
Bombardeamentos em zonas civis são cada vez mais frequentes do lado de Israel. Foto © Ashraf Amra | UNRWA
Uma centena de personalidades judaicas divulgaram esta segunda-feira, dia 26 de agosto, um apelo “a todos os países para que sancionem o Estado de Israel”, a favor do “julgamento dos criminosos de guerra e dos seus cúmplices” e “do cessar-fogo e do fim desta matança”.
Intitulado Apelo Judaico Internacional Contra o Genocídio em Gaza, o documento é assinado por judeus e judias europeus (nenhum português, ou vivendo em Portugal), americanos e africanos que afirmam: “Nós, judeus, porque o crime é cometido em nosso nome, porque nos recusamos a ser cúmplices deste crime atroz, porque nos recusamos a permitir que o antissemitismo (que é a nossa história íntima) seja usado para justificar o horror [queremos denunciar o facto] de o mundo saber [o que se passa em Gaza], e os líderes ficarem em silêncio”.
Os subscritores recordam que “durante mais de 10 meses, todos os dias em Gaza, idosos, mulheres, crianças e homens foram conscientemente alvejados e mortos”, “o ocupante ataca escolas, hospitais, campos de refugiados, ataca médicos, jornalistas, atletas”, “organiza a fome” e “tortura prisioneiros, como demonstra o relatório B’Tselem.” Mas perante tudo isto, “a necessária decisão de sancionar fortemente este Estado que comete os piores crimes com total impunidade, ainda não foi tomada”, pelo que apelam “à solidariedade concreta com a população martirizada de Gaza”.
Suspensão de acordo UE-Israel

Crimes de guerra cometidos por Israel contra jornalistas. Foto retirada do site dos RSF
Entretanto, no mesmo dia 26 de agosto e antecipando a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, que terá lugar a 29 de agosto, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e 59 outras estruturas representativas de jornalistas apelam, em carta enviada ao vice-presidente da Comissão Europeia, Josep Borrell, ao vice-presidente executivo, Valdis Dombrovskis, e aos ministros dos Negócios Estrangeiros dos Estados-membros, “à suspensão do acordo de associação entre a União Europeia (UE) e Israel, bem como a adoção de sanções específicas contra os responsáveis” dos crimes em Gaza.
“Perante o número sem precedentes de jornalistas mortos e as contínuas violações da liberdade de imprensa por parte das autoridades israelitas desde o início da guerra com o Hamas” a UE “deve passar das palavras à ação” e, sendo “o maior parceiro comercial de Israel, deve assumir as suas responsabilidades e tudo fazer para garantir que o Governo de Netanyahu deixe de massacrar jornalistas e respeite o direito à informação e à liberdade de imprensa, abrindo o acesso a Gaza”, escrevem as organizações de jornalistas europeus, acrescentando que “a credibilidade dos europeus está em jogo”.
A carta é também assinada pelo Sindicato dos Jornalistas português e recorda que desde 7 de outubro de 2023, a “administração Netanyahu tomou uma série de medidas sem precedentes para restringir a liberdade dos meios de comunicação social”, incluindo “assassinatos de jornalistas” entre os quais “mais de 100 jornalistas palestinos e trabalhadores dos media em Gaza, bem como dois israelitas e três libaneses”.
Para as 60 organizações de profissionais de Imprensa “embora algumas restrições à reportagem sejam comuns nos teatros de guerra, a proibição total efetiva de entrada de jornalistas em Gaza – tanto de cidadãos estrangeiros e de jornalistas israelitas e palestinianos — não tem precedentes nos tempos modernos”. Apesar do Governo israelita ter, desde o início do conflito, emitido cerca de 2.800 credenciais para jornalistas estrangeiros entrarem em Israel, “apenas jornalistas selecionados foram autorizados a entrar em Gaza, todos sob escolta militar israelense e com restrições à reportagem”.
A este apertado controlo acrescem as “detenções arbitrárias em número recorde: Israel prendeu pelo menos 49 jornalistas e trabalhadores dos media, muitas vezes sem acusação formada”, dos quais “pelo menos 13 estão sob detenção administrativa, uma medida que permite a qualquer comandante militar poder deter um indivíduo sem causa formada, normalmente por seis meses, com o objetivo de impedi-lo de cometer uma infração futura”.
Por sua vez, a Federação Internacional de Jornalistas contabilizava (até dia 23 de agosto) a morte de pelo menos 125 jornalistas e trabalhadores dos media palestinos, a que se junta um número indeterminado de feridos e desaparecidos. A FIJ pede uma investigação imediata sobre aquelas mortes.










