
O cardeal que já foi responsável pela Congregação (agora Dicastério) da Doutrina da Fé enviou votos de rápidas melhores ao Papa.
O cardeal Gerhard Müller, ex-responsável da Congregação (agora Dicastério) para a Doutrina da Fé, sublinhou, durante a apresentação de um livro em Itália, que, “para bem da unidade da Igreja, é preferível que o passo atrás que Ratzinger deu em 2013 não se repita – a demissão de um papa pode ser justificável mas “apenas em casos muito, muito extremos e, em todo o caso, não pode tornar-se a regra para o futuro”.
Coincidindo com a altura em que o Papa Francisco se encontra hospitalizado por conta da intervenção cirúrgica que sofreu há dias, Müller enviou de imediato os melhores votos de rápida recuperação. Pressionado depois pelas perguntas dos jornalistas, esclareceu que a renúncia dos papas está tecnicamente contemplada nas normas canónicas existentes, mas o que aconteceu com Bento XVI apresentou várias complicações. “A renúncia introduziu uma ruptura no princípio petrino da unidade da fé e da comunhão da Igreja, que não tem igual na história e ainda não foi elaborado dogmaticamente. As normas do direito canónico não são suficientes”, referiu, citado pelo Il Sismografo.
“Quando o Papa Ratzinger se demitiu, até à última hora da sua vida, ele era totalmente capaz de si próprio e isso bastava. Numa situação extrema, o Papa tem o direito de renunciar”, mas “essa situação ainda não chegou, não está lá, portanto não existe”, concluiu o cardeal alemão.
Entretanto, o Papa continua a sua convalescença progressiva no décimo andar do Hospital Gemelli, O boletim de saúde deste domingo refere que “a evolução pós-operatória do Papa Francisco é regular”, e que o “Santo Padre continua apirético e hemodinamicamente estável; foi submetido a fisioterapia respiratória e continua a mobilizar-se”.









