Jovem saudita barrica-se na Tailândia com medo de morrer se for deportada

Foto publicada no Twitter de Rahaf Mohammed al-Qunun barricada no seu quarto de hotel no aeroporto de Banguecoque.
Rahaf Mohammed al-Qunun, uma rapariga saudita de 18 anos barricou-se no seu quarto de hotel na Tailândia, após ter sido detida e ter a sua entrada no país ter sido recusada. A jovem fugiu de casa para tentar escapar à sua família, que a sujeitou a abusos físicos e psicológicos, contou ao The Guardian: “A minha família é muito severa: trancaram-me no meu quarto durante seis meses apenas por cortar o cabelo.” Rahaf renunciou recentemente ao islão e por isso tem a certeza que irá para a prisão e será morta, mal regresse à Arábia Saudita.
A jovem fez escala na Tailândia no sábado, 5 de janeiro, com bilhete de avião para a Austrália, mas o seu passaporte foi retirado por um oficial da Arábia Saudita à chegada. No domingo, as autoridades anunciaram que a mulher seria deportada por não ter os requerimentos para um visto tailandês, apesar de ela não o querer – pois tinha um visto para a Austrália.
À BBC, Phil Robertson, diretor do Human Rights Watch na Ásia, explicou: “Parece que o Governo tailandês está a fabricar uma história acerca do visto, de modo a cooperar com as autoridades da Arábia Saudita.”
Esta segunda-feira, dia 7, Rahaf al-Qunun tentou fugir para a Austrália mas as autoridades tailandesas impediram-na. A saudita barricou-se, então, num quarto de hotel dentro do aeroporto de Banguecoque. O objetivo das autoridades de imigração era colocá-la num voo para o Kuwait às 11h15, hora local (04h15 em Lisboa).
No Twitter, Rahaf divulgou um vídeo em que pede auxílio: “Apelo a todas as pessoas que se encontram na zona de trânsito em Banguecoque para protestarem contra a minha deportação.”
Video from @rahaf84427714 just sent from her hotel room at the #Bangkok airport. She has barricaded herself in the room & says she will not leave until she is able to see #UNHCR. Why is #Thailand not letting @Refugees see her for refugee status determination? @hrw #SaveRahaf pic.twitter.com/3lb2NDRsVG
— Phil Robertson (@Reaproy) January 7, 2019
Como plano de contingência, Rahaf pediu a vários amigos que se encarregassem da sua conta daquela rede social. A rapariga afirma que não sairá do quarto até se encontrar com algum representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
A Tailândia não é signatária da Convenção de Refugiados das Nações Unidas. Por isso, não oferece proteção legal a quem procura asilo, apesar de haver mais de 100 mil refugiados no país.

As religiões na Arábia Saudita e a liberdade religiosa nesse país. Fonte: AIS
Segundo o relatório da Liberdade Religiosa no Mundo, de 2018, publicado pela Ajuda à Igreja que Sofre, na Arábia Saudita a situação é de perseguição, algo que se mantém inalterado há largos anos. A liberdade religiosa não é nem reconhecida nem protegida, sendo a conversão ou renúncia ao islão considerada apostasia, legalmente punível pela morte.
Nesse país, as mulheres estão sujeitas a um guardião masculino, o que significa que precisam de permissão de um homem para trabalhar, viajar, casar, abrir uma conta bancária ou até sair da prisão. “Se a jovem não quiser partir, ela não será enviada contra a sua vontade” para a Arábia Saudita, disse o major-general Surachate Hakparn, responsável pelos serviços de imigração da Tailândia, acrescentando que a saudita irá encontrar-se com representantes do ACNUR.
Breves
Boas notícias
Declaração conjunta inédita
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É com palavras duras sobre as consequências das atuais políticas de imigração nos Estados Unidos que responsáveis católicos e evangélicos se unem, pela primeira vez, numa declaração conjunta sobre esta matéria, pedindo uma reforma que combine fronteiras seguras com medidas “específicas, proporcionais e humanas”.
