Opinião
Opinião
[Sete Partidas]
A sala vermelha
É sempre uma incógnita. Ao marcar o código da porta nunca sei como vão correr aquelas conversas. Trata-se de doença, de prosseguir ou não com o diagnóstico. De limitação de cuidados. De morte. Mas também de qualidade de vida, de controlo de sintomas, de acompanhamento, de aceitação. [Texto de Inês Patrício, Berlim]
Trabalho nunca será fácil
Esta semana, enquanto despia a farda, para regressar a casa depois do dia de trabalho, subitamente assaltou-me uma ideia “a minha vida profissional nunca vai ficar fácil”. Incomodou-me o pensamento. Felizmente ninguém se cruzou comigo, saí e pude caminhar à sombra, até ao próximo “a fazer” do dia. As palavras, primeiro de sabor azedo, foram fazendo o caminho comigo. Dispersas e intrigantes. [Texto de Inês Patrício, Berlim]
House, de Amos Gitai
O meu terceiro post sobre os “Reflexos e Reflexões”, que decorreram na semana passada no âmbito dos Berliner Festspiele, é sobre a peça de teatro “House”, que vi no domingo. Ao longo de um quarto de século, o realizador israelita Amos Gitai filmou as pessoas de uma casa centenária em Jerusalém Ocidental, na rua Dor Dor ve Dorshav, que significa algo como “cada geração interpreta à sua maneira”. [Texto de Helena Araújo]
“O 7 de outubro, a guerra em Gaza e as sombras da Shoah e da Nakba”
O último dia de “Reflexos e Reflexões” prometia uma tarde bem preenchida: o debate sobre “o 7 de outubro, a guerra em Gaza e as sombras da Shoah e da Nakba”, e a peça de teatro “House”, de Amos Gitai, pelo teatro La Colline. Aqui deixo uma síntese do debate, que tentei fazer com a maior fidedignidade possível, a partir dos apontamentos que fui tomando (era proibido tirar fotografias ou fazer gravações, para garantir que todos se sentiam mais livres para falar). [Texto de Helena Araújo]
Contra as trincheiras, o riso
Por estes dias, decorre em Berlim a iniciativa “Reflexos e Reflexões”, que Saba-Nur Cheema e Meron Mendel, dois autores e activistas do diálogo entre judeus e muçulmanos, começaram a programar já em janeiro de 2024, no âmbito dos Berliner Festspiele. O objectivo é proporcionar debates com espaço para nuances, como forma de resistir ao processo de entrincheiramento que o 7 de Outubro e a guerra de Gaza estão a provocar na sociedade alemã. [Texto de Helena Araújo]
Irritações e sol na cara
“Todos os dias têm muito para correr mal, sim. Mas pode-se passar pela vida irritado? Apitos e palavras desagradáveis, respirações impacientes, sempre com o “não posso mais” na boca.” – A crónica de Inês Patrício, a partir de Berlim
Hospitalidade, foco e atenção
Numa entrevista a Tolentino Mendonça ouvi uma palavra que, não sei bem porquê, não ouvia, ou não pensava, há muito tempo. Hospitalidade. “Modo generoso e afável de receber ou tratar alguém.” Assim diz o dicionário Priberam. A palavra ficou. Anda aqui por dentro, “da cabeça para o coração e do coração para a cabeça”.
