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Performance, expressões, palavras: rituais do acto de contar

Performance, expressões, palavras: rituais do acto de contar

A minha avó contou-me que a literatura existe em todos os momentos da vida de um bantu. Eu explico. Embora sejam vastas e sempre inacabadas as discussões sobre o que é literatura, há sempre delimitações possíveis ou básicas, para referir o campo abrangido pelo objecto e compreender, de algum modo, a dimensão do seu alcance.

Precisamos de nos ouvir (9) – Sara Jona Laísse: Em tudo, os nossos rituais…

Precisamos de nos ouvir (9) – Sara Jona Laísse: Em tudo, os nossos rituais…

Apetece-me sair pelas ruas e gritar: usem máscaras, a uns; sejam mais humanos, às entidades patronais que ignoram as normas impostas contra a covid-19; sejam gente, a todos os que se aproveitam de regras impostas, para não cumprirem com o que devem, nos seus locais de trabalho; chega de mortes, ao universo, que continua a conspirar em nosso desfavor.

Nunca troquem uma criança por um sábado!

Nunca troquem uma criança por um sábado!

 Os rituais sempre foram estruturantes na socialização humana, assim como na construção e consolidação das crenças e correspondentes liturgias colectivas. Mas não são tudo. Há mais vida para além dos rituais. Eles ajudam a estruturar a sociedade com recurso ao simbólico e a fixar normas de convivência, de reconhecimento e de valorização social. Mas no caso do campo religioso assumem o sentido de alguma sacralidade, tornando-se por isso mais intocáveis.

Rituais pós-nascimento: “Ku xlomula mamani ni ku humisa mwana”

Rituais pós-nascimento: “Ku xlomula mamani ni ku humisa mwana”

Nas culturas bantu do sul de Moçambique, especificamente na xironga e na xitswa, após o nascimento de um bebé, a mãe e a sua criança ficam, por algum tempo, interditados do convívio com a família alargada, por se considerar que os seus corpos não se encontram fortes o suficiente para conviver com agentes impuros, sejam do ambiente poluído de fora de casa, sejam os que com eles habitam, pelo facto de viverem entre o resguardo do lar e outras actividades que realizam fora de casa.

O 25 de abril: rito (religioso) ou ritualismo (político)?

O 25 de abril: rito (religioso) ou ritualismo (político)?

Claro que o 25 de abril deve ser celebrado, como todos os momentos mais fortes e intensos das nossas vidas!
Viver numa espécie de “ritualismo político” é achar que o 25 de abril é monopólio de alguns (contra a participação de todos), que a sua celebração só pode ser feita naquele espaço concreto de Parlamento (porque o cerimonial é mais importante que a celebração) e que o confinamento à casa de cada um perde a sua dimensão simbólica porque há uma casa que se apresenta como mais fundamental que é a Casa da Democracia.

Ku-txinga: dos hábitos às mudanças tradicionais

Ku-txinga: dos hábitos às mudanças tradicionais

Há peculiaridades e subjectividades a preservar, até porque o modo de realizar esses rituais tem uma função social específica, para os seus membros. Se esses modos de fazer colocam em risco a vida das pessoas, estamos perante um hábito, uma cultura ou uma tradição que deve ser mudada. No caso de que se fala, trata-se de uma mudança e não de um corte da tradição.

Performance, expressões, palavras: rituais do acto de contar

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A minha avó contou-me que a literatura existe em todos os momentos da vida de um bantu. Eu explico. Embora sejam vastas e sempre inacabadas as discussões sobre o que é literatura, há sempre delimitações possíveis ou básicas, para referir o campo abrangido pelo objecto e compreender, de algum modo, a dimensão do seu alcance.

Precisamos de nos ouvir (9) – Sara Jona Laísse: Em tudo, os nossos rituais…

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Apetece-me sair pelas ruas e gritar: usem máscaras, a uns; sejam mais humanos, às entidades patronais que ignoram as normas impostas contra a covid-19; sejam gente, a todos os que se aproveitam de regras impostas, para não cumprirem com o que devem, nos seus locais de trabalho; chega de mortes, ao universo, que continua a conspirar em nosso desfavor.

Nunca troquem uma criança por um sábado!

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 Os rituais sempre foram estruturantes na socialização humana, assim como na construção e consolidação das crenças e correspondentes liturgias colectivas. Mas não são tudo. Há mais vida para além dos rituais. Eles ajudam a estruturar a sociedade com recurso ao simbólico e a fixar normas de convivência, de reconhecimento e de valorização social. Mas no caso do campo religioso assumem o sentido de alguma sacralidade, tornando-se por isso mais intocáveis.

Rituais pós-nascimento: “Ku xlomula mamani ni ku humisa mwana”

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Nas culturas bantu do sul de Moçambique, especificamente na xironga e na xitswa, após o nascimento de um bebé, a mãe e a sua criança ficam, por algum tempo, interditados do convívio com a família alargada, por se considerar que os seus corpos não se encontram fortes o suficiente para conviver com agentes impuros, sejam do ambiente poluído de fora de casa, sejam os que com eles habitam, pelo facto de viverem entre o resguardo do lar e outras actividades que realizam fora de casa.

O 25 de abril: rito (religioso) ou ritualismo (político)?

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Claro que o 25 de abril deve ser celebrado, como todos os momentos mais fortes e intensos das nossas vidas!
Viver numa espécie de “ritualismo político” é achar que o 25 de abril é monopólio de alguns (contra a participação de todos), que a sua celebração só pode ser feita naquele espaço concreto de Parlamento (porque o cerimonial é mais importante que a celebração) e que o confinamento à casa de cada um perde a sua dimensão simbólica porque há uma casa que se apresenta como mais fundamental que é a Casa da Democracia.

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