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Sou uma mulher comum, mas estou viva

Sou uma mulher comum, mas estou viva

  Alivia-me o facto de saber que sou uma mulher comum... uma daquelas cuja submissão à normalidade alegra. Sou uma mulher comum, “Ah, que alívio!”... Sou uma mulher comum dentro de casa e dentro da vida... lavo a loiça e a roupa, zango-me com a minha filha por...

Sou uma mulher comum, mas estou viva

Não quero senão

Se aos olhos de alguém transpareço / noutros sorrisos me encontro / aprendi a voar nos abismos / da alma humana inacabada / entristecida de arrogâncias / falácias perpétuas sem rosto

Sou uma mulher comum, mas estou viva

A leveza da razão

Nunca ninguém irá mudar o mundo, o mundo está em permanente mutação por si só e cada um de nós mudando com ele. A única coisa que podemos efetivamente mudar é a nossa visão e consciência do mesmo. Num livro que reúne correspondência entre Gandhi e Tolstoi, este último alegava que a única permanência era a da controvérsia.

Sou uma mulher comum, mas estou viva

Sacudir a caspa dos ombros

Na rua sobrevive-se; como se a sobrevivência fosse causa imposta pela própria indignidade da condição humana. Reparem bem: – Meus queridos homens e mulheres, meninos e meninas, peçam licença para ocupar o mundo, mundo esse que por acaso não se lembrou de ter espaço para todos os que vê nascer.

Um livro da rua e do 7Margens

Crónicas de Ana Sofia Brito

Um livro da rua e do 7Margens

É um livro que começou no primeiro confinamento ditado pela pandemia, em Março de 2020. Ana Sofia Brito aproveitou os dias sem sair de casa para vasculhar todos os seus cadernos e papéis. Rasgou muito do que lhe entulhava as gavetas, mas também aproveitou muito – nas suas palavras, o que achava decente. O convite para escrever para o 7MARGENS e o encorajamento aí recebido levaram à ideia de um livro.

Sou uma mulher comum, mas estou viva

A dançarina em dezembro

A menina dança em dezembro para aquecer a alma. Dezembro é a dança melodiosa que ilumina a árdua coreografia do resto do tempo. O seu peito trémulo e arquejante espreita ousado para dentro das casas onde lareiras ardem a deitar cheiro, a menina imagina que é os outros meninos no aconchego dos agasalhos, cheios de pai e mãe, cheios de jantar e luz. 

Sou uma mulher comum, mas estou viva

Confesso que morro…

Confesso que morro. Morro em semblantes irresgatáveis, gestos pardos em quedas sinistramente abruptas. Morri nas entranhas da minha mãe quando fui cuspida ao mundo e hei-de morrer no louco abismo desse voo.

Sou uma mulher comum, mas estou viva

Sou uma mulher comum, mas estou viva

  Alivia-me o facto de saber que sou uma mulher comum... uma daquelas cuja submissão à normalidade alegra. Sou uma mulher comum, “Ah, que alívio!”... Sou uma mulher comum dentro de casa e dentro da vida... lavo a loiça e a roupa, zango-me com a minha filha por...

Sou uma mulher comum, mas estou viva

Não quero senão

Se aos olhos de alguém transpareço / noutros sorrisos me encontro / aprendi a voar nos abismos / da alma humana inacabada / entristecida de arrogâncias / falácias perpétuas sem rosto

Sou uma mulher comum, mas estou viva

A leveza da razão

Nunca ninguém irá mudar o mundo, o mundo está em permanente mutação por si só e cada um de nós mudando com ele. A única coisa que podemos efetivamente mudar é a nossa visão e consciência do mesmo. Num livro que reúne correspondência entre Gandhi e Tolstoi, este último alegava que a única permanência era a da controvérsia.

Sou uma mulher comum, mas estou viva

Sacudir a caspa dos ombros

Na rua sobrevive-se; como se a sobrevivência fosse causa imposta pela própria indignidade da condição humana. Reparem bem: – Meus queridos homens e mulheres, meninos e meninas, peçam licença para ocupar o mundo, mundo esse que por acaso não se lembrou de ter espaço para todos os que vê nascer.

Um livro da rua e do 7Margens

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Um livro da rua e do 7Margens

É um livro que começou no primeiro confinamento ditado pela pandemia, em Março de 2020. Ana Sofia Brito aproveitou os dias sem sair de casa para vasculhar todos os seus cadernos e papéis. Rasgou muito do que lhe entulhava as gavetas, mas também aproveitou muito – nas suas palavras, o que achava decente. O convite para escrever para o 7MARGENS e o encorajamento aí recebido levaram à ideia de um livro.

Sou uma mulher comum, mas estou viva

A dançarina em dezembro

A menina dança em dezembro para aquecer a alma. Dezembro é a dança melodiosa que ilumina a árdua coreografia do resto do tempo. O seu peito trémulo e arquejante espreita ousado para dentro das casas onde lareiras ardem a deitar cheiro, a menina imagina que é os outros meninos no aconchego dos agasalhos, cheios de pai e mãe, cheios de jantar e luz. 

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