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Artigos de Ana Sofia Brito
A leveza em ignorar dias especiais

[Entre Margens]

A leveza em ignorar dias especiais

No dia do meu vigésimo-oitavo aniversário, eu estava sozinha em Epitaciolândia, no Acre. Já não me lembro qual era o plano — década e meia se passou —, sei apenas que andava às voltas pela América do Sul na intenção de chegar à Bolívia, a La Higuera em Santa Cruz, para conhecer a escola onde o Ernesto fora assassinado. [Texto de Ana Sofia Brito]

A leveza em ignorar dias especiais

[Entre Margens]

O grupo dos quatro

Eu, a Sirene, o Dez-Pás-Duas e o Lamalonga padecíamos do pior dos infortúnios – o de não ter jeito para coisas nenhuma. Especificidade que nos tornou inseparáveis, militantes fieis do grupo dos quatro. Pertencíamo-nos por exclusão de partes. A gente sobrava em comum. [Texto de Ana Sofia Brito].

A leveza em ignorar dias especiais

[Entre Margens]

As cartas não mentem

Serena trabalhava à noite nos bares, derramando álcool em copos alheios e aturando bebedeiras ao embargo de avultados decibéis. Era só vê-la em ação e – verdade seja dita, não era por ser minha amiga – qualquer um ficava doido com aquele jogo de braços tatuados atirando garrafas ao ar, que apanhava e soltava com a destreza de quem humilha a gravidade. [Texto de Ana Sofia Brito].

A leveza em ignorar dias especiais

Conto de Natal

Clara das Neves

Naquele tempo, em Vila De Pedras, era comum as mulheres morrerem no ato de parir. Hospital, não havia. Só o Lar da Maternidade – anexo contíguo à casa da parteira Dona Alma, bem intencionalmente construído sob a finalidade de progresso local -, onde as mães davam à luz perante o desadornado auxílio de uma parteira sem instrução esculapiana. [texto de Ana Sofia Brito].

A leveza em ignorar dias especiais

Entre Margens

Fim da linha

E partiu, de corpo minguado no velho estofo dos assentos da carruagem. O alívio que imaginara sentir àquela hora, não se assomou sequer ao seu espírito. Para afastar essa constatação indesejada, procurou distrair-se com o ritmo pulsátil que o aço das rodas fazia ao rolar sobre os carris, rigoroso como tiros de salva disparados em câmara lenta por tanques de assalto. [Texto de Ana Sofia Brito].

A leveza em ignorar dias especiais

Entre Margens

O vizinho Rafael

O vizinho Rafael abalou de volta para o país dele, a Roménia. Viveu em Portugal alguns trinta anos, veio no tempo em que as coisas andavam melhor. Agora, pelos vistos, mais vale ir reformar-se lá. O vizinho Rafael era, desde há mais de duas décadas, o caseiro da quinta onde eu moro. Foi-se embora. [Texto de Ana Sofia Brito].

A leveza em ignorar dias especiais

Quem não pertence deixa de existir

Os versos não têm de ser invenções da roda ou máximas de originalidade. Os versos, as quadras, os textos, os capítulos de quaisquer coisas que se escrevam, podem ser apenas constatações, um género de descobertas como as de Pedro Álvares Cabral – ou seja, descobrir o que já existe sem que o descobridor saiba disso. [Texto de Ana Sofia Brito].

A leveza em ignorar dias especiais

Entre Margens

A queda de um anjo

Pouco depois dessa primeira infância cujo sonho era postado no longe das coisas, começou a trepar árvores, percorrer túneis, escalar pequenas montanhas, caminhar até cachoeiras nas quais se jogava em imersão corajosa por debaixo das violentas quedas de água, fazer grandes fogueiras ou  voar pelos campos a bordo da sua bicicleta. [Texto de Ana Sofia Brito]

A leveza em ignorar dias especiais

[Entre Margens]

A leveza em ignorar dias especiais

No dia do meu vigésimo-oitavo aniversário, eu estava sozinha em Epitaciolândia, no Acre. Já não me lembro qual era o plano — década e meia se passou —, sei apenas que andava às voltas pela América do Sul na intenção de chegar à Bolívia, a La Higuera em Santa Cruz, para conhecer a escola onde o Ernesto fora assassinado. [Texto de Ana Sofia Brito]

A leveza em ignorar dias especiais

[Entre Margens]

O grupo dos quatro

Eu, a Sirene, o Dez-Pás-Duas e o Lamalonga padecíamos do pior dos infortúnios – o de não ter jeito para coisas nenhuma. Especificidade que nos tornou inseparáveis, militantes fieis do grupo dos quatro. Pertencíamo-nos por exclusão de partes. A gente sobrava em comum. [Texto de Ana Sofia Brito].

