vença a pandemia de covid-19, mas dizem que é preciso corrigir vários aspectos da vida pessoal e colectiva.
Na sua mensagem de Semana Santa, o Patriarca Bartolomeu diz que deveríamos sair da crise pandémica que o mundo atravessa descobrindo “a dimensão de profundidade em todas as coisas”, compreendendo “o poder da comunhão com Deus”, e apreciando “o valor dos dons divinos da saúde e da vida, do sacrifício e da renúncia aos direitos individuais pelo bem do amor”.
“Este período passará, a pandemia será atenuada e, com a ajuda de Deus, as feridas serão curadas”, escreve Bartomoleu, na mensagem publicada pelo jornal L’Osservatore Romano, do Vaticano, e citada no jornal digital Laus Deo.
Por causa de uma diferença de calendário, as igrejas ortodoxas celebram a Páscoa no próximo domingo. E esta foi uma Quaresma “diferente das anteriores”, com o novo coronavírus a mudar a vida “diária e litúrgica”. No entanto, ao contrário de outros na Igreja Ortodoxa (como vários responsáveis ortodoxos na Grécia, por exemplo), Bartolomeu entende que as medidas de encerramento das igrejas tinham também de ser tomadas, de modo a “contribuir para a protecção dos nossos irmãos e irmãs”.
O primaz de honra dos ortodoxos (embora, actualmente, a Igreja Russa e outras comunidades mais pequenas estejam de relações cortadas com o Patriarcado Ecuménico) recorda ainda o papel e o trabalho de médicos e enfermeiros, bem como de todos os envolvidos na luta contra a pandemia. “Esta crise sem precedentes revelou o poder e o valor do amor e da solidariedade, que vão mais além da força humana e levam o selo do dom divino.”
“Esvaziem-se de vós mesmos” para serem iluminados pela luz de Cristo ressuscitado”, pede o Patriarca aos crentes, a propósito do símbolo pascal da luz, comum a todos os cristãos.
“Ver esta crise como tempo de mudanças”, pede Cirilo
O Patriarca Cirilo, de Moscovo, líder da Igreja Ortodoxa Russa, enviou por seu turno uma mensagem pascal ao Papa Francisco e a líderes de igrejas cristãs não-ortodoxas, a propósito da celebração da Páscoa. Nela destaca a união de esforços “para afirmar na sociedade os valores morais permanentes, para ajudar os que sofrem injustiças, os que são perseguidos ou ameaçados pela difusão da infecção do coronavírus”.
De acordo com o Vatican News, Cirilo alegra-se pela chegada da “festa das festas”, mas refere-se também à pandemia que assola o mundo. Já dias antes, acrescenta a mesma fonte, o Patriarca russo afirmara que cada um deve ter no seu coração a lei de Deus, “cuja execução leva uma pessoa à verdadeira felicidade, não apenas na sua vida pessoal, não visível aos outros, mas na construção de relações sociais, entre homem e natureza, entre homem e cosmo”.
Citado ainda pelo Vatican News, o patriarca russo também aponta para a necessidade de corrigir trajectórias: “Que Deus possa ajudar todos a ver esta crise como tempo de mudanças, que deveriam tornar-nos pessoas melhores, para cada um de nós, para o nosso povo, para toda a raça humana. Que hoje Deus possa conceder-nos toda a sua sabedoria, abrir os nossos corações e mentes”, conclui, manifestando o desejo de que “todos possamos sair desta prova completamente mudados, com uma grande fé e com uma clara compreensão de que Deus é o Senhor da história”. Só desse modo, diz, esta crise será “um momento de mudança, será uma crise pelo bem, uma mudança para melhor”.
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