
Pormenor da capa do guião da posse de D. José Cordeiro como arcebispo de Braga, em 12 de Fevereiro de 2022. Ilustração © José Santos.
Pouco depois do início da cerimónia de posse, que começa neste sábado, 12 de Fevereiro, às 15h45, na Sé de Braga, com a recepção do arcebispo eleito pelos membros do cabido da diocese, será cantado o Salmo 118: “A vossa palavra é o farol para os meus passos/ e luz para os meus caminhos. (…)/ Estou em grande aflição, Senhor (…)/ fazei-me viver, segundo a vossa palavra.” Após a oração de vésperas, serão lidas as cartas apostólicas e, a seguir, assinada a acta de posse do novo arcebispo de Braga. No final da cerimónia, D. José Cordeiro dará uma conferência de imprensa.
Nomeado pelo Papa para o cargo a 3 de Dezembro último (numa decisão antecipada pelo 7MARGENS), o novo arcebispo sucederá deste modo a D. Jorge Ortiga, assumindo formalmente o novo cargo numa cerimónia de acesso reservado. Para os crentes em geral – incluindo o Presidente da República, que estará presente – o acto principal será no domingo, às 16h, com a celebração da missa, depois do cortejo que, a partir das 15h30, descerá a Rua D. Gonçalo Pereira, a pé, até à Sé de Braga.
Quando foi nomeado, o novo arcebispo saudou a nova diocese manifestando a vontade de construir uma “Igreja em saída” missionária e “uma Igreja sinodal samaritana de portas abertas para todos”. E referia as atitudes de escuta, conversão, confiança, comunhão, coragem criativa e oração como “caminhos sempre a percorrer no processo sinodal para uma Igreja de hoje”.
Na mensagem, o novo arcebispo dirigia-se em concreto ao clero, congregações religiosas, leigos, movimentos católicos e jovens e ainda aos “doentes, reclusos, pobres, pessoas com deficiência, desempregados, migrantes, minorias étnicas e todos os mais velhos e mais sós que sofrem e vivem nas periferias existenciais e numa crescente globalização da indiferença”.
Do lema antigo ao novo Missal

José Cordeiro, arcebispo de Braga nomeado em 3 de Dezembro de 2021 e empossado em 12 de Fevereiro de 2022. Foto © DACS/Braga
Nascido em Angola, em 1967, José Cordeiro foi ordenado presbítero em 1991, pouco antes de se licenciar em Teologia na Universidade Católica. Especializou-se depois em Liturgia, no Ateneu Pontifício de Santo Anselmo, em Roma, concluindo o doutoramento em 2004 e assumindo os cargos de vice-reitor (2001) e reitor (2005) do Colégio Pontifício Português, na capital italiana.

Armas episcopais do novo arcebispo de Braga.
Precisamente a um antigo livro litúrgico, o Liber Ordinum episcopal de Silos, usado na ordenação presbiteral, foi o novo arcebispo de Braga buscar o seu lema episcopal: Ad docendum Christi Mysteria, ou seja, “Para mostrar os mistérios de Cristo”. “O ministério é, com efeito, para revelar a ‘economia do mistério’ (Ef 3, 9) e ‘anunciar com ousadia o mistério do evangelho’ (Ef 6, 19). O mesmo e único mistério, ‘Cristo no meio de vós, esperança da glória’ (Cl 1, 27).”
O novo arcebispo de Braga trabalhou recentemente também na conclusão da nova edição do Missal Romano, que entrará em vigor no próximo dia 14 de Abril, Quinta-Feira Santa, na sua qualidade de presidente da Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade.
A propósito, dizia D. José, em declarações à Família Cristã, que o novo texto que os católicos passarão a usar na liturgia, “além da fidelidade ao texto original, acrescenta a fidelidade à própria língua, cultura e à compreensão dos textos”. E acrescentava: “A minha fonte de espiritualidade e de vida é o Missal e a liturgia de cada dia, e assim deve ser para as famílias, porque tudo o que está ali é a Sagrada Escritura, é a Bíblia, interpretada e amadurecida pelos padres da Igreja, vários autores espirituais, e chegou esta torrente até nós, esta fonte inesgotável de vida e de graça.”