A leveza em ignorar dias especiais

[Entre Margens]

As cartas não mentem

Serena trabalhava à noite nos bares, derramando álcool em copos alheios e aturando bebedeiras ao embargo de avultados decibéis. Era só vê-la em ação e – verdade seja dita, não era por ser minha amiga – qualquer um ficava doido com aquele jogo de braços tatuados atirando garrafas ao ar, que apanhava e soltava com a destreza de quem humilha a gravidade. [Texto de Ana Sofia Brito].

A leveza em ignorar dias especiais

Conto de Natal

Clara das Neves

Naquele tempo, em Vila De Pedras, era comum as mulheres morrerem no ato de parir. Hospital, não havia. Só o Lar da Maternidade – anexo contíguo à casa da parteira Dona Alma, bem intencionalmente construído sob a finalidade de progresso local -, onde as mães davam à luz perante o desadornado auxílio de uma parteira sem instrução esculapiana. [texto de Ana Sofia Brito].

A leveza em ignorar dias especiais

Entre Margens

Fim da linha

E partiu, de corpo minguado no velho estofo dos assentos da carruagem. O alívio que imaginara sentir àquela hora, não se assomou sequer ao seu espírito. Para afastar essa constatação indesejada, procurou distrair-se com o ritmo pulsátil que o aço das rodas fazia ao rolar sobre os carris, rigoroso como tiros de salva disparados em câmara lenta por tanques de assalto. [Texto de Ana Sofia Brito].

A leveza em ignorar dias especiais

Entre Margens

O vizinho Rafael

O vizinho Rafael abalou de volta para o país dele, a Roménia. Viveu em Portugal alguns trinta anos, veio no tempo em que as coisas andavam melhor. Agora, pelos vistos, mais vale ir reformar-se lá. O vizinho Rafael era, desde há mais de duas décadas, o caseiro da quinta onde eu moro. Foi-se embora. [Texto de Ana Sofia Brito].

A leveza em ignorar dias especiais

Quem não pertence deixa de existir

Os versos não têm de ser invenções da roda ou máximas de originalidade. Os versos, as quadras, os textos, os capítulos de quaisquer coisas que se escrevam, podem ser apenas constatações, um género de descobertas como as de Pedro Álvares Cabral – ou seja, descobrir o que já existe sem que o descobridor saiba disso. [Texto de Ana Sofia Brito].

A leveza em ignorar dias especiais

Entre Margens

A queda de um anjo

Pouco depois dessa primeira infância cujo sonho era postado no longe das coisas, começou a trepar árvores, percorrer túneis, escalar pequenas montanhas, caminhar até cachoeiras nas quais se jogava em imersão corajosa por debaixo das violentas quedas de água, fazer grandes fogueiras ou  voar pelos campos a bordo da sua bicicleta. [Texto de Ana Sofia Brito]

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Recém-criada Aliança Inter-Religiosa pela Paz apela ao envolvimento de todos

“Chuva Pacífica”

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“Uma única gota de chuva parece insignificante. Não pode apagar um incêndio. Não pode parar uma guerra. Não pode curar todas as feridas da história. Mas uma multidão de gotas pode humedecer a terra seca e permitir que uma nova vida brote dela. O mesmo acontece com a construção da paz”. É com esta imagem de um simples pingo de chuva que acaba de ser constituída na cidade croata de Rijeka a Aliança Mediterrânea para a Paz.

A floresta ensina que tudo tem o seu tempo

Testemunho

A floresta ensina que tudo tem o seu tempo

Nasci no Uganda há quase 37 anos e estou ao serviço na Missão Catrimani, localizada no coração da floresta amazónica, no Brasil. Chamo-me Bob Mulega e sou padre Missionário da Consolata desde os meus 31 anos. Quando, em 2019, cheguei à Missão Catrimani, e entrei em contacto com o povo indígena yanomami, acreditava que a missão consistia sobretudo em aprender uma nova língua, compreender a cultura do povo e anunciar o Evangelho através da presença e da convivência. ( Texto de Bob Mulega].

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