Se aos olhos de alguém transpareço / noutros sorrisos me encontro / aprendi a voar nos abismos / da alma humana inacabada / entristecida de arrogâncias / falácias perpétuas sem rosto
Se aos olhos de alguém transpareço / noutros sorrisos me encontro / aprendi a voar nos abismos / da alma humana inacabada / entristecida de arrogâncias / falácias perpétuas sem rosto
Esta manhã, à porta do supermercado, como é habitual, estava um menino que pedia leite.
Nunca ninguém irá mudar o mundo, o mundo está em permanente mutação por si só e cada um de nós mudando com ele. A única coisa que podemos efetivamente mudar é a nossa visão e consciência do mesmo. Num livro que reúne correspondência entre Gandhi e Tolstoi, este último alegava que a única permanência era a da controvérsia.
Na rua sobrevive-se; como se a sobrevivência fosse causa imposta pela própria indignidade da condição humana. Reparem bem: – Meus queridos homens e mulheres, meninos e meninas, peçam licença para ocupar o mundo, mundo esse que por acaso não se lembrou de ter espaço para todos os que vê nascer.
A menina dança em dezembro para aquecer a alma. Dezembro é a dança melodiosa que ilumina a árdua coreografia do resto do tempo. O seu peito trémulo e arquejante espreita ousado para dentro das casas onde lareiras ardem a deitar cheiro, a menina imagina que é os outros meninos no aconchego dos agasalhos, cheios de pai e mãe, cheios de jantar e luz.
Confesso que morro. Morro em semblantes irresgatáveis, gestos pardos em quedas sinistramente abruptas. Morri nas entranhas da minha mãe quando fui cuspida ao mundo e hei-de morrer no louco abismo desse voo.
A saudade é a estranha penumbra desabotoada no gélido crepúsculo da memória. Acontece quando os odores se desfazem e os timbres deixam de ecoar;
essa é a saudade.
Excertos da Índia
Olhares baços no horizonte baçoÉ nas terras de horizonte baço que os direitos são mais negligenciados, pensava eu ao caminhar por ruas tranquilamente infernais numa tentativa de compreender o que via e sentia. Meninos descalços, sem nome. São meninos de olhos vazios e mão estendida. Porque me daria a vida sobras de afeto se a eles nada disso pode dar?
Se aos olhos de alguém transpareço / noutros sorrisos me encontro / aprendi a voar nos abismos / da alma humana inacabada / entristecida de arrogâncias / falácias perpétuas sem rosto
Esta manhã, à porta do supermercado, como é habitual, estava um menino que pedia leite.
Nunca ninguém irá mudar o mundo, o mundo está em permanente mutação por si só e cada um de nós mudando com ele. A única coisa que podemos efetivamente mudar é a nossa visão e consciência do mesmo. Num livro que reúne correspondência entre Gandhi e Tolstoi, este último alegava que a única permanência era a da controvérsia.
Na rua sobrevive-se; como se a sobrevivência fosse causa imposta pela própria indignidade da condição humana. Reparem bem: – Meus queridos homens e mulheres, meninos e meninas, peçam licença para ocupar o mundo, mundo esse que por acaso não se lembrou de ter espaço para todos os que vê nascer.
A menina dança em dezembro para aquecer a alma. Dezembro é a dança melodiosa que ilumina a árdua coreografia do resto do tempo. O seu peito trémulo e arquejante espreita ousado para dentro das casas onde lareiras ardem a deitar cheiro, a menina imagina que é os outros meninos no aconchego dos agasalhos, cheios de pai e mãe, cheios de jantar e luz.
Confesso que morro. Morro em semblantes irresgatáveis, gestos pardos em quedas sinistramente abruptas. Morri nas entranhas da minha mãe quando fui cuspida ao mundo e hei-de morrer no louco abismo desse voo.
A saudade é a estranha penumbra desabotoada no gélido crepúsculo da memória. Acontece quando os odores se desfazem e os timbres deixam de ecoar;
essa é a saudade.
Excertos da Índia
Olhares baços no horizonte baçoÉ nas terras de horizonte baço que os direitos são mais negligenciados, pensava eu ao caminhar por ruas tranquilamente infernais numa tentativa de compreender o que via e sentia. Meninos descalços, sem nome. São meninos de olhos vazios e mão estendida. Porque me daria a vida sobras de afeto se a eles nada disso pode dar?
[Entre Margens]
De Jesus ao cristianismo: como nasceu uma religiãoDurante séculos, habituámo-nos a pensar em Jesus como o fundador do cristianismo. A associação parece tão evidente que raramente a questionamos. Mas terá Jesus de Nazaré pretendido fundar uma nova religião? Ou terá o cristianismo surgido de um processo histórico muito mais longo e complexo do que habitualmente imaginamos? [Texto de Dália Fernandes].
Crise da habitação
CNJP exige distribuição dos bens existentes e mobilização do património da IgrejaReagindo às “acampadas” e outras manifestações que vieram colocar a questão da habitação na ordem do dia, a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) divulgou esta sexta-feira, 30 de outubro, um comunicado em que exige que “o debate sobre a escassez de casas – em que é dever do Governo e de todos os partidos participarem – deve, antes de mais, conduzir à definição de critérios para a distribuição dos bens disponíveis”.
Por correio
Papa vota nas eleições americanas de 3 de novembroO Papa participará nas eleições americanas de 3 de novembro através do voto que enviou por correio a partir do Vaticano para o Estado do Illinois. O Papa solicitou a cédula de voto no dia 3 de outubro. É muito raro conhecer-se a participação eleitoral dos Pontífices romanos.
[Arquipélago Jerusalém]
Não às armas nucleares (3): a paz não exige anjosFoi uma grande semana para a democracia e contra os impérios: Órban, Bolsonaro e Vučić perderam eleições, Netanyahu perdeu o poder. A Hungria e a Sérvia libertam-se das democracias musculadas e da dependência de Moscovo; o Brasil terá evitado o regresso da direita radical. Em Israel, uma coligação de Gadi Eisenkot com os partidos árabes poderia recuperar o caminho de Yitzhak Rabin, que assinou os Acordos de Oslo com a OLP em 1993. [Texto de Mendo Castro Henriques]
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