“Apesar dos muitos desafios que persistem, incluindo a violência, a pobreza, estruturas de saúde precárias e a degradação ambiental, optamos por não cair no desespero” e “apelamos a um compromisso cristão ativo, realista e comunitário em todo o continente” declararam os bispos católicos africanos na mensagem final da 20ª assembleia plenária do Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar (SECAM), realizada em Kigali entre 30 de julho e 4 de agosto de 2025.
“A esperança cristã não deve ser confundida com uma mera projeção mental desligada da realidade”, escrevem os bispos: “Ela é uma presença ativa em nome de Jesus, ao lado daqueles que sofrem, suportam injustiças e são rejeitados”. E, por isso, enfatizaram, segundo o documento final citado pela agência CISA de 5 de agosto, a urgência de uma Igreja que não tenha medo de ser “sinal de contradição” diante da injustiça sistémica e da indiferença social.
Voltando-se para a necessidade premente de paz, os bispos expressaram profunda preocupação com os conflitos interétnicos e interestatais que continuam a empobrecer as sociedades africanas, reafirmando: “Ninguém vence verdadeiramente um conflito, seja qual for sua natureza”, pelo contrário “a reconciliação, o perdão e a paz são essenciais para o desenvolvimento de todas as dimensões da vida humana”. Apelando para um maior compromisso com a educação para a paz, especialmente entre os jovens, os bispos instaram a Igreja a tornar-se uma voz mais ativa na transformação e resolução dos conflitos e na coesão social.
Citando a declaração do Papa Paulo VI de que “o desenvolvimento é o novo nome da paz”, os líderes do SECAM reiteraram que o desenvolvimento sustentável e o progresso humano integral só são possíveis num contexto de paz genuína e enraizada em Cristo.
A assembleia debateu o roteiro para os próximos 25 anos da Igreja em África e estruturou-o em 12 pilares. A visão desse caminho a ser percorrido por toda a Igreja do continente inclui um foco renovado na evangelização e na educação católica, a construção de uma Igreja autossuficiente, a adoção de um modelo familiar de liderança, o aprofundamento da formação em sinodalidade e no discipulado missionário, a promoção do cuidado com a criação, o empoderamento dos jovens, o avanço da justiça e do desenvolvimento humano, o fortalecimento do diálogo inter-religioso, o compromisso com a evangelização digital, a melhoria dos ministérios da saúde, o fortalecimento da vida litúrgica e o fomento do compromisso político ético. Os bispos sublinharam que estas 12 prioridades não podem ser vistas como independentes umas das outras, mas antes concretizadas como uma missão integrada enraizada em Cristo e guiada pelo Evangelho.









