Há exatamente quatro anos, em janeiro de 2019, chegava a Lisboa o fratel Biagio. A capital portuguesa era apenas uma das etapas da longa peregrinação que havia iniciado na Sicília com destino final a Marrocos, sempre a pé. Chegava com as sandálias consumidas, a túnica verde com capuz a cobrir-lhe a cabeça, uma bengala de madeira grosseira, de cruz e vieira ao peito. Sem dinheiro, nem telemóvel, nem relógio: em espírito de absoluta entrega à providência. O irmão Biagio Conte, missionário leigo franciscano italiano, que, em Palermo, dedicou a vida ao serviço dos mais pobres e sós, morreu na passada quinta-feira, 12 de janeiro, e eu nunca esquecerei o nosso encontro.












