
“O tempo online passa cinco vezes mais depressa e esta velocidade só nos leva a uma encruzilhada: ou estamos dentro ou estamos fora.” Núcleo Editorial – Ilustração Redes Sociais / Autora: Laura B. / Wikimedia Commons
Se há coisa que aprendemos com a pandemia é que o tempo passa depressa. Aprendemos que devemos ter mais calma, aproveitar os momentos com aqueles de quem mais gostamos, comer o que queremos, ver o pôr do sol e consumir tudo o que as redes sociais têm para dar, certo? Errado. Chegou a altura de desacelerar.
Começou 2022 e, enquanto sociedade, devemos adotar uma resolução de ano novo coletiva: deixemo-nos de rodeios. Para quê passar a vida a engonhar, a fazer coisas que não gostamos só porque “tem de ser” ou porque “todos fazem”? Chegou a hora de saltarmos borda fora dessa mentalidade. Está na hora de mudar.
Comecemos pelas redes sociais. Enquanto jovem sinto-me pressionada para estar presente nas redes 24 horas por dia, 7 dias por semana. Tenho de acompanhar tudo o que se passa e se chegar três horas atrasada a um assunto que está a ser discutido na internet já não o consigo acompanhar. O tempo online passa cinco vezes mais depressa e esta velocidade só nos leva a uma encruzilhada: ou estamos dentro ou estamos fora. Cabe a cada um escolher, sendo que estar dentro costuma ter mais vantagens, como perceber referências, piadas e outras coisas importantíssimas para a vivência de qualquer cidadão.
Em janeiro decidi, finalmente, saltar borda fora. Desativei o meu Instagram para ver se me fazia falta. Visto que é uma rede social feita para a coscuvilhice e eu sou uma coscuvilheira profissional, será que consegui sobreviver um mês sem ver o que fez a Sofia ou Manuel? Ora, pois claro que sim! Foi dos meses mais leves que vivi. A pressão que sentia para estar a par da vida das outras pessoas era psicológica. E mais: garanto que nem a Sofia nem o Manuel sentiram a minha falta. Admito que no início me apeteceu desistir, queria publicar uma fotografia de um espetáculo que fui, mas, só de pensar duas vezes nessa vontade, acabei por rapidamente desistir da ideia. Se eu não acabei de resolver mais de metade dos problemas do mundo com esta dica… Agradeçam-me depois.
Outro aspeto que me faz confusão nas redes sociais é o contrato social que assinamos involuntariamente quando seguimos alguém. Há quem ache má educação não interagir com as publicações das pessoas, deixar de seguir ou até mesmo bloquear. Quando assinei o tal contrato só li as gordas e, por isso, prefiro preservar a minha sanidade mental. Será que precisamos de seguir a Joana que andou em Biologia connosco no 11.º ano? Ela está casada, tem três filhos e mora no Canadá. A menos que queira emigrar não vejo razão para continuar a ver vídeos de 15 segundos dela a fazer bolos.
Aplico este pragmatismo também à vida real. Se não gosto de alguém, por que razão tenho de conviver com essa pessoa? Não posso só ser cordial? A DGS anda a dizer isto há dois anos: temos de reduzir os contactos! A minha cabeça não tem espaço suficiente para memorizar as complexidades pessoais de toda a gente.
Quero ter uma aura mística à minha volta. Só sabe quem lá está. Quem quiser saber coisas sobre mim, venha perguntar-me que eu despejo a informação toda – é que chega mesmo de rodeios!
Evelina Ungureanu é estudante de Comunicação Social e Jornalismo na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa. Contacto: ung.evelina@gmail.com