Por quem os sinos dobram
Nas férias da passagem de ano li Não Terão o Meu Ódio, o diário que Antoine Leiris escreveu nos dias que se seguiram ao ataque ao Bataclan [em Paris], onde perdeu a sua companheira. O quotidiano subitamente rasgado pela violência. As coisas simples: a hora do banho do filhinho, as papas que as mães de outras crianças do infantário preparavam para o bebé, os vestígios da existência da companheira no cheiro das coisas espalhadas pela casa, nos rituais. E em tudo, para sempre: a sua ausência. [Texto de Helena Araújo]
O pequeno Deus da partida
Lá fora, lá bem longe, há um destino que me aguarda. Algures nos confins da África continental, 43 graus à sombra darão lugar à geada que agora me conforta. Como em outras ocasiões, seguir-se-ão os encontros de fato-e-gravata. Os confrontos e entendimentos que, esperamos, ajudem as vidas de milhões de mulheres e crianças. Hoje entregues à crueldade de uma morte extemporânea, anunciada nas folhas de excel sem emoção. [Texto de Luís Pinto]
Trabalho nunca será fácil
Esta semana, enquanto despia a farda, para regressar a casa depois do dia de trabalho, subitamente assaltou-me uma ideia “a minha vida profissional nunca vai ficar fácil”. Incomodou-me o pensamento. Felizmente ninguém se cruzou comigo, saí e pude caminhar à sombra, até ao próximo “a fazer” do dia. As palavras, primeiro de sabor azedo, foram fazendo o caminho comigo. Dispersas e intrigantes. [Texto de Inês Patrício, Berlim]
House, de Amos Gitai
O meu terceiro post sobre os “Reflexos e Reflexões”, que decorreram na semana passada no âmbito dos Berliner Festspiele, é sobre a peça de teatro “House”, que vi no domingo. Ao longo de um quarto de século, o realizador israelita Amos Gitai filmou as pessoas de uma casa centenária em Jerusalém Ocidental, na rua Dor Dor ve Dorshav, que significa algo como “cada geração interpreta à sua maneira”. [Texto de Helena Araújo]
“O 7 de outubro, a guerra em Gaza e as sombras da Shoah e da Nakba”
O último dia de “Reflexos e Reflexões” prometia uma tarde bem preenchida: o debate sobre “o 7 de outubro, a guerra em Gaza e as sombras da Shoah e da Nakba”, e a peça de teatro “House”, de Amos Gitai, pelo teatro La Colline. Aqui deixo uma síntese do debate, que tentei fazer com a maior fidedignidade possível, a partir dos apontamentos que fui tomando (era proibido tirar fotografias ou fazer gravações, para garantir que todos se sentiam mais livres para falar). [Texto de Helena Araújo]
Contra as trincheiras, o riso
Por estes dias, decorre em Berlim a iniciativa “Reflexos e Reflexões”, que Saba-Nur Cheema e Meron Mendel, dois autores e activistas do diálogo entre judeus e muçulmanos, começaram a programar já em janeiro de 2024, no âmbito dos Berliner Festspiele. O objectivo é proporcionar debates com espaço para nuances, como forma de resistir ao processo de entrincheiramento que o 7 de Outubro e a guerra de Gaza estão a provocar na sociedade alemã. [Texto de Helena Araújo]
Irritações e sol na cara
“Todos os dias têm muito para correr mal, sim. Mas pode-se passar pela vida irritado? Apitos e palavras desagradáveis, respirações impacientes, sempre com o “não posso mais” na boca.” – A crónica de Inês Patrício, a partir de Berlim
Hospitalidade, foco e atenção
Numa entrevista a Tolentino Mendonça ouvi uma palavra que, não sei bem porquê, não ouvia, ou não pensava, há muito tempo. Hospitalidade. “Modo generoso e afável de receber ou tratar alguém.” Assim diz o dicionário Priberam. A palavra ficou. Anda aqui por dentro, “da cabeça para o coração e do coração para a cabeça”.
Por quem os sinos dobram
Nas férias da passagem de ano li Não Terão o Meu Ódio, o diário que Antoine Leiris escreveu nos dias que se seguiram ao ataque ao Bataclan [em Paris], onde perdeu a sua companheira. O quotidiano subitamente rasgado pela violência. As coisas simples: a hora do banho do filhinho, as papas que as mães de outras crianças do infantário preparavam para o bebé, os vestígios da existência da companheira no cheiro das coisas espalhadas pela casa, nos rituais. E em tudo, para sempre: a sua ausência. [Texto de Helena Araújo]
O pequeno Deus da partida
Lá fora, lá bem longe, há um destino que me aguarda. Algures nos confins da África continental, 43 graus à sombra darão lugar à geada que agora me conforta. Como em outras ocasiões, seguir-se-ão os encontros de fato-e-gravata. Os confrontos e entendimentos que, esperamos, ajudem as vidas de milhões de mulheres e crianças. Hoje entregues à crueldade de uma morte extemporânea, anunciada nas folhas de excel sem emoção. [Texto de Luís Pinto]
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