
O campo de refugiados de Moria (ilha de Lesbos, Grécia), em Janeiro de 2020, já era um amontoado de tendas e lixo. Agora, soma-se mais uma tragédia à que já existia. Foto © Cláudia Valente, cedida pela autora.
Um incêndio consumiu, durante a noite de terça para quarta-feira, 9 de setembro, grande parte do campo de refugiados de Moria, na ilha grega de Lesbos, onde 13 mil pessoas ficaram agora sem qualquer abrigo. A comissária europeia do Interior, Ylva Johansson, já anunciou que a Comissão Europeia irá financiar a transferência e alojamento para a parte continental da Grécia dos 400 menores não acompanhados que ali permaneciam. Os restantes refugiados estão proibidos de deixar a ilha e aguardam uma solução.
“Já concordei em financiar a deslocação imediata e o alojamento no continente das 400 crianças e adolescentes desacompanhados que permanecem [no campo]. A prioridade é dar segurança e abrigo a todas as pessoas de Moria”, disse a comissária, numa mensagem divulgada na rede social Twitter, logo na manhã de quarta-feira.
O incêndio foi detetado depois do anúncio de que 35 pessoas do campo tinham obtido resultado positivo no teste da covid-19 e iriam ser transferidas para uma área especial de isolamento. O grupo terá recusado as orientações dadas, o que originou confrontos entre os refugiados, tendo alguns começado a atear fogos, tanto no interior do recinto como no olival que rodeia o campo, de acordo com uma fonte citada pela agência espanhola Efe e referida pela TSF.
O responsável governamental daquele que é o maior campo de refugiados da Europa, Manos Logothetis, assegura que este foi completamente evacuado e assume que o desafio, agora, é encontrar alojamento para as 13 mil pessoas que lá viviam.
Para evitar uma possível disseminação da pandemia, as autoridades gregas decidiram proibir todas as pessoas que residiam no campo de deixar a ilha. De acordo com os meios de comunicação locais, a possibilidade de os deslocar para uma praia próxima está a ser considerada, até ser encontrada uma solução.
O campo estava em quarentena há uma semana, depois de ter sido detetado o primeiro caso de covid-19 num homem de 40 anos que já tinha obtido o estatuto de refugiado e que, em agosto, esteve em Atenas à procura de emprego.
Várias organizações humanitárias alertaram nos últimos meses para o facto de o campo de Moria ser “uma bomba relógio”, devido à sobrelotação e às más condições sanitárias. A Amnistia Internacional apelou, já esta quarta-feira, às autoridades gregas e à União Europeia para que ajam “imediatamente para garantir a segurança de todos os afetados”. Num comunicado enviado ao 7MARGENS, a organização não governamental insiste: “Aumentar os esforços de relocalização e transferir pessoas para acomodações mais seguras é agora ainda mais urgente do que nunca”.










