
Muhammad Yunus. Foto © University of Salford Press Office
O 7MARGENS havia anunciado a presença de Muhammad Yunus, amanhã dia 30 de novembro, na Universidade Católica para uma conferência, no âmbito de uma cimeira sobre inovação social, organizada pelo Centro de Inovação Social Yunus (Yunus Social Innovation Center), da Universidade Católica.
De acordo com o site da cimeira, Yunus “cancelou todas as suas presenças internacionais por motivos incontornáveis no Bangladesh, seu país de origem.” Pode ler-se ainda na breve nota no site: “Por esse motivo decidimos adiar o evento com data a definir, e programar também, assim que possível e com data e formato a definir, um outro momento com o Prof. Muhammad Yunus, num futuro próximo, bem como o evento de comunicação de resultados e plano do Yunus Social Innovation Center.
Ao que o 7MARGENS apurou o cancelamento das viagens internacionais pode dever-se ao facto de Yunus enfrentar um processo judicial, entre outros, no Tribunal do Trabalho de Dhaka por suposta violação das leis do trabalho na empresa Grameen Telecom da qual Yunus é presidente. De acordo com o jornal digital do bangladesh bdnews24.com, de 9 de novembro, além de Yunus são ainda acusados a diretora administrativa da Grameen Telecom, Ashraful Hasan, e os diretores Nurjahan Begum e o MD Shahjahan. Todos eles se declaram inocentes.
A defesa manifestou numa declaração por escrito que o acusado, Yunus, “constituiu mais de 50 organizações sociais no país, incluindo o Grameen Bank, não tendo qualquer participação dos lucros em nenhuma dessas empresas.”
A defesa desafiou as autoridades a citar uma outra pessoa ou organização com “o impacto” que Yunus havia criado e “recursos humanos” que ele reuniu.
Em 27 de Agosto último várias personalidades e organizações (150 no total), entre as quais ex-presidente dos EUA, Barack Obama, o ex-secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, a ex-secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e mais de 100 vencedores do Nobel, dirigiram uma carta, dirigida à primeira-ministra Sheikh Hasina e publicada na edição internacional do The New York Times, na quinta-feira (31/08)) como um anúncio de página inteira, em que apelavam à suspensão do processo contra Muhammad Yunus e expressavam preocupações sobre “as ameaças à democracia e aos direitos humanos” no Bangladesh, antes das eleições gerais de Janeiro.
O governo de Hasina reagiu duramente à carta condenando o “assédio judicial contínuo” do vencedor do Nobel e pioneiro do microcrédito, como uma “intervenção estrangeira” indesejável no processo judicial do país.
Recorde-se que Yunus foi afastado do conselho do Grameen Bank em 2011 e nos últimos anos tem enfrentado dezenas de acusações relacionadas com as empresas fundadas por ele próprio.
Embora a primeira-ministra Sheikh Hasina tenha inicialmente elogiado o trabalho de Yunus e do Grameen Bank, afirmando ser um orgulho para o país, mudou de opinião depois de começar a vê-lo como um rival político. Importa recordar que em 2007 Yunus anunciou que iria criar um partido para concorrer às eleições, ideia que embora muito bem aceite pelos populares foi vista como um desafio aos poderes instalados. Desde então começaram os problemas.








