A Editora Cidade Nova apresenta a biografia Igino Giordani, Um Herói Desarmado, uma figura multifacetada, jornalista e político, escritor e profundo conhecedor da História da Igreja – nomeadamente dos Padres da Igreja – e pioneiro na sua reflexão sobre as implicações da Doutrina Social da Igreja e o diálogo ecuménico.
Relevam-se as questões da paz e da objeção de consciência (mobilizado para a Primeira Grande Guerra, decidiu: «nunca quis virar o cano da espingarda para as trincheiras adversárias, com medo de matar um filho de Deus») e não cedeu diante das perseguições fascistas ou interesses camuflados, diante da liberdade, do bem comum e do amor fraterno.
Não foi brando com quem atacava a Igreja, sendo até apelidado de “martelo dos hereges” e conhecendo Chiara Lubich, fundadora dos Focolares, com a sua descoberta de Deus Amor e do amor recíproco evangélico, acreditando que as ideias se podiam transformar em vida, passou a tornar-se o “manto dos hereges”.
Casado com Mya e pai de quatro filhos, foi alguém que ansiava encontrar uma estrada de santidade para os que ele chamava o “proletariado da Igreja”, em referência aos leigos, ainda antes do Concílio Vaticano II.

Pelo seu punho foi a voz, no jornal Il Popolo, em janeiro de 1947, da necessidade de se «sair desta situação absurda de lento suicídio, […] mas hoje o medo assumiu um poder aterrador que atinge trezentos milhões de almas no continente cristão. […] Bastaria unir-se, viver unidos, em vez de perecerem por estarem separados. […] É preciso desenvolver a consciência do europeísmo em que o francês, o italiano, o alemão, etc. se sinta também europeu e instituir um Conselho da Europa para demolir as barreiras […] e que faça da Europa um membro efetivo das Nações Unidas e estabelecer uma moeda única».
Em 15 de dezembro de 1948, Igino Giordani esteve em Lisboa como orador principal nas cerimónias dos 25 anos do Jornal Novidades, então o diário católico de Lisboa. Do seu discurso o jornal puxou para cabeçalho «A Imprensa exerce uma função social. É feita para a vida e não para a morte».
É esta figura que parece muito em sintonia com a premência hoje de um despertar, de um abanão.
A apresentação da figura de Igino Giordani pretende ser um contributo. A sua biografia será apresentada pelo professor Alberto Lo Presti, em diversas sessões em Portugal, durante esta semana (ver calendário no final).
A edição portuguesa tem um prefácio do professor Guilherme d’Oliveira Martins, que também estará presente na apresentação em Lisboa, onde se lê: «Giordani, que foi ferido na I Grande Guerra, ficando para sempre marcado por essa experiência dramática, será um defensor ativo da causa da Paz e do diálogo entre religiões e culturas – tornando-se um partidário pioneiro da objeção de consciência em matéria militar. Foi, aliás, de sua autoria a fórmula tão usada por Paulo VI “Se queres a paz, prepara a paz”, que influenciará decisivamente a criação do Dia Mundial da Paz e a ligação entre o desenvolvimento humano e a paz, tão presente na encíclica “Populorum Progressio”».
Num tempo de desorientação como o que vivemos, pareceu-me que poderá ser um estímulo olharmos em redor e, como Giordani, podermos dizer que «a política é uma arte moralmente, ou melhor, religiosamente, muito elevada» e que a luta partidária também tem uma forma cristã, poder dizer aos opositores: «Não vos temo porque vos amo: eis o que é preciso chegar a dizer aos irmãos na qualidade de adversários». Não foi reeleito deputado porque foi acusado de ser demasiado ingénuo ao propor acordos interpartidários a favor da paz e por defender a necessidade de «amar também o adversário político».
O bispo Klaus Hemmerle, seu amigo, testemunhou depois da sua morte: «Se alguém me perguntasse o que é a virgindade, creio que teria de falar de Giordani, de um homem casado, de como ele compreendeu e venerou a virgindade, a entrega exclusiva a Deus, a vida em Deus (…). Se alguém me pedisse para lhe mostrar o Paraíso, creio que teria de lhe dizer: “Vi-o nos olhos e no coração de Giordani”. Sim, nos olhos e no coração de um político. Ele vivia no céu e, assim, tinha as mãos livres para a terra (…). Nunca esquecerei o último encontro com ele, cerca de duas semanas antes de morrer, em que lhe levei a comunhão dos enfermos. Ele disse-me: “Aqui já é o céu”».
E está em curso o processo de beatificação do servo de Deus Igino Giordani.
Sessões de apresentação do livro:
– 19 de maio, Lisboa, 18h30, na Livraria da Universidade Católica;
– 20 de maio, Braga, 18h30, no Auditório Prof. Manuel Isidro Alves da Universidade Católica, Campus Camões;
– 21 de maio, Porto, 11h30h, aula aberta na Universidade Católica;
– 21 de maio, Ovar, 18h15, na Vidraria Foco.
(Em todas elas haverá tradução simultânea, através do telemóvel pessoal com auriculares)
José Maia é professor e integra o Movimento dos Focolares.










