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Artigos de Rui Santiago
Quando a “realidade” é um pormenor ou um exagero

[Margem 8]

Quando a “realidade” é um pormenor ou um exagero

Uns rublos depois – uns dias depois, queria eu dizer – apareceu por lá uma maquinaria pesada, um daqueles rolos a alisar a terra. E adeusinho. Passou uma semana e mais outra sem que o alcatrão chegasse. Voltou lá ao gabinete o meu confrade. “Sim, sim, já está alcatroada. Olhe aqui.” E foi-lhe mostrado um mapa todo apresentável em que se via o milagre.

De uma bomba saiu uma casa

[Margem 8]

De uma bomba saiu uma casa

Valentín Cueto. Fica já o nome dele, à falta de melhor começo para uma história das que merece mais do que “era uma vez”.

homens que são como a negação das estratégias

[D, de Daniel]

homens que são como a negação das estratégias

Gostava de poder perguntar ao Daniel o lado pelo qual ler este verso. Ouço-lhe o timbre da voz ao escrever esta frase. Perguntava-lhe se era a negação das estratégias que liberta os homens e os cola ao ritmo mineral e vegetal que há nas coisas, ou se era a negação das estratégias que fazem as coisas funcionar.

há uma voz que bebo

[D, de Daniel]

há uma voz que bebo

Viajo para uma voz que escorre como um lado aberto, uma boca como uma abertura de lança, quer dizer, lugar directo ao coração, degrau onde ajoelhamos por ter chegado à nascente. Sou de um sítio em que a água era de colher: “Vai colher água à fraga”, foi um dos mandamentos aprendidos na infância. E eu fazia como vira fazer: a fraga era uma pedra grande mas humilde diante da qual o corpo se movia à oração.

e agora sei que oiço as coisas devagar

[D, de Daniel]

e agora sei que oiço as coisas devagar

Para isto me abeirei da poesia, para o duplo milagre do vagar e da escuta. Preciso do silêncio de que é feito o poema, o branco da página a céu aberto. E da palavra ponderada, arredondada na boca antes de ser escrita, húmida ainda de saliva e sangue. E luminosa como uma janela oriental.

Quando a “realidade” é um pormenor ou um exagero

[Margem 8]

Quando a “realidade” é um pormenor ou um exagero

Uns rublos depois – uns dias depois, queria eu dizer – apareceu por lá uma maquinaria pesada, um daqueles rolos a alisar a terra. E adeusinho. Passou uma semana e mais outra sem que o alcatrão chegasse. Voltou lá ao gabinete o meu confrade. “Sim, sim, já está alcatroada. Olhe aqui.” E foi-lhe mostrado um mapa todo apresentável em que se via o milagre.

De uma bomba saiu uma casa

[Margem 8]

De uma bomba saiu uma casa

Valentín Cueto. Fica já o nome dele, à falta de melhor começo para uma história das que merece mais do que “era uma vez”.

homens que são como a negação das estratégias

[D, de Daniel]

homens que são como a negação das estratégias

Gostava de poder perguntar ao Daniel o lado pelo qual ler este verso. Ouço-lhe o timbre da voz ao escrever esta frase. Perguntava-lhe se era a negação das estratégias que liberta os homens e os cola ao ritmo mineral e vegetal que há nas coisas, ou se era a negação das estratégias que fazem as coisas funcionar.

há uma voz que bebo

[D, de Daniel]

há uma voz que bebo

Viajo para uma voz que escorre como um lado aberto, uma boca como uma abertura de lança, quer dizer, lugar directo ao coração, degrau onde ajoelhamos por ter chegado à nascente. Sou de um sítio em que a água era de colher: “Vai colher água à fraga”, foi um dos mandamentos aprendidos na infância. E eu fazia como vira fazer: a fraga era uma pedra grande mas humilde diante da qual o corpo se movia à oração.

e agora sei que oiço as coisas devagar

[D, de Daniel]

e agora sei que oiço as coisas devagar

Para isto me abeirei da poesia, para o duplo milagre do vagar e da escuta. Preciso do silêncio de que é feito o poema, o branco da página a céu aberto. E da palavra ponderada, arredondada na boca antes de ser escrita, húmida ainda de saliva e sangue. E luminosa como uma janela oriental.

Últimas Notícias

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Quando as luzes se acendiam

Testemunho

Quando as luzes se acendiam novidade

No passado dia 21 de Outubro [1], o Professor Francisco Carvalho Guerra teria feito 94 anos. Morreu a 6 de Agosto. Quando alguma coisa me toca muito fundo, tendo a emudecer. O que teria para dizer fica à espera, sem que a duração do silêncio corresponda à medida da gratidão. [Testemunho de Henrique Manuel Pereira].

Quando a irmã morte bate à porta

Ano jubilar-800 anos da morte (9)

Quando a irmã morte bate à porta novidade

O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia.

Ciclos e Rituais para atravessar a noite do inverno: medos e transformação

Ensaio

Ciclos e Rituais para atravessar a noite do inverno: medos e transformação

Comecei o dia a interrogar a minha assistente pessoal (IA, Notion) sobre o Halloween, o dia de Todos os Santos e o Pão por Deus. Adoro festas, brincadeiras e celebrações – quem não gosta? A polarização e o antagonismo são geradores de tensões e conflitos – não promovem o diálogo e o reconhecimento do Outro, daquele ou daquela que são diferentes de nós. [Texto de Margarida Belchior].

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