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A liberdade de morrer

A liberdade de morrer

Muito se tem escrito e falado nos últimos tempos sobre a votação da reformulação da eutanásia. Infelizmente, grande parte do discurso público parece nascido de frases feitas, pensamentos soltos e sem grande suporte científico e moral. Pensar a morte, a nossa morte, decidir o seu momento, as razões desse momento, não é um pensamento catequizável. Implica o empenho de toda a nossa realidade.

“O grito”

“O grito”

Quem não conhece a pintura a óleo de Edvard Munch, que é posta a par da Mona Lisa? Como é possível que uma tela inerte, fechada em si, no silêncio perpétuo, arraste o nosso olhar como quem é atraído pelo mais tremendo grito de solidão? Quantas vezes na vida sentimos que somos um grito que perdeu a voz? Não haverá ninguém que nos ouça?

Torres Queiruga sobre o mal e o sofrimento humano

Torres Queiruga sobre o mal e o sofrimento humano

O teólogo e escritor Andrés Torres Queiruga profere esta terça-feira a partir das 13h de Lisboa uma conferência intitulada “O mistério pascal e a resposta cristã à questão do mal e do sofrimento”, a ver no YouTube.

Advento: Vida vivida, noite e dia

Advento: Vida vivida, noite e dia

Desde 15 de Março, às vésperas da nossa estreia em estados de emergência, morreram-me trinta e um, entre amigos e amigas, os próximos e aparentados, os que desde sempre conheci, os que foram importantes ao longo de tantas peripécias, acontecimentos, fases de crise ou crescimento. De quem guardo momentos, frases, gestos, jeitos, tons de voz. Minoria por covid. Maioria por doença maior, por súbito surto, síncope, mal de coração, esvaimento de cabeça. Por velhice, por cansaço ou demasiado viver.

Espinhos

Espinhos

Se fosse para escolher, preferiam um Deus poderoso e autoritário, um Deus alheio à empatia, ou um Deus que se fez nascer na mais extrema pobreza, que conheceu o exílio para fugir à perseguição de um rei movido por ódio assassino, que criou inimigos entre os poderosos e os instalados porque estava sempre do lado dos excluídos e dos que sofrem, e que acabou por morrer depois de terríveis torturas? Um Deus exterior e superior a nós, ou um Deus que sabe bem o que custa a vida dos humanos, porque sofreu tudo isso na própria pele?

Deus abandonou os moçambicanos?

Deus abandonou os moçambicanos?

Perante uma tal dimensão do desastre, há quem se possa perguntar se Deus se esqueceu de Moçambique e se abandonou os moçambicanos. Mas, para as grandes tradições religiosas, a tragédia natural não é um castigo divino, ao contrário do que por vezes algumas pessoas pensarão.

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