O programa Rostos e Rumos, uma parceria da TSF e do 7MARGENS, está em reposição nestes dias, na grelha de Verão daquela rádio. Nesta quinta-feira, 24, passará a entrevista com o padre jesuíta Vasco Pinto de Magalhães, às 13h.
Na sexta, 25, haverá dois programas: às 10h, será a conversa com o dominicano Bento Domingues, teólogo e cronista no Público; e, às 13h, o primeiro programa da série, que evocou o padre madeirense Jardim Gonçalves, que morreu três dias antes do Natal do ano passado e passou por múltiplas actividades, antes de se tornar chefe de gabinete do então patriarca de Lisboa.
Na próxima semana, sempre às 13h, passam as entrevistas com a irmã Júlia Bacelar (dia 29), que trabalha com mulheres vítimas de violências, e com o bispo emérito das Forças Armadas Januário Torgal Ferreira (dia 31).
No dia 1 de Agosto, será a vez do programa evocativo do padre Martins Júnior, de Machico (Madeira), que morreu no passado dia 12 de Junho, e foi suspenso durante décadas por causa de uma decisão do então bispo Francisco Santana, mas nunca deixou de celebrar os sacramentos, mesmo a pedido do povo.
O último programa, a entrevista ao padre Joaquim Batalha, assistente dos movimentos católicos rurais do Patriarcado de Lisboa, que foi emitida já neste mês, foi o primeiro a passar nesta série de reposições.
Râguebi, mulheres vítimas de violência, o eco dos penedos e os operários

O padre jesuíta Vasco Pinto de Magalhães na entrevista ao programa Vidas Com História, na TSF, com colaboração do 7MARGENS. 25/02/2025. Foto © António Marujo/7MARGENS
O jesuíta Vasco Pinto de Magalhães conta a sua experiência de jogador de râguebi, paixão herdada do pai, engenheiro agrónomo, que esteve ligado á expansão daquele desporto no país. Antes de ser padre, Vasco Magalhães chegou a jogar pela selecção de râguebi de Lisboa, enquanto estudava engenharia no Instituto Superior Técnico de Lisboa, depois de ter frequentado, sem sobressaltos, o Colégio de São João de Brito. Na entrevista, o padre Vasco fala também dos seus livros e da arte que, ao longo da sua vida, foi também produzindo, bem como das relações entre ciência e fé.
Bento Domingues recorda que, quando era criança, se perguntava porque ouvia o eco que os penedos lhe traziam da sua voz e dos balidos das ovelhas que ele ajudava a pastorear. “Eu, na ignorância, [perguntava] porque é que os penedos também falam; e porque é que as ovelhas também ficam assim espantadas…”. E acrescenta: “Explicaram-me o que [o eco] era, mas não explicaram porque é que nós nascemos, vivemos e morremos em pleno mistério – dizemos que é de amor, mas um amor que a gente nem sequer imaginar pode”.
O autor de A Religião dos Portugueses (edição Temas e Debates) afirma ainda: “Deus é o impensável, é o puro, puro, puro mistério. Vivemos imersos no mistério, no incompreensível, no abismo total. Arranjamos formas para poder falar desse mistério insondável que é Deus”, mas elas são sempre limitadas, porque assim são os conhecimentos, ao contrário do “eterno ilimitado”.
Na memória do padre Agostinho Jardim Gonçalves, que foi o primeiro programa da série, regista-se a declaração do antigo sindicalista José Luís Judas, segundo o qual “todas as conquistas sociais que os trabalhadores portugueses obtiveram com o 25 de Abril são indissociáveis do trabalho do padre Jardim Gonçalves e da LOC” (Liga Operária Católica). Jardim Gonçalves foi “uma espécie de soldado desconhecido dessa luta”, acrescentava. E Maria Natividade Cardoso, antiga dirigente nacional e internacional do movimento operário católico, sublinhava que a evolução social de Portugal “não teria existido sem o padre Jardim”.
Júlia Bacelar, até agora a única mulher entrevistada no programa, afirmava que até que Deus lhe dê saúde, estará “sempre disponível para lutar pela libertação das mulheres.” A religiosa integra a congregação das Adoradoras Escravas do Santíssimo Sacramento e da Caridade, e há 55 anos optou por servir quem estava nas margens, trabalhando “com mulheres em situação de risco, de exploração sexual, de tráfico de seres humanos, de violência doméstica, com crianças adolescentes grávidas…”
O bispo, os jornalistas, o padre suspenso e os camponeses

Torgal Ferreira durante a entrevista: o ideal de Sá Carneiro “foi desviado”. Foto © Joaquim Pedro Rocha/TSF, cedida pelo autor.
O bispo Januário Torgal Ferreira exprime o seu desejo de que “o mundo vivesse em paz”, anseio que se confunde com a música da sua eleição, o Requiem de Mozart. “Sou Mozart, o Requiem é a música do meu maior encanto”, afirma, na entrevista ao programa Vidas Com História, da TSF, em parceria com o 7MARGENS. “É um grito de esperança, um coro de lágrimas, um grito dolente, mas é também o levantar da vida, amanhã será melhor”, diz, recordando ainda na entrevista o tempo em que foi porta-voz da Conferência Episcopal, e que o leva a elogiar o papel dos jornalistas.
Na evocação do padre Martins Júnior, Irene Catanho, que foi secretária do padre José Martins Júnior em vários cargos religiosos e políticos que ele desempenhou, recorda-o como “o maior humanista” que conheceu; mas não só: era um homem que “acreditava em Jesus, piamente”, dizendo que “o que é preciso é fazer o que Jesus fez” e “amar a todos e a todos querer bem”, diz ainda a actual presidente do Centro Cívico, Cultural e Social da Ribeira Seca (Machico, na Madeira) para sublinhar que Martins Júnior era uma pessoa permanentemente “preocupada com os outros”.
O padre José Luís Rodrigues, que presidiu a missa de funeral, também acrescenta que o ex-pároco da Ribeira Seca “foi o homem mais livre” que encontrou, exímio “na fidelidade a valores e a princípios”.
Finalmente, o padre Joaquim Batalha conta como chegou à região Oeste do país, olhou para a realidade concreta, colocou a Bíblia em cima de um andor nas procissões, pôs as pessoas a estudá-la e a proclamá-la e fez formação bíblica popular. “Isso desenvolveu uma formação bíblica das pessoas.” O padre Batalha recorda ainda como andou na apanha da azeitona, diz que não veria qualquer problema se celebrasse missa junto de mulheres ordenadas, mas já vê problema nas batinas que muitos padres usam. Com 87 anos, completado no passado dia 13, Joaquim Batalha diz que o que falta mudar na dinâmica da Igreja Católica “é o coração e a inteligência das pessoas”.
Um conjunto de entrevistas e memórias para ouvir nestes dias na TSF.










