Quando uma guerra se instala – seja em que parte for – falhamos todos. Falhamos enquanto espécie. Falhamos por acreditar que vivemos em linha recta quando negligenciamos a evidência dos ciclos.
Quando uma guerra se instala – seja em que parte for – falhamos todos. Falhamos enquanto espécie. Falhamos por acreditar que vivemos em linha recta quando negligenciamos a evidência dos ciclos.
A Garota é um fenómeno que nos resgata meia esperança do fundo do poço. Não se trata do Globo (mero objecto), trata-se de um povo rendido a uma mulher que fascina pelo pensamento, que fala dos abusos sem rédeas e sem vergonhas.
A cidade está em festa. As luzes banham histéricas o céu anoitecido sobre a dança comum. Os senhores de fatos, os feitores – os grandes feitores – sobem ao palco, como se de um altar se tratasse, para a habitual gabarolice. E o povo dança entre os aplausos enquanto o artista exibe os dotes, de boca colada ao microfone e acordeão rente ao peito.
Desde sempre que engenho esquemas para camuflar a timidez; acho que me tenho saído bem, ninguém desconfia. Ontem à noite uma simpática senhora aproximou-se do meu colega, sem reparar que eu estava logo atrás, e disse-lhe para dar os parabéns à menina do fogo, que gostou muito do espetáculo mas que a achava antipática, que fugia logo e nem sequer ficava um bocadinho ali no final a dar atenção ao público.
Há dias, na minha oração, pedi à avó que pusesse mais um prato na mesa do céu porque nos mentem quando nos ensinam que a esperança é a última a morrer – mas que grande mentira. Acreditei até que a esperança só morria depois de morta, mas é o contrário. A esperança morre assim que nasce.
A noite é dia para tanta gente; até para mim, amante de manhãs cedo e despertares preguiçosos. Mas foi a madrugada que me escolheu a profissão; as paredes negras, as luzes de fundo a desmentir o escuro das pistas, o fumo a fingir-se de nuvem como que para esconder quem dança mal, e a música alta, ah… altíssima como se de um bando de surdos se tratasse, em plena pista.
Quis a princesa Gilda que nevasse no Algarve e os árabes embelezaram os campos com flores de amendoeira. O céu ao fundo, espelhava a suave transparência da casa dos peixes plantados por Deus. Depois os peixes e as amêndoas encheram as alfaias nos caminhos da sobrevivência. Os séculos, sempre os séculos pendurados nas asas das andorinhas.
De alma e olhos postos no horizonte, a mulher estendia a roupa nas cordas da varanda caiada frente ao mar. Estranho foi, nesse dia, não se avistar ainda o aceno aliviado dos homens, como de costume àquela hora.
Quando uma guerra se instala – seja em que parte for – falhamos todos. Falhamos enquanto espécie. Falhamos por acreditar que vivemos em linha recta quando negligenciamos a evidência dos ciclos.
A Garota é um fenómeno que nos resgata meia esperança do fundo do poço. Não se trata do Globo (mero objecto), trata-se de um povo rendido a uma mulher que fascina pelo pensamento, que fala dos abusos sem rédeas e sem vergonhas.
A cidade está em festa. As luzes banham histéricas o céu anoitecido sobre a dança comum. Os senhores de fatos, os feitores – os grandes feitores – sobem ao palco, como se de um altar se tratasse, para a habitual gabarolice. E o povo dança entre os aplausos enquanto o artista exibe os dotes, de boca colada ao microfone e acordeão rente ao peito.
Desde sempre que engenho esquemas para camuflar a timidez; acho que me tenho saído bem, ninguém desconfia. Ontem à noite uma simpática senhora aproximou-se do meu colega, sem reparar que eu estava logo atrás, e disse-lhe para dar os parabéns à menina do fogo, que gostou muito do espetáculo mas que a achava antipática, que fugia logo e nem sequer ficava um bocadinho ali no final a dar atenção ao público.
Há dias, na minha oração, pedi à avó que pusesse mais um prato na mesa do céu porque nos mentem quando nos ensinam que a esperança é a última a morrer – mas que grande mentira. Acreditei até que a esperança só morria depois de morta, mas é o contrário. A esperança morre assim que nasce.
A noite é dia para tanta gente; até para mim, amante de manhãs cedo e despertares preguiçosos. Mas foi a madrugada que me escolheu a profissão; as paredes negras, as luzes de fundo a desmentir o escuro das pistas, o fumo a fingir-se de nuvem como que para esconder quem dança mal, e a música alta, ah… altíssima como se de um bando de surdos se tratasse, em plena pista.
Quis a princesa Gilda que nevasse no Algarve e os árabes embelezaram os campos com flores de amendoeira. O céu ao fundo, espelhava a suave transparência da casa dos peixes plantados por Deus. Depois os peixes e as amêndoas encheram as alfaias nos caminhos da sobrevivência. Os séculos, sempre os séculos pendurados nas asas das andorinhas.
De alma e olhos postos no horizonte, a mulher estendia a roupa nas cordas da varanda caiada frente ao mar. Estranho foi, nesse dia, não se avistar ainda o aceno aliviado dos homens, como de costume àquela hora.
"História da Luz: Arte e Visão"
A luz que ainda nos guiaDadas as raízes antropológicas comuns da arte e da religião, tudo indica que as artes terão acompanhado desde os seus primórdios as tendências devocionais dos povos, e nesse sentido, desde tempos imemoriais que a arte testemunha e regista os fenómenos luminosos como uma das principais metáforas da transcendência. [Texto de Sílvia Pinto].
Fundada em 1967
Universidade Católica celebra 60 anos com líderes mundiais e grandes debates sobre o futuroAngela Merkel, Paul Tighe, Michael O’Flaherty e Paul Richard Gallagher estão entre as personalidades que vão passar pela Universidade Católica Portuguesa (UCP) no âmbito das comemorações dos seus 60 anos, que arrancam este ano e se prolongam ao longo de 2027. Inteligência artificial, direitos humanos, geopolítica, desenvolvimento económico e longevidade serão alguns dos temas em debate.
[Entre Margens]
De Jesus ao cristianismo: como nasceu uma religiãoDurante séculos, habituámo-nos a pensar em Jesus como o fundador do cristianismo. A associação parece tão evidente que raramente a questionamos. Mas terá Jesus de Nazaré pretendido fundar uma nova religião? Ou terá o cristianismo surgido de um processo histórico muito mais longo e complexo do que habitualmente imaginamos? [Texto de Dália Fernandes].
Crise da habitação
CNJP exige distribuição dos bens existentes e mobilização do património da IgrejaReagindo às “acampadas” e outras manifestações que vieram colocar a questão da habitação na ordem do dia, a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) divulgou esta sexta-feira, 30 de outubro, um comunicado em que exige que “o debate sobre a escassez de casas – em que é dever do Governo e de todos os partidos participarem – deve, antes de mais, conduzir à definição de critérios para a distribuição dos bens disponíveis”.
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