Dois anos depois de ter entrado em funcionamento, o Grupo Vita faz “um balanço positivo”: foi contactado por um total de 130 vítimas, prossegue um “roteiro” de sensibilização e capacitação pelas diferentes dioceses do país que já abrangeu mais de 3.600 pessoas, e está neste momento a preparar um congresso internacional sobre a prevenção de abusos sexuais.
Intitulado “Da Reflexão à Ação: O Papel da Igreja Católica na Prevenção e Resposta à Violência Sexual”, este congresso internacional já tem local e data marcados: será em Fátima, no próximo dia 27 de novembro, adianta o Grupo Vita em comunicado enviado ao 7MARGENS nesta quinta-feira, 22 de maio. Quanto aos objetivos desta iniciativa inédita em Portugal, passam por “refletir sobre o caminho já percorrido, consolidar práticas de prevenção e intervenção, e projetar estratégias futuras no combate aos crimes sexuais no contexto da Igreja”, explica o organismo da CEP. “Será um momento de encontro, formação e compromisso, contando com a presença de diversos membros da Igreja, bem como de especialistas nacionais e internacionais”, acrescentam.
Relativamente aos processos de compensação financeira, o grupo criado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) informa que, até ao dia 31 de março, foram realizados 75 pedidos e que, desde essa data, recebeu mais três pedidos. Até ao momento, foram avaliadas 51 das pessoas que fizeram esses pedidos, estando as restantes avaliações agendadas até ao final do próximo mês de julho. “O Grupo VITA compromete-se a enviar ao Grupo de Fixação de Compensações a maior parte dos pareceres até ao final do mês de agosto, o que permitirá o início de funcionamento deste segundo grupo de trabalho a partir de setembro do presente ano”, refere o comunicado, sublinhando ainda que “as entrevistas com a Comissão de Instrução têm decorrido de forma globalmente positiva, sendo que as pessoas denunciantes verbalizam sentir-se escutadas e acolhidas”.
Quanto ao total de 130 pessoas que contactaram esta estrutura ao longo dos seus dois anos de funcionamento, “mantem-se a predominância do sexo masculino e o perfil etário, com pessoas mais velhas que vivenciaram uma situação abusiva há várias décadas”. O apoio psicológico é o mais solicitado, seguindo-se o psiquiátrico.
No que respeita à sensibilização e capacitação das diversas estruturas da Igreja para a prevenção dos abusos, a estrutura da CEP irá prosseguir as ações de formação em paróquias, instituições de ensino ligadas à Igreja Católica, Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, mas sublinha que “cada vez mais, também entidades da sociedade civil têm solicitado o apoio do Grupo Vita, com especial destaque para as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens e as Câmaras Municipais”.
O organismo compromete-se ainda prosseguir com o desenvolvimento de estudos nesta área. Tendo já concluído e apresentado três trabalhos de pesquisa [ver 7MARGENS], encontram-se atualmente a decorrer dois outros estudos, associados à construção de programas de prevenção primária do abuso sexual infantil. Um deles é o “Programa Girassol: Prevenção primária do abuso sexual infantil, no contexto da Igreja Católica em Portugal, para crianças dos 6 aos 9 anos”, e o segundo corresponde ao “Lighthouse Game: Jogo digital para prevenção primária do abuso sexual infantil, no contexto da Igreja Católica em Portugal, para crianças dos 10 aos 14 anos”. Estes programas de prevenção serão apresentados publicamente no dia 30 de setembro deste ano, em Lisboa, anunciou o Grupo Vita.
O Grupo Vita pode ser contactado através da linha de atendimento telefónico (91 509 0000) ou do formulário para sinalizações, disponível no site www.grupovita.pt.











