
Bispo José Ornelas, presidente (esqª); padre Manuel Barbosa, secretário; e bispo Virgílio Antunes, vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, em Abril do ano passado, em Fátima: os bispos reafirmam que a doutrina não mudou. Foto © António Marujo/7Margens
O conselho permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) manifestou nesta terça-feira a sua “plena comunhão” com o Papa, após a declaração Fiducia supplicans, divulgada no último mês de Dezembro, relativa a bênçãos para casais em situação irregular, mas reafirmando que esse documento não muda a doutrina.
“No seguimento da recente Declaração Fiducia supplicans, sobre o sentido pastoral das bênçãos, do Dicastério para a Doutrina da Fé, que não altera a doutrina da Igreja sobre o matrimónio, o Conselho Permanente reconhece o acolhimento de todos na Igreja e manifesta a plena comunhão dos bispos portugueses” com o Papa, refere a nota enviada aos meios de comunicação.
A 4 de Janeiro, o Dicastério para a Doutrina da Fé (Santa Sé) indicou, em nota de imprensa, que nenhuma conferência episcopal pode impedir um sacerdote de abençoar “casais em situação irregular” [ver 7MARGENS].
“A prudência e a atenção ao contexto eclesial e à cultura local poderiam admitir diversas modalidades de aplicação, mas não uma negação total ou definitiva deste caminho que é proposto” aos padres, refere o documento, assinado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e por Armando Matteo, secretário para a Secção Doutrinal.
A nota aborda várias questões levantadas pela declaração, que prevê a possibilidade de abençoar casais em segunda união ou uniões de pessoas do mesmo sexo.
O conselho permanente da CEP adiantou ainda que, “no processo em curso sobre a protecção de menores e adultos vulneráveis na Igreja”, a presidência do episcopado vai ter “um encontro de escuta e diálogo com a Associação Coração Silenciado”, no próximo domingo, dia 14.
Na reunião mensal, o organismo dos bispos debateu a agenda da próxima assembleia plenária da CEP, que decorrerá de 8 a 11 de Abril e terá como temas “a sinodalidade à luz da síntese dos relatórios provenientes das dioceses” e a preparação próxima da visita ad limina dos bispos portugueses, ao Papa e organismos da Cúria Romana, prevista para 20 a 25 de Maio.
Quanto ao processo sinodal em curso, o Conselho Permanente reiterou as orientações práticas para as dioceses, cuja reflexão “deve incidir nos capítulos 8-12, 16 e 18 do relatório de síntese” da primeira sessão da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, que decorreu em Outubro último.
Cada diocese deve enviar à CEP o fruto da sua reflexão, até final de Março de 2024, pede o conselho permanente. Ao mesmo tempo, pode ser enviado um breve testemunho do trabalho realizado e das experiências vividas, “partilhando uma boa prática que considere significativa para fazer crescer um dinamismo sinodal missionário”. A equipa sinodal da CEP fará uma síntese da reflexão na primeira semana de Abril, acrescenta o comunicado.
Esse texto-síntese será “apreciado e aprovado” na próxima assembleia plenária da CEP, antes de ser enviado à Secretaria-Geral do Sínodo, na Santa Sé, até à data-limite de 15 de Maio.
O conselho permanente da Conferência Episcopal Portuguesa é actualmente constituído pelos bispos José Ornelas (Leiria-Fátima e presidente da CEP), Virgílio Antunes (Coimbra e vice-presidente), Rui Valério (Lisboa), Manuel Linda (Porto) António Moiteiro (Aveiro), José Traquina (Santarém) e Francisco Senra Coelho (Évora). O padre Manuel Barbosa é o secretário.










