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Artigos de Ana Sofia Brito
Não quero senão

Não quero senão

Se aos olhos de alguém transpareço / noutros sorrisos me encontro / aprendi a voar nos abismos / da alma humana inacabada / entristecida de arrogâncias / falácias perpétuas sem rosto

Não quero senão

A leveza da razão

Nunca ninguém irá mudar o mundo, o mundo está em permanente mutação por si só e cada um de nós mudando com ele. A única coisa que podemos efetivamente mudar é a nossa visão e consciência do mesmo. Num livro que reúne correspondência entre Gandhi e Tolstoi, este último alegava que a única permanência era a da controvérsia.

Não quero senão

Sacudir a caspa dos ombros

Na rua sobrevive-se; como se a sobrevivência fosse causa imposta pela própria indignidade da condição humana. Reparem bem: – Meus queridos homens e mulheres, meninos e meninas, peçam licença para ocupar o mundo, mundo esse que por acaso não se lembrou de ter espaço para todos os que vê nascer.

Não quero senão

A dançarina em dezembro

A menina dança em dezembro para aquecer a alma. Dezembro é a dança melodiosa que ilumina a árdua coreografia do resto do tempo. O seu peito trémulo e arquejante espreita ousado para dentro das casas onde lareiras ardem a deitar cheiro, a menina imagina que é os outros meninos no aconchego dos agasalhos, cheios de pai e mãe, cheios de jantar e luz. 

Não quero senão

Confesso que morro…

Confesso que morro. Morro em semblantes irresgatáveis, gestos pardos em quedas sinistramente abruptas. Morri nas entranhas da minha mãe quando fui cuspida ao mundo e hei-de morrer no louco abismo desse voo.

Não quero senão

Saudade

A saudade é a estranha penumbra desabotoada no gélido crepúsculo da memória. Acontece quando os odores se desfazem e os timbres deixam de ecoar;
essa é a saudade.

Olhares baços no horizonte baço

Excertos da Índia

Olhares baços no horizonte baço

É nas terras de horizonte baço que os direitos são mais negligenciados, pensava eu ao caminhar por ruas tranquilamente infernais numa tentativa de compreender o que via e sentia. Meninos descalços, sem nome. São meninos de olhos vazios e mão estendida. Porque me daria a vida sobras de afeto se a eles nada disso pode dar?

Não quero senão

Não quero senão

Se aos olhos de alguém transpareço / noutros sorrisos me encontro / aprendi a voar nos abismos / da alma humana inacabada / entristecida de arrogâncias / falácias perpétuas sem rosto

Não quero senão

A leveza da razão

Nunca ninguém irá mudar o mundo, o mundo está em permanente mutação por si só e cada um de nós mudando com ele. A única coisa que podemos efetivamente mudar é a nossa visão e consciência do mesmo. Num livro que reúne correspondência entre Gandhi e Tolstoi, este último alegava que a única permanência era a da controvérsia.

Não quero senão

Sacudir a caspa dos ombros

Na rua sobrevive-se; como se a sobrevivência fosse causa imposta pela própria indignidade da condição humana. Reparem bem: – Meus queridos homens e mulheres, meninos e meninas, peçam licença para ocupar o mundo, mundo esse que por acaso não se lembrou de ter espaço para todos os que vê nascer.

Não quero senão

A dançarina em dezembro

A menina dança em dezembro para aquecer a alma. Dezembro é a dança melodiosa que ilumina a árdua coreografia do resto do tempo. O seu peito trémulo e arquejante espreita ousado para dentro das casas onde lareiras ardem a deitar cheiro, a menina imagina que é os outros meninos no aconchego dos agasalhos, cheios de pai e mãe, cheios de jantar e luz. 

Não quero senão

Confesso que morro…

Confesso que morro. Morro em semblantes irresgatáveis, gestos pardos em quedas sinistramente abruptas. Morri nas entranhas da minha mãe quando fui cuspida ao mundo e hei-de morrer no louco abismo desse voo.

Não quero senão

Saudade

A saudade é a estranha penumbra desabotoada no gélido crepúsculo da memória. Acontece quando os odores se desfazem e os timbres deixam de ecoar;
essa é a saudade.

Olhares baços no horizonte baço

Excertos da Índia

Olhares baços no horizonte baço

É nas terras de horizonte baço que os direitos são mais negligenciados, pensava eu ao caminhar por ruas tranquilamente infernais numa tentativa de compreender o que via e sentia. Meninos descalços, sem nome. São meninos de olhos vazios e mão estendida. Porque me daria a vida sobras de afeto se a eles nada disso pode dar?

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