O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, considera que “qualquer contributo é sempre bem-vindo” em ordem a chegar à “reconciliação nacional” em Moçambique. Depois de um encontro com o Papa no Vaticano, o ministro acrescentou, em declarações aos jornalistas na Praça de São Pedro: “A Igreja Católica, o Vaticano, tem aqui uma experiência e uma capacidade de interlocução que considero, e Portugal sempre considerou, única.”
Além do Papa, Rangel encontrou-se com o secretário do Vaticano para as relações com os Estados, o arcebispo inglês Paul Richard Gallagher, e com os responsáveis da Comunidade (católica) de Sant’Egídio, que há três décadas mediou o processo de paz em Moçambique, culminando no acordo de 1992, que pôs fim a 16 anos de guerra civil.
“É fundamental que as partes possam falar e encontrar um clima de diálogo que traga estabilidade e prosperidade, porque a situação social também é uma situação difícil num país como Moçambique”, disse o ministro, manifestando a disponibilidade de Portugal e da União Europeia “para ajudar qualquer esforço de diálogo e de mediação”.
Anunciando que, nos próximos meses, o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, fará uma visita “a Itália e ao Vaticano”, o ministro referiu-se ainda, respondendo a uma pergunta do 7MARGENS, sobre a situação em Gaza e o eventual reconhecimento da Palestina como Estado.
Sublinhando que Portugal é a “favor da solução dos dois Estados”, Rangel garantiu que o Governo está “profundamente tranquilo”, com a sua posição, que considera respaldada pelas opções diplomáticas da União Europeia. O facto de mais de 130 países terem já reconhecido a Palestina como Estado não fez com que a solução dos dois estados tivesse ficado mais próxima, argumentou. “Portanto, vamos com calma.”
(Foto de destaque: o ministro Paulo Rangel na Praça de São Pedro, depois de se ter encontrado com o Papa e responsáveis da Santa Sé com os quais falou sobre a situação em Moçambique. Foto © António Marujo/7MARGENS)










