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O outro menino de Cabul

O outro menino de Cabul

A imagem da mochila às costas apontava uma infância como tantas outras. A escola, os amigos, os jogos na rua. De menino, contava-nos estórias de descoberta e deslumbre. Sorrisos rasgados. Sol e neve. De mão dada. Montanhas ao redor. As ruas sem asfalto feitas pátio de brincadeiras. Disciplina parental em quantidade tragável. O sabor da liberdade dado a provar gradualmente. Doses de responsabilidade bem medidas. A mãe, o pai, as irmãs. O ninho seguro deste menino de Cabul.

O pequeno Deus da partida

O pequeno Deus da partida

Lá fora, lá bem longe, há um destino que me aguarda. Algures nos confins da África continental, 43 graus à sombra darão lugar à geada que agora me conforta. Como em outras ocasiões, seguir-se-ão os encontros de fato-e-gravata. Os confrontos e entendimentos que, esperamos, ajudem as vidas de milhões de mulheres e crianças. Hoje entregues à crueldade de uma morte extemporânea, anunciada nas folhas de excel sem emoção. [Texto de Luís Pinto]

Se o Evangelho não é migração, então é o quê?

Se o Evangelho não é migração, então é o quê?

Jornada extensa. Temporã. Três da manhã. Viagem longa. Escalas. Fuso horário. Reuniões à chegada. Demasiadas. Oito da noite. O cansaço a impor-se. A fome a acusar negligência. Ingredientes de sobra para encerrar o dia. Pausar. Parar mesmo. No entanto insuficientes para ignorar os relatos que começáramos a escutar.

Uma luz na Serra Leoa

Uma luz na Serra Leoa

Na reunião de abertura, o apelo foi claro. Voz grave, incisiva. Discurso pausado, directo. “Contamos convosco.” Disse o Ministro. O compromisso é com a mudança. Na vida de milhares de mulheres e crianças. A urgência é muita – diz-nos. É preciso acelerar. Seguem-se as palavras-chave, em cascata. Visão. Estratégia. Planeamento. Implementação. Eficiência. Eficácia. Alinhamento. Colaboração. Partilha. Resultados. Impacto. Vidas salvas. (Texto: Luís Castanheira Pinto).

O Mississippi também é um rio

O Mississippi também é um rio

Ainda nos primeiros dias da viagem, interrogávamos à entrada de cada Estado: “Este é Trump ou Biden”? À cautela, e apesar da conversa em português, apenas entre nós, num restaurante barulhento no centro de Charleston, a minha filha mais velha referia-se a ele como “laranjinha” nas menções ao ainda Presidente dos EUA. Todos à nossa volta nos pareciam focados numa batalha de votos. De partidos. De fações.

O outro menino de Cabul

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A imagem da mochila às costas apontava uma infância como tantas outras. A escola, os amigos, os jogos na rua. De menino, contava-nos estórias de descoberta e deslumbre. Sorrisos rasgados. Sol e neve. De mão dada. Montanhas ao redor. As ruas sem asfalto feitas pátio de brincadeiras. Disciplina parental em quantidade tragável. O sabor da liberdade dado a provar gradualmente. Doses de responsabilidade bem medidas. A mãe, o pai, as irmãs. O ninho seguro deste menino de Cabul.

O pequeno Deus da partida

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Lá fora, lá bem longe, há um destino que me aguarda. Algures nos confins da África continental, 43 graus à sombra darão lugar à geada que agora me conforta. Como em outras ocasiões, seguir-se-ão os encontros de fato-e-gravata. Os confrontos e entendimentos que, esperamos, ajudem as vidas de milhões de mulheres e crianças. Hoje entregues à crueldade de uma morte extemporânea, anunciada nas folhas de excel sem emoção. [Texto de Luís Pinto]

Se o Evangelho não é migração, então é o quê?

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Jornada extensa. Temporã. Três da manhã. Viagem longa. Escalas. Fuso horário. Reuniões à chegada. Demasiadas. Oito da noite. O cansaço a impor-se. A fome a acusar negligência. Ingredientes de sobra para encerrar o dia. Pausar. Parar mesmo. No entanto insuficientes para ignorar os relatos que começáramos a escutar.

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