O bispo José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), apelou aos fiéis presentes em Fátima neste domingo, 13 de julho, para refletirem sobre a importância de “ser acolhido e acolher”. “No tempo em que o nosso país está a dirigir um processo de discernimento e de legislação sobre os imigrantes – assinalou – é necessário não cair na ratoeira dos medos instrumentalizados, nem dos preconceitos manipulados, das evidências negadas. É preciso colocar a atenção primeira no bem acolher, que é a primeira experiência que nós tivemos na vida”.
O presidente da CEP pediu o compromisso de todos para “acolher pessoas que são necessárias” para o país, respondendo às “suas necessidades de acolhimento”. “É preciso acolher bem, na dimensão das nossas carências e necessidades e possibilidades, mas com justiça, com dignidade, criando a autêntica humanização das condições de vida e de futuro”, defendeu.
A Comissão de Assuntos Constitucionais votou favoravelmente na sexta-feira passada alterações à lei de estrangeiros, que incidem sobre matérias como reagrupamento familiar e tempos de permanência legal em território nacional.
Para o também bispo de Leiria-Fátima, é essencial colocar a atenção na “esperança de possibilidade de construir um mundo novo”, com particular atenção ao reagrupamento familiar. “Que as crianças possam encontrar não só na sua família, mas também no contexto em que vivem, essas boas-vindas, esse carinho que cada um de nós precisa de receber quando chega a este mundo e quando muda de um mundo para o outro”, disse.
Citando o Papa Francisco, José Ornelas recordou que a Capelinha das Aparições, no Santuário, “tem colunas e um teto para acolher, mas não tem muros para excluir ou dividir”.
“Que o Senhor abençoe, quando se for legislar, que o Senhor abençoe a nossa sociedade e nos permita criar um futuro melhor de justiça e de paz para nós e para o mundo”, desejou.
Já esta segunda-feira, numa entrevista à Renascença, o reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, lamentou que os políticos não tenham tido em consideração que “a marcação das eleições autárquicas para 12 de outubro cria constrangimentos e dificuldades para os peregrinos que queiram vir a Fátima” para a peregrinação aniversária do dia seguinte.
O padre Cabecinhas confessa ter ficado surpreendido quando recebeu a indicação desta data. “Pensei que houvesse uma maior consciência das dificuldades que vai criar a muitas pessoas a marcação do ato eleitoral para um 12 de outubro”. Ainda assim, o responsável garantiu que “o Santuário não fará qualquer campanha incentivando-os a virem e a faltarem a esse dever cívico de votar”.










