AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

A Escola da Ponte, em Santo Tirso, está a celebrar 50 anos de existência. Foto © Escola da Ponte

[Entre o quadro e o mundo (35)]

A igualdade de oportunidades não exige escolas iguais

“Estamos preparados para aceitar que uma escola pública possa ser diferente, sem que tenha de pedir desculpa por isso?” É esta a pergunta que orienta a reflexão de Luís Francisco Marques neste episódio do podcast Entre o Quadro e o Mundo, que parte da experiência da Escola da Ponte – a assinalar 50 anos de existência – para discutir a diversidade de projetos pedagógicos, a autonomia das escolas e o próprio significado da igualdade de oportunidades.

Com meio século de existência, a Escola da Ponte, em Santo Tirso, desafiou formas tradicionais de organização escolar, apostando no trabalho por projetos, na participação dos alunos e numa relação diferente com o conhecimento. Mas as dificuldades que atualmente enfrenta — nomeadamente a necessidade de instalações adequadas à procura crescente e a reivindicação de um novo contrato de autonomia — levantam questões que ultrapassam a realidade desta comunidade educativa, assinala o autor do podcast.

Uma delas é a distinção entre igualdade e uniformidade. Garantir a todos os alunos o direito à educação e às mesmas oportunidades não significa, necessariamente, exigir que todas as escolas funcionem da mesma maneira, defende o também professor. Até porque “uma escola numa comunidade rural, uma escola num bairro urbano, uma escola com uma população socialmente vulnerável ou uma escola que desenvolve um projeto pedagógico singular não enfrentam necessariamente os mesmos desafios”, alerta.

Recorrendo ao pensamento de John Dewey, que concebe a escola como uma comunidade de experiência e participação democrática, e de Hannah Arendt, que sublinha a responsabilidade dos adultos pelo mundo em que introduzem os mais novos, Luís Francisco Marques questiona os limites de um sistema educativo excessivamente uniformizado.

A reflexão não passa por defender a inovação a qualquer preço, nem por transformar a Escola da Ponte num modelo a reproduzir em todo o país. Um projeto diferente deve explicar as suas opções, demonstrar resultados, reconhecer dificuldades e aceitar avaliação. Mas avaliar não pode significar verificar se todas as escolas fizeram exatamente o mesmo.

Também a autonomia é abordada nesta perspetiva: não “como um privilégio concedido a uma escola especial, nem como uma autorização para funcionar sem regras”, mas como “possibilidade de tomar decisões fundamentadas dentro de um quadro de responsabilidade pública para responder melhor às necessidades de uma comunidade”. Essa autonomia exige objetivos claros, transparência, avaliação e prestação de contas, mas também confiança nas escolas e na sua capacidade de conhecer os alunos e os territórios em que trabalham.

A pergunta que fica, conclui o episódio, é que escola pública queremos defender: uma escola que oferece a todos o mesmo caminho ou uma escola que garante a todos o direito de aprender, admitindo que podem existir caminhos diferentes? Afinal, “uma escola não tem de ser igual às outras para fazer parte da escola pública”.

Este podcast, que pretende ser um convite à reflexão num mundo cada vez mais polarizado e automático, está a ser transmitido às sextas-feiras na Rádio Regional do Centro, e é cedido pelo autor e pela RRC ao 7MARGENS.

O novo episódio pode ser ouvido na íntegra a seguir.

 

 

últimos episódios

Menos grelhas para preencher, mais pensamento em conjunto? O desafio da colaboração nas escolas

[Entre o quadro e o mundo (32)]

Menos grelhas para preencher, mais pensamento em conjunto? O desafio da colaboração nas escolas

Ter reuniões marcadas, tempo reservado nos horários e instrumentos para registar o trabalho conjunto não significa necessariamente que exista colaboração entre professores. No novo episódio do podcast “Entre o Quadro e o Mundo”, Luís Francisco Marques questiona uma escola cada vez mais capaz de organizar e medir o que é feito por todos, mas nem sempre capaz de criar uma cultura em que os professores pensem verdadeiramente em conjunto.

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Recém-criada Aliança Inter-Religiosa pela Paz apela ao envolvimento de todos

“Chuva Pacífica”

Recém-criada Aliança Inter-Religiosa pela Paz apela ao envolvimento de todos novidade

“Uma única gota de chuva parece insignificante. Não pode apagar um incêndio. Não pode parar uma guerra. Não pode curar todas as feridas da história. Mas uma multidão de gotas pode humedecer a terra seca e permitir que uma nova vida brote dela. O mesmo acontece com a construção da paz”. É com esta imagem de um simples pingo de chuva que acaba de ser constituída na cidade croata de Rijeka a Aliança Mediterrânea para a Paz.

A floresta ensina que tudo tem o seu tempo

Testemunho

A floresta ensina que tudo tem o seu tempo novidade

Nasci no Uganda há quase 37 anos e estou ao serviço na Missão Catrimani, localizada no coração da floresta amazónica, no Brasil. Chamo-me Bob Mulega e sou padre Missionário da Consolata desde os meus 31 anos. Quando, em 2019, cheguei à Missão Catrimani, e entrei em contacto com o povo indígena yanomami, acreditava que a missão consistia sobretudo em aprender uma nova língua, compreender a cultura do povo e anunciar o Evangelho através da presença e da convivência. ( Texto de Bob Mulega].

A luz que ainda nos guia

"História da Luz: Arte e Visão"

A luz que ainda nos guia novidade

Dadas as raízes antropológicas comuns da arte e da religião, tudo indica que as artes terão acompanhado desde os seus primórdios as tendências devocionais dos povos, e nesse sentido, desde tempos imemoriais que a arte testemunha e regista os fenómenos luminosos como uma das principais metáforas da transcendência. [Texto de Sílvia Pinto].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.