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Saudade

Saudade

A saudade é a estranha penumbra desabotoada no gélido crepúsculo da memória. Acontece quando os odores se desfazem e os timbres deixam de ecoar;
essa é a saudade.

Olhares baços no horizonte baço

Excertos da Índia

Olhares baços no horizonte baço

É nas terras de horizonte baço que os direitos são mais negligenciados, pensava eu ao caminhar por ruas tranquilamente infernais numa tentativa de compreender o que via e sentia. Meninos descalços, sem nome. São meninos de olhos vazios e mão estendida. Porque me daria a vida sobras de afeto se a eles nada disso pode dar?

Olhares baços no horizonte baço

Tudo começa com uma metáfora

Li num livro de Milan Kundera que “as metáforas podem ser muito perigosas” e que “o amor começa sempre com uma metáfora”. Estas frases soam-me em eco desde então, não fosse o meu vocabulário um território manco onde a muleta de todas as horas são precisamente as metáforas.

Olhares baços no horizonte baço

Alma mutilada

Samuel caminhava dançante num jogo de toca e foge com a suave rebentação da extensa e espelhada beira-mar de Keri Beach. Entusiasmado com a chegada à nova cidade, discursava e gesticulava comparações entre as imensas praias por onde passara. O fiel Odara escutava-o ao longe, absorto no encantamento da devoradora paisagem. Caminhava a passos curtos e lentos, sentindo atentamente a incomum textura da areia que se lhe entranhava nos dedos dos pés a cada novo pisar

Olhares baços no horizonte baço

Carta de uma mãe ao mundo

Diz-se muito que os filhos servem para ensinar aos pais o amor incondicional. Acredito em parte. Realmente, os filhos vêm para que consigamos perceber a quantidade de amor que somos capazes de suportar cá dentro. O problema é que crescemos pouco treinados para lidar com essa expansão; e são poucos, aqueles que se entregam à real contemplação da natureza do amadurecimento do ser.

Olhares baços no horizonte baço

Saberei ser quem sou?

Que me fosse concedido o desejo de aquietar a consciência, aquele dom invejável dos sábios discretos;
às tantas, vivo cansada de uma mente desobediente a perturbar cada instante que a vida me dispõe.

Olhares baços no horizonte baço

A minha casa é a pele que visto

Os que amamos poderiam sempre demorar-se um pouco mais em nossos dias porque a saudade nunca estará preparada, deixaria de sê-lo; e jamais gavetas estarão vazias o suficiente para destinar amor ao esquecimento.

Olhares baços no horizonte baço

Arte de rua: amor e brilho no olhar

Ouvi, pela vida fora, incontáveis vezes a velha história da coragem, a mítica frase “eu não era capaz”; é claro que não, sempre que o preconceito se sobrepõe ao amor, não é possível ser-se capaz. Coragem?? Coragem eu precisaria para passar pela vida sem realizar os meus desejos, nesse louco trapézio entre doses paralelas de coragem e cobardia.

Saudade

Saudade

A saudade é a estranha penumbra desabotoada no gélido crepúsculo da memória. Acontece quando os odores se desfazem e os timbres deixam de ecoar;
essa é a saudade.

Olhares baços no horizonte baço

Excertos da Índia

Olhares baços no horizonte baço

É nas terras de horizonte baço que os direitos são mais negligenciados, pensava eu ao caminhar por ruas tranquilamente infernais numa tentativa de compreender o que via e sentia. Meninos descalços, sem nome. São meninos de olhos vazios e mão estendida. Porque me daria a vida sobras de afeto se a eles nada disso pode dar?

Olhares baços no horizonte baço

Tudo começa com uma metáfora

Li num livro de Milan Kundera que “as metáforas podem ser muito perigosas” e que “o amor começa sempre com uma metáfora”. Estas frases soam-me em eco desde então, não fosse o meu vocabulário um território manco onde a muleta de todas as horas são precisamente as metáforas.

Olhares baços no horizonte baço

Alma mutilada

Samuel caminhava dançante num jogo de toca e foge com a suave rebentação da extensa e espelhada beira-mar de Keri Beach. Entusiasmado com a chegada à nova cidade, discursava e gesticulava comparações entre as imensas praias por onde passara. O fiel Odara escutava-o ao longe, absorto no encantamento da devoradora paisagem. Caminhava a passos curtos e lentos, sentindo atentamente a incomum textura da areia que se lhe entranhava nos dedos dos pés a cada novo pisar

Olhares baços no horizonte baço

Carta de uma mãe ao mundo

Diz-se muito que os filhos servem para ensinar aos pais o amor incondicional. Acredito em parte. Realmente, os filhos vêm para que consigamos perceber a quantidade de amor que somos capazes de suportar cá dentro. O problema é que crescemos pouco treinados para lidar com essa expansão; e são poucos, aqueles que se entregam à real contemplação da natureza do amadurecimento do ser.

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Saberei ser quem sou?

Que me fosse concedido o desejo de aquietar a consciência, aquele dom invejável dos sábios discretos;
às tantas, vivo cansada de uma mente desobediente a perturbar cada instante que a vida me dispõe.

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Acordamos e consultamos as notícias e fica a impressão que o mundo está muito desarrumado e que somos impotentes para o modificar; que pouco podemos fazer contra a ideologia  trumpista, putinista e xijinpinguista – que mistura consumismo e força bruta: preciso de poder comprar o que quero e, se não puder comprar, posso tomá-lo à força. A propaganda alcança o seu fim quando já dispensamos o propagandista e passamos nós próprios a repeti-la. [Texto de Mendo Castro Henriques].

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