
O Papa Francisco na missa de encerramento da assembleia sinodal: uma Igreja “que lava os pés à humanidade ferida”. Foto © Vatican Media.
O Papa Francisco manifestou neste domingo o desejo de que a Igreja seja ao mesmo tempo adoradora e “Igreja do serviço, que lava os pés à humanidade ferida, acompanha o caminho dos frágeis, dos débeis e dos descartados, sai com ternura ao encontro dos mais pobres”. Na homilia da missa conclusiva do Sínodo dos Bispos, que desde o dia 4 decorreu no Vaticano, acrescentou: “Esta é a Igreja que somos chamados a sonhar: uma Igreja serva de todos, serva dos últimos. Uma Igreja que acolhe, serve, ama, sem nunca exigir antes um atestado de boa conduta, as acolhe, serve, ama, perdoa.”
A missa foi celebrada com cardeais, bispos e restantes membros desta primeira sessão da XVI assembleia do Sínodo, em que pela primeira vez um quarto dos 365 participantes com direito a voto não eram bispos – incluindo 54 mulheres.
Numa celebração onde as vestes litúrgicas evocavam a Amazónia diversa e ferida e remetiam também para a diversidade que existe na Igreja, o Papa recordou também que é importante ter “em consideração os últimos: o estrangeiro, a viúva e o órfão”. O amor que Deus tem pelos mais frágeis é o mesmo que ele pede para oferecer “aos estrangeiros de todo o tempo e lugar, a todos aqueles que são oprimidos e explorados”.
Francisco recordou ainda os “que são vítimas das atrocidades da guerra”, momentos antes de, no Ângelus, apelar de novo a um cessar-fogo entre Israel e o Hamas, na Faixa de Gaza. Mas referiu ainda as “tribulações dos migrantes, o “sofrimento escondido de quem se encontra sozinho e em condições de pobreza”, “quem é esmagado pelos fardos da vida ou “quem já não tem mais lágrimas” nem “voz”. “E penso nas vezes sem conta em que, por trás de lindas palavras e eloquentes promessas, se favorecem formas de exploração, ou então nada se faz para as evitar”, acrescentou. “É um pecado grave explorar os mais frágeis, pecado grave que corrói a fraternidade e destrói a sociedade. Nós, discípulos de Jesus, queremos levar ao mundo outro fermento, o do Evangelho: Deus no primeiro lugar e, juntamente com Ele, os seus preferidos, ou seja, os pobres e os frágeis.”
Se estas referências são recorrentes no pensamento de Francisco, elas foram também sublinhadas em vários pontos da síntese dos trabalhos da assembleia sinodal, votada sábado à tarde. “O princípio e fundamento” é “amar a Deus com toda a vida e amar o próximo como a si mesmo”, disse ainda o Papa. “Não existe uma experiência religiosa autêntica que seja surda ao grito do mundo. Uma verdadeira experiência religiosa. Não há amor a Deus sem envolvimento no cuidado do próximo, caso contrário corre-se o risco do farisaísmo.” E uma Igreja sinodal será também mais missionária, no serviço às mulheres e aos homens “do nosso tempo, saindo para levar a todos a alegria consoladora do Evangelho”.
Francisco avisou ainda contra os perigos da idolatria, traduzida na “vanglória pessoal, a ânsia do sucesso, a autoafirmação a todo o custo, a ganância do dinheiro, o encanto do carreirismo”. Mas também há “idolatrias disfarçadas de espiritualidade, como as minhas ideias religiosas, a minha habilidade pastoral”, acrescentou.
Em Outubro do próximo ano, decorrerá a segunda sessão desta assembleia, dedicada ao tema “Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação, missão”. Em princípio, a assembleia será composta pelos mesmos participantes que estiveram neste mês em Roma.