Outras margens
Cultura e artes
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“Uma pintura de Van Gogh pode ser, no seu efeito espiritual, mais religiosa do que a representação do martírio de São Sebastião”, diz uma das artistas que nesta sexta-feira participa nas Jornadas da Pastoral dos Bens Culturais, da Igreja Católica. Estará em debate “a importância dos bens culturais na acção de evangelizar”, dimensão que “tem sido claramente desvalorizada”.
Ensaios, ficção e antologias
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A Bíblia de Lourenço adaptada a jovens, os 1400 anos das relações entre judeus e muçulmanos, um ensaio sobre o Cântico das Criaturas, não-ficção de Flannery O’Connor, uma antologia do “herege” Savonarola ou a autobiografia de Thomas Merton. Alguns dos títulos que, no âmbito religioso, da espiritualidade ou das questões sociais, várias editoras publicam até ao Natal
Ano Jubilar São João da Cruz (9)
João da Cruz: poesia e mística
Até Dezembro decorre o ano jubilar de São João da Cruz, celebrando o terceiro centenário da canonização e os 100 anos da sua proclamação como Doutor da Igreja Católica. O jubileu tem como lema “A esperança alcança tanto quanto espera” e propõe itinerários de renovação espiritual e mística. A propósito do ano jubilar, o 7MARGENS propõe mensalmente, aos dias 13/14 (assinalando o dia da sua morte, a 14 de Dezembro de 1591), um conjunto de textos do padre carmelita e teólogo Armindo Vaz.
Livro em cinco línguas
“Diário Privado do Papa Francisco” revelado em novembro
Em italiano, francês, espanhol, inglês e português: é nestas cinco línguas, para 94 países, que será editado a 24 de novembro o diário do Papa Francisco, anotado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, pela Editora do Vaticano.
Pessoas
Edição
Um psicólogo no campo de concentração – um livro sobre Viktor Frankl
Uma leitura biográfica, intelectual e testemunhal de uma das figuras mais marcantes da psicologia e da reflexão antropológica do século XX – é desse modo que se apresenta o livro “Logoterapia e Análise Existencial – Vida, testemunho e obra de Viktor E. Frankl”, da autoria de Nuno Almeida, bispo de Bragança-Miranda.
Sete Partidas
[Sete Partidas]
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No radio do carro tocava um CD da Rosalía e comecei a pensar no que já me disseram sobre o meu carro, pequeno e velho, dito em várias variações. Não levo a mal. É verdade, mas tem tudo o que preciso. Abrigo do sol, do frio, da chuva e da neve. Confiável. Riscado e muitas vezes sujo por fora, mas por dentro limpo e arrumado. Um pouco na ordem como valorizo as coisas na vida. Menos ostentação, mais conteúdo. [Texto de Inês Patrício, Berlim].
Visto e Ouvido
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Entre margens
[Entre Margens]
Se Deus nunca ordenou, quem ordenou? – Testemunhas de Jeová, sangue e consciência novidade
Durante oito décadas, aceitar os glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plasma ou plaquetas foi apresentado às Testemunhas de Jeová como violação da lei de Deus. Desde 18 de setembro de 2026, passou a ser uma “questão de consciência”. O texto bíblico é o mesmo. Mudou a leitura dos homens que reclamam a autoridade de o interpretar.
[Entre Margens]
Uma característica sinodal é escutar os outros
“Não é possível encontrar nos evangelhos “ipsissima verba”, os ditos de Jesus, nem narrativas absolutamente fidedignas dos factos protagonizados por Jesus, o que não nos impede de aceder ao fundamental do que Jesus pretendia revelar-nos. Nem tudo nos evangelhos é, objetivamente, verosímil e plausível, porque a produção dos textos era condicionada pelos constrangimentos culturais das comunidades. Mas tudo neles tem um significado. É o significado que deve procurar-se.”
[Entre Margens]
Joana Lopes: 88 cravos à sua memória
No próximo Domingo, 11 de Outubro, Joana Lopes, que nos deixou a 5 de Fevereiro deste ano, completaria 88 anos. A Joana teve um papel importante na resistência católica contra a ditadura, tendo levado a cabo lutas muito importantes em que denunciava a guerra colonial. Tinha também uma atividade cívica intensa, assumindo a defesa de lutas políticas essenciais que não são menos importantes no nosso tempo. [Texto de Filipe Moisés].















