Costumo ser fiel às lojas em que me abasteço. Como moro perto de um centro comercial não preciso de andar muito para encontrar o que necessito. E hoje pretendia comprar um presente para oferecer a uma amiga. Dirigi-me à loja do costume e verifiquei que a mesma tinha sido sujeita a obras. A grande diferença estava na ausência de colorido, pois praticamente tudo era em tons de preto, branco ou cinzento, cores pardas que pouco me seduzem. Também constatei que havia muito menos empregadas do que era habitual e as poucas existentes também pareciam ter aderido ao luto pois trajavam totalmente de preto. Quando perguntei se tinham camisolas verdes (era a cor preferida da minha amiga) olharam para mim como se fosse uma alienígena.
Lá encontrei algo que me pareceu mais consentâneo com a personalidade da amiga e dirigi-me ao local onde geralmente fazia os pagamentos. Para minha surpresa ele tinha desaparecido. De novo me dirigi a uma funcionária que me orientou para uma parede e rapidamente me abandonou. Olhando para a dita parede percebi que nela estavam incrustadas umas caixas, tipo multibanco, mas sem qualquer indicação do modo como funcionavam. Voltei a recorrer à mesma funcionária que desta vez me olhou como se eu fosse atrasada mental, mas que na realidade me ajudou a realizar a operação.
É verdade que, quando pretendo comprar algo, gosto que haja alguém a quem possa recorrer para encontrar o que procuro, mas dispenso as sugestões quando não as solicito. Uma vendedora ou vendedor eficiente é o segredo de uma loja. Deve saber colocar-se na pele do comprador ou compradora, adivinhar os seus gostos, fazer sugestões que lhe pareçam oportunas e ter paciência para aqueles e aquelas que hesitam. Mas a ausência de gente que possa ajudar a clientela não me parece boa política.
Se é verdade que nos importunam quando apresentam múltiplas sugestões de compra, o abandono total também não me parece boa política. Basta que atendam os nossos pedidos e dúvidas sem um ar enfadado. E, quando possível, se despeçam de nós com um sorriso – a melhor garantia para que voltemos a visitar as lojas onde trabalham.
Imagem de destaque: foto © Unsplash.
Maria Luísa Ribeiro Ferreira é professora catedrática (aposentada) de Filosofia da Faculdade de Letras de Universidade de Lisboa.
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