
Depois do Parlamento, a exposição sobre as duas décadas de liberdade religiosa em Portugal está agora no Pavilhão Multiusos, em Odivelas, até domingo. Foto: Direitos reservados
A exposição Os Caminhos da Liberdade Religiosa em Portugal, que evoca as duas décadas da Lei 6/2001, de 22 de Junho, e que esteve patente no Parlamento entre Dezembro e Abril últimos, pode agora ser vista, até domingo, no Pavilhão Multiusos de Odivelas, naquela que é a primeira saída na itinerância prevista agora pelo Parlamento, em colaboração com a Aliança Evangélica Portuguesa (AEP) e a Sociedade Bíblica de Portugal (SBP).
A Assembleia da República decidiu fazer um protocolo com a AEP e a SBP, de modo a permitir que diferentes entidades religiosas, autarquias ou organizações civis possam levar a exposição a diferentes pontos do país – devendo apenas custear o transporte e montagem.
Em Odivelas, no próximo sábado, dia 21, haverá um conjunto de actividades paralelas que incluem uma aula de yoga e pinturas faciais (14h), assinalando também o Dia Internacional da Paz. Às 15h está prevista uma visita à exposição, guiada pela jovem Matilde Mota, da Comunidade Bahá’í, que foi uma das entrevistadas para o catálogo e para o vídeo com opiniões dos jovens sobre a liberdade religiosa.
Depois da visita, será apresentado um vídeo relativo ao prémio internacional Cidades Educadoras 2024 que foi atribuído ao projeto de “Diálogo Inter-Religioso”, da autarquia de Odivelas. Às 15h15 dar-se-á início a um debate sobre o tema da liberdade religiosa, que terá a participação de representantes de diferentes confissões religiosas: Joaquim Moreira (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ou Mórmons), Artur Machado (Igreja Adventista do Sétimo Dia), xeque Zabir Edriss (comunidade islâmica do Centro Cultural Colinas do Sol), Paulo Mendes Pinto (Universidade Lusófona) e André Valério (Associação Bhakti Marga). O debate será moderado por António Marujo, director do 7MARGENS e coordenador científico da exposição do Parlamento, a convite do presidente da Assembleia da República da anterior legislatura, Augusto Santos Silva.
Depois do debate, haverá uma oração pela paz, que também inclui a participação de diferentes confissões religiosas: Comunidade Islâmica de Odivelas, Federação da Paz Universal, Comunidade Bahá’í, Igreja Baptista da Lagoinha, Igreja Adventista do Sétimo Dia, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Comunidade Ismaili, Brahma Kumaris, Templo Kadampa, Comunidade Sikh, Templo de Shiva, Comunidade Hindu de Portugal, Bhakti Marga, Ministério Kairos. Às 18h30 está prevista uma leitura conjunta da Oração Pela Paz.
Todos os actos – entrega do prémio, debate e oração pela paz – terão transmissão no canal da Câmara Municipal de Odivelas no YouTube.
Semana da Harmonia Inter-Religiosa com visitas a templos

O prémio internacional Cidades Educadoras 2024 foi atribuído ao projeto de “Diálogo Inter-Religioso”. Foto © Câmara Municipal de Odivelas
A tarde de sábado é um dos últimos actos da exposição e o primeiro da III Semana da Harmonia Inter-Religiosa e do Diálogo Intercultural, sob o mote “25 de abril: Evolução da Liberdade Religiosa nos últimos 50 anos”. Entre os dias 23 e 27, a semana prevê visitas a 13 diferentes templos religiosos de confissões minoritárias localizados no concelho.
A exposição faz um percurso através de algumas datas históricas mais significativas da relação entre o Estado português e a religião, centrando-se o percurso expositivo no último século, começando pelo conflito com a Igreja Católica na Primeira República e passando pela ditadura salazarista que discriminou as minorias e perseguiu os que contestaram o regime, também em nome da fé que professavam (com vários nomes dessa contestação a serem evocados).
Os primeiros confrontos já em democracia, a propósito de temas como o divórcio, o ensino ou o acesso aos média são também evocados através de documentos, fotografias e objetos, alguns dos quais com valor histórico relevante, e provenientes de diferentes confissões religiosas. Nos últimos anos, além de questões como o aborto ou a eutanásia, tem sido sobretudo a assistência religiosa nas prisões e nos hospitais a razão de discordância entre as religiões e autoridades públicas, como se assinala num dos textos do catálogo.
O percurso da exposição inclui ainda excertos de entrevistas inéditas de Maria da Conceição Moita, Luís Moita e Nuno Teotónio Pereira ao jornalista Jacinto Godinho e à historiadora Irene Pimentel para a RTP, recordando os tempos da oposição religiosa ao regime ditatorial do Estado Novo; e ainda duas outras entrevistas feitas expressamente para a exposição, ao antigo ministro José Vera Jardim, que era o ministro da Justiça que lançou o processo legislativo que conduziu à lei 16/2001, e José Sousa Brito, que coordenou o processo de redacção da lei. Ambas são realizadas por António Marujo e foram publicadas na íntegra pelo 7MARGENS.
Uma dúzia de jovens e jovens adultos de diferentes confissões também concederam pequenos depoimentos sobre o seu entendimento da liberdade religiosa e o contributo que consideram que a sua própria confissão dá à ideia da liberdade religiosa. No catálogo, incluem-se também dois textos da autoria do constitucionalista Jorge Miranda, sobre o percurso conceptual da liberdade religiosa em Portugal, e de Mota Amaral, antigo deputado da Ala Liberal no final do Estado Novo, e presidente da Assembleia da República (2002-2005).
O programa completo das diferentes iniciativas está disponível na página da Câmara Municipal de Odivelas. Para as visitas aos templos, é necessária inscrição prévia na mesma página, já que o número de lugares é limitado.










