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Artigos de Luís Soares Barbosa
Gato por lebre

Gato por lebre

Foi Churchill quem escreveu, em 1933, a propósito do genocídio arménio “a História procurará em vão a palavra Arménia”.  Exprimia assim a sua decepção com o Tratado de Lausanne que, ao firmar a paz com a Turquia, diplomaticamente apagara a referência a esse que foi o primeiro Holocausto do século XX. Decepção não apenas com o texto do Tratado, mas com o manto de esquecimento propositadamente vertido sobre a História em nome de cínicos interesses comerciais e geopolíticos. [Texto de Luís Soares Barbosa]

Gato por lebre

Apontamento sobre a necessidade de ver claro

Sejamos claros: Cada vida conta. Todas as vidas contam. Não há vidas melhores ou piores. Não as há certas ou erradas. Nada justifica a sua supressão. Seja numa manifestação cruel de desespero e impotência. Seja às mãos de um estado terrorista que, desde há anos, a morte serve e, diligente, a organiza e a propaga.

Gato por lebre

Não chega já?

A organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e o bispo que a coordena receberam no passado dia 11 uma delegação do Chega. Publicou nas redes sociais o acontecimento sem qualquer nota crítica. Permitiu que o líder desse partido descerrasse uma placa comemorativa em algum muro (da desmemória?) das Jornadas.

Que nem para morrer há um lugar

Maria Ondina Braga, 100 anos

Que nem para morrer há um lugar

Em 2016 publiquei um pequeno roteiro para uma fotobiografia da Maria Ondina Braga, a minha querida tia Ondina, cujo título – e fico só e falo com as sombras – era uma expressão da própria em carta a um amigo próximo, corria então veloz a década de setenta. Mais que um desabafo, uma constatação. A sua vida assim. O resto um sobejo inútil.

para o Fernando Echevarría, mas não à sua memória

Na morte do poeta

para o Fernando Echevarría, mas não à sua memória

Conheci o Fernando Echevarría há alguns anos quando juntos animámos no Metanoia uma sessão sobre os nomes de Deus que a poesia enuncia em nós, ou não, ou só. Da sua sala sobre o rio aberta recordo cada gesto afável, a tenaz humildade de quem um dia disse, e fez, e um campo escolheu e o lavrou. Mas sobretudo uma orelha enorme suspensa sobre a tarde, à escuta do que talvez não fale.

Lavou-nos a Cruz os olhos, enxugou-os o túmulo vazio

Lavou-nos a Cruz os olhos, enxugou-os o túmulo vazio

O Sábado antecipa o despertar de Domingo de Páscoa. A cruz lavou-nos os olhos, enxugados pelo túmulo vazio. Uma proposta de meditação pascal, a partir de dois poemas de Luís Soares Barbosa.   DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO O próprio caminho veio ao teu encontro e te...

E se confinássemos?

E se confinássemos?

Inclinado, como é meu hábito, a confiar nas explicações científicas, e até mesmo na humilde incerteza que toda a séria certeza tem, aceito, evidentemente, que estamos a percorrer o caminho mais seguro para limitar a tragédia e assegurar, tanto quanto possível é prever, uma evolução favorável. Igualmente convicto da boa-fé, rectidão de motivos e sentido do serviço público de quem, em tempos tão difíceis, tem conduzido o país, não me resta qualquer paciência para opiniões avulsas ou teorias da conspiração.

Mais tempo não é mais eternidade: evocação do padre Alberto Azevedo, nos 10 anos da sua morte

Mais tempo não é mais eternidade: evocação do padre Alberto Azevedo, nos 10 anos da sua morte

A primeira imagem que guardo do padre Azevedo, à entrada do Liceu Sá de Miranda, teria eu 13 ou 14 anos, é de um homem franzino, num fato preto, com chapéu, um cigarro eternamente aceso entre os dedos longos. Sentava-se, olhava-nos de frente, com um genuíno interesse e atenção (a adolescência possui antenas longas para detectar este tipo de pessoas), ouvia-nos, respondia-nos sempre com outras perguntas. No fim das aulas convidava-nos para um café, pagava-nos um bolo no Viana, e a conversa fluía pela tarde dentro.

Gato por lebre

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Foi Churchill quem escreveu, em 1933, a propósito do genocídio arménio “a História procurará em vão a palavra Arménia”.  Exprimia assim a sua decepção com o Tratado de Lausanne que, ao firmar a paz com a Turquia, diplomaticamente apagara a referência a esse que foi o primeiro Holocausto do século XX. Decepção não apenas com o texto do Tratado, mas com o manto de esquecimento propositadamente vertido sobre a História em nome de cínicos interesses comerciais e geopolíticos. [Texto de Luís Soares Barbosa]

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Sejamos claros: Cada vida conta. Todas as vidas contam. Não há vidas melhores ou piores. Não as há certas ou erradas. Nada justifica a sua supressão. Seja numa manifestação cruel de desespero e impotência. Seja às mãos de um estado terrorista que, desde há anos, a morte serve e, diligente, a organiza e a propaga.

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Que nem para morrer há um lugar

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Em 2016 publiquei um pequeno roteiro para uma fotobiografia da Maria Ondina Braga, a minha querida tia Ondina, cujo título – e fico só e falo com as sombras – era uma expressão da própria em carta a um amigo próximo, corria então veloz a década de setenta. Mais que um desabafo, uma constatação. A sua vida assim. O resto um sobejo inútil.

para o Fernando Echevarría, mas não à sua memória

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Conheci o Fernando Echevarría há alguns anos quando juntos animámos no Metanoia uma sessão sobre os nomes de Deus que a poesia enuncia em nós, ou não, ou só. Da sua sala sobre o rio aberta recordo cada gesto afável, a tenaz humildade de quem um dia disse, e fez, e um campo escolheu e o lavrou. Mas sobretudo uma orelha enorme suspensa sobre a tarde, à escuta do que talvez não fale.

Lavou-nos a Cruz os olhos, enxugou-os o túmulo vazio

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Inclinado, como é meu hábito, a confiar nas explicações científicas, e até mesmo na humilde incerteza que toda a séria certeza tem, aceito, evidentemente, que estamos a percorrer o caminho mais seguro para limitar a tragédia e assegurar, tanto quanto possível é prever, uma evolução favorável. Igualmente convicto da boa-fé, rectidão de motivos e sentido do serviço público de quem, em tempos tão difíceis, tem conduzido o país, não me resta qualquer paciência para opiniões avulsas ou teorias da conspiração.

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