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Artigos de Inês Patrício, Berlim
Trabalho nunca será fácil

Trabalho nunca será fácil

Esta semana, enquanto despia a farda, para regressar a casa depois do dia de trabalho, subitamente assaltou-me uma ideia “a minha vida profissional nunca vai ficar fácil”. Incomodou-me o pensamento. Felizmente ninguém se cruzou comigo, saí e pude caminhar à sombra, até ao próximo “a fazer” do dia. As palavras, primeiro de sabor azedo, foram fazendo o caminho comigo. Dispersas e intrigantes. [Texto de Inês Patrício, Berlim]

Irritações e sol na cara

Irritações e sol na cara

“Todos os dias têm muito para correr mal, sim. Mas pode-se passar pela vida irritado? Apitos e palavras desagradáveis, respirações impacientes, sempre com o “não posso mais” na boca.” – A crónica de Inês Patrício, a partir de Berlim

Hospitalidade, foco e atenção

Hospitalidade, foco e atenção

Numa entrevista a Tolentino Mendonça ouvi uma palavra que, não sei bem porquê, não ouvia, ou não pensava, há muito tempo. Hospitalidade. “Modo generoso e afável de receber ou tratar alguém.” Assim diz o dicionário Priberam. A palavra ficou. Anda aqui por dentro, “da cabeça para o coração e do coração para a cabeça”.

A doença e a culpa

A doença e a culpa

A culpa. Em Portugal aprende-se, desde a infância, “a culpa”. Uma culpa tem de ser atribuída. “A culpa não pode morrer solteira”, diz-se, alterando o provérbio. Surge quase sempre uma explicação que arruma, de preferência, o assunto. Infelizmente, mais que explicação, geralmente é uma opinião. De graça, não pedida, não reflectida, pouco discutida. (Inês Patrício, Berlim).

A Beleza e a Sobriedade

A Beleza e a Sobriedade

Ouvi Mujica, que passou mais de 10 anos preso numa solitária, 7 anos sem poder ler um livro. Tendo tido muito tempo para pensar, concluiu: “ou somos felizes com pouco, com pouca bagagem, pois a felicidade está dentro de nós, ou não conseguimos nada. “ Ele acrescentou, “Isto não é a apologia da pobreza, mas a apologia da sobriedade. (Inês Patrício, Berlim)

Uma janela

Uma janela

Uma janela, na nossa casa, lembra-me sempre que o tempo não passa tão depressa como parece. As estações demoram-se nas folhas, nas suas cores ou na sua completa ausência. Esta janela lembra-me sempre uma família muito querida que vive em Lisboa e que também tem janelas-árvores. (Texto de Inês Patrício, médica, vive em Berlim com o marido de olhos de mar e uma filha solar.)

Aprender

Aprender

Nos seus cinco anos pediu, de repente, que parássemos o carro. Parámos no meio do trânsito. Saímos as duas. Ela começou a chorar. À nossa volta ruído e confusão. Caminhámos. Ela só disse que não se sentia bem. Sei que não fala ao acaso. Não quer falar ao acaso. Precisa de tempo. Por isso caminhámos as duas. — a crónica de Inês Patrício

Boa educação

Boa educação

No programa “Fugiram de casa de seus pais”, a convidada era Rita Blanco. Desde então volto, internamente, àquele tema. A Rita Blanco defendia a educação como a coisa mais importante. Não a educação formal, a boa educação. O Miguel Esteves Cardoso, concordando, dizia que se tivéssemos boa educação, no sentido de pensar nos outros e querer que os outros se sintam bem, a maior parte dos nossos problemas estariam resolvidos.

Trabalho nunca será fácil

Trabalho nunca será fácil

Esta semana, enquanto despia a farda, para regressar a casa depois do dia de trabalho, subitamente assaltou-me uma ideia “a minha vida profissional nunca vai ficar fácil”. Incomodou-me o pensamento. Felizmente ninguém se cruzou comigo, saí e pude caminhar à sombra, até ao próximo “a fazer” do dia. As palavras, primeiro de sabor azedo, foram fazendo o caminho comigo. Dispersas e intrigantes. [Texto de Inês Patrício, Berlim]

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“Todos os dias têm muito para correr mal, sim. Mas pode-se passar pela vida irritado? Apitos e palavras desagradáveis, respirações impacientes, sempre com o “não posso mais” na boca.” – A crónica de Inês Patrício, a partir de Berlim

Hospitalidade, foco e atenção

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Numa entrevista a Tolentino Mendonça ouvi uma palavra que, não sei bem porquê, não ouvia, ou não pensava, há muito tempo. Hospitalidade. “Modo generoso e afável de receber ou tratar alguém.” Assim diz o dicionário Priberam. A palavra ficou. Anda aqui por dentro, “da cabeça para o coração e do coração para a cabeça”.

A doença e a culpa

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A culpa. Em Portugal aprende-se, desde a infância, “a culpa”. Uma culpa tem de ser atribuída. “A culpa não pode morrer solteira”, diz-se, alterando o provérbio. Surge quase sempre uma explicação que arruma, de preferência, o assunto. Infelizmente, mais que explicação, geralmente é uma opinião. De graça, não pedida, não reflectida, pouco discutida. (Inês Patrício, Berlim).

A Beleza e a Sobriedade

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Ouvi Mujica, que passou mais de 10 anos preso numa solitária, 7 anos sem poder ler um livro. Tendo tido muito tempo para pensar, concluiu: “ou somos felizes com pouco, com pouca bagagem, pois a felicidade está dentro de nós, ou não conseguimos nada. “ Ele acrescentou, “Isto não é a apologia da pobreza, mas a apologia da sobriedade. (Inês Patrício, Berlim)

Uma janela

Uma janela

Uma janela, na nossa casa, lembra-me sempre que o tempo não passa tão depressa como parece. As estações demoram-se nas folhas, nas suas cores ou na sua completa ausência. Esta janela lembra-me sempre uma família muito querida que vive em Lisboa e que também tem janelas-árvores. (Texto de Inês Patrício, médica, vive em Berlim com o marido de olhos de mar e uma filha solar.)

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Nos seus cinco anos pediu, de repente, que parássemos o carro. Parámos no meio do trânsito. Saímos as duas. Ela começou a chorar. À nossa volta ruído e confusão. Caminhámos. Ela só disse que não se sentia bem. Sei que não fala ao acaso. Não quer falar ao acaso. Precisa de tempo. Por isso caminhámos as duas. — a crónica de Inês Patrício

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