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Camião de projeto AMA, da Fundação AIS, encontrado no Brasil. Foto ACN
"Como este velho camião, outros 319 chegaram ao Brasil através do apoio da Fundação AIS aos salesianos." Foto © ACN

Solidariedade

Um camião enferrujado descoberto no Brasil ajuda a contar a história da Fundação AIS

| 13/08/2025

Estava estacionado a um canto de uma oficina em Altamira, no interior do Pará (Brasil), sujo e enferrujado, entre sucatas. Mas não passou despercebido a uma delegação da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), que o descobriu durante uma viagem de projeto à região e de imediato percebeu que estava ali uma parte da sua história. Um velho camião, que chegou a ser usado na II Guerra Mundial, partiu da Suíça para a Amazónia numa missão de paz e amor, e agora é inspiração para novas missões.

“Como este velho camião, outros 319 chegaram ao Brasil através do apoio da Fundação AIS aos salesianos. Era o projeto AMA, que no início significava Ajuda Motorizada da Amazónia legal. Ao fim de algum tempo, a missão dos camiões foi ampliada e passou a ser chamada de Assistência Missionária Ambulante. Foi um projeto extraordinário”, explica a fundação pontifícia num comunicado enviado ao 7MARGENS.

Através destes camiões, “foi possível fazer o contacto entre os padres e o povo, e promoveram o surgimento até de comunidades cristãs. Foi um vaivém de ajuda, de solidariedade. Os camiões transportaram alimentos, remédios, material didático e material de construção, levaram as produções locais aos mercados e, assim, pela primeira vez, pessoas exploradas conseguiram receber um preço justo pelo seu trabalho”.

 

Um projeto que “continua a viajar” no Brasil

Camião do projeto AMA, da Fundação AIS, no Brasil. Foto DR

O camião “veio servir o projeto de Deus de lutar pela paz e pelas famílias”, recorda o dono da oficina onde foi encontrado. Foto: Direitos reservados

O dono da oficina, Orlando Bragança, já sabia que ali guardava uma “verdadeira relíquia”. “Esse camião foi usado na Segunda Guerra Mundial, veio da Suíça, mas aqui trabalhava num outro tipo de guerra, uma guerra de paz. Aqui veio servir o projeto de Deus de lutar pela paz e pelas famílias. (…) Durante o período em que a Transamazónica era quase intransitável, esses camiões desempenharam um papel crucial na expansão pastoral da região. Eles transportavam materiais de construção para as casas paroquiais e igrejas”, afirma, citado no comunicado.

O projeto envolveu 45 carregamentos de camiões para o porto de Belém do Pará, ensino de mecânica para 300 pessoas da região, treino para motoristas em Belém, Manaus, Cuiabá e Boa Vista, e distribuição dos camiões em 67 centros em 44 dioceses.

Projeto este que, por sua vez, foi inspirado nos “Camiões-Capela”, uma iniciativa “logo dos primórdios da Fundação AIS que permitiu espalhar pela Europa devastada pela guerra dezenas de camiões que se transformaram em verdadeiras ‘igrejas sobre rodas’, alimentando assim a fé dos fiéis nos lugares mais isolados através dos sacramentos”, recorda a organização católica.

“Uma tocha de esperança foi acesa na região amazónica e essa luz continua a viajar”, dizia o padre Werenfried van Straaten, fundador da Ajuda à Igreja que Sofre, ao descrever o projeto. “Atualmente, já sem condições de circular, o camião encontrado na oficina de Altamira transformou-se quase no memorial de um amor que nunca estaciona, que nunca pára”, conclui a fundação, assinalando que “graças à generosa solidariedade dos benfeitores, a AIS continua a apoiar a construção de estruturas pastorais e igrejas, bem como a prestar assistência direta às comunidades religiosas e aos missionários, disponibilizando barcos, carros ou motorizadas que lhes permitem percorrer maiores distâncias. Além disso, há também projetos de painéis solares que ajudam a reduzir os custos de energia, permitindo um maior investimento na evangelização” naquela região.

 

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