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bispo pemba com presidente Filipe Nyusi, foto FB presidente

Moçambique: Presidente visita bispo de Pemba, Amnistia exige investigação da “crescente ameaça aos jornalistas” na região

| 01/09/2020

bispo pemba com presidente Filipe Nyusi, foto FB presidente

Durante o encontro com o bispo de Pemba, Filipe Nyusi manifestou preocupação com o paradeiro de duas religiosas e mais 60 pessoas, desaparecidas desde 5 de agosto. Foto: Presidência da República de Moçambique.

 

O Presidente da República moçambicano, Filipe Nyusi, reuniu-se esta segunda-feira, 31 de agosto, com o bispo católico de Pemba, Luiz Fernando Lisboa, num encontro que teve como tema principal a violência armada na região de Cabo Delgado, divulgou o próprio Nyusi na sua página de Facebook. No mesmo dia, a Amnistia Internacional emitiu um comunicado em que classifica o incêndio de 23 de agosto na redação do semanário Canal de Moçambique como uma “escalada dos atentados aos direitos humanos no país” e exige uma “investigação imediata” ao caso.

Durante o encontro com o bispo de Pemba, Filipe Nyusi manifestou preocupação com o desaparecimento de duas religiosas pertencentes à congregação das Irmãs de São José de Chambery e de uma comunidade de mais de 60 pessoas que estas acompanhavam, na vila de Mocímboa da Praia. A localidade começou a ser atacada por grupos armados no passado dia 5 de agosto. Desde essa data que se desconhece o paradeiro do grupo, como o próprio bispo já tinha dito ao 7MARGENS e agora a fundação Ajuda à Igreja que Sofre continua a confirmar.

Em declarações aos jornalistas no final do encontro, Filipe Nyusi destacou o alerta dado por Luiz Fernando Lisboa para a necessidade de oferecer apoio psicológico às populações afetadas pela violência. “Há um trabalho psicológico que deve ser feito com as pessoas afetadas. Alguém que vê o filho ou marido a ser decapitado ou morto precisa de um conforto”, afirmou o Presidente moçambicano.

Depois das críticas dirigidas a Luiz Fernando Lisboa por parte de apoiantes da Frelimo, o partido no poder, que chegaram a acusá-lo de ser um dos “financiadores dos insurgentes”, este encontro foi um sinal da aproximação entre o chefe de Estado moçambicano e o bispo de Pemba.

“Foi um encontro bom, a avaliar pela rica informação partilhada, uma vez que a Igreja Católica está enraizada na província. O diálogo com todas as forças vivas da sociedade continua a ser a nossa maior aposta de governação”, assegurou o Presidente Nyusi no texto que divulgou na sua página de Facebook.

 

“Ataque chocante à liberdade de imprensa”

No mesmo dia, um comunicado enviado pela Amnistia Internacional (AI) ao 7 MARGENS contrariava a garantia dada por Nyusi. Segundo a organização, a liberdade dos media moçambicanos está “reduzida a cinzas” e o país assistiu, com o incêndio que destruiu a redação do semanário Canal de Moçambique no passado dia 23 de agosto, a “um ponto de viragem na escalada dos atentados aos direitos humanos”.

No comunicado, a organização afirma que se tratou de um “um ataque chocante à liberdade de imprensa e a manifestação mais extrema de sempre da crescente ameaça aos jornalistas em Moçambique”.

“As autoridades devem acionar uma investigação imediata, completa, imparcial, independente e transparente a este ataque e levar os responsáveis da sua autoria à justiça”, exige a AI, referindo que este episódio se segue a diversos outros casos de detenção e perseguição de jornalistas por “razões políticas”.

“Jornalistas, investigadores, académicos e outros que expressam opiniões críticas sobre o Governo moçambicano têm sido sujeitos a perseguição, intimidação, rapto e tortura nos últimos anos”, pode ler-se na nota.

A Amnistia sublinha que o ataque aconteceu quatro dias após a publicação de um artigo de investigação sobre um alegado processo de concurso pouco ético, envolvendo pessoas com ligações às esferas políticas e funcionários superiores do Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

O semanário publicou também, a 11 de março, um artigo intitulado “O negócio da guerra em Cabo Delgado”, referindo a existência de um contrato secreto e ilegal entre o Ministério da Defesa, o Ministério do Interior e as empresas de gás natural na província de Cabo Delgado. Segundo este artigo, os dois ministérios ofereciam serviços de segurança às empresas, mas os pagamentos pelos mesmos eram depositados na conta do então ministro da Defesa, Atanásio Salvador Ntumuke, em vez de isso ser feito na conta do Ministério.

 

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