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Artigos de Ana Sofia Brito
Rádio Solar deixou de brilhar

Rádio Solar deixou de brilhar

A Rádio Solar fechou. Agora, na emissora 94FM escutamos o plágio das rádios nacionais comerciais. Independentemente do laço afetivo que eu tinha com a Solar. Independentemente da Solar ter sido a minha escola. Independentemente da Solar ser a casa onde pude sonhar e realizar sonhos. [Texto de Ana Sofia Brito].

Rádio Solar deixou de brilhar

Artur e a felicidade

O Artur olhou para o iate e sonhou alto. Sonhar alto tem tanto de cenoura à frente do burro como de absurdo. Sonho e imaginação serão a mesma coisa?
É importante dizer que o Artur é um rapaz de apenas 18 anos, detesta a escola (e por isso desistiu dela tão cedo). Ama a pesca e percebe do mar, dos barcos e dos peixes. [Texto de Ana Sofia Brito]

Rádio Solar deixou de brilhar

Coitado de quem não sabe senão gritar

Eu até nem queria voltar a falar de ratazanas aqui nestas crónicas; mas, vocês já se aperceberam da fraqueza dos que gritam? Tenho-lhes demasiada pena para conseguir ignorar. O grito, na literalidade, não vale absolutamente nada. O grito é daquelas coisas que só engrandece na metáfora. Grito como explosão de afinidade, empatia, criatividade, arte, abraço. Esse é o grito que vale a pena. O grito metafórico é o oposto do literal. [Texto de Ana Sofia Brito].

Rádio Solar deixou de brilhar

Eu e o psiquiatra

Acordei como acordo sempre. Perdida no espaço. Até que ao fim de dez longos segundos reconheço o meu quarto. O despertador tocou cinco vezes, às quais não obedeci por incapacidade física, pesa-me o corpo todo, chega a ser dor. A dor passa ao fim de cinco minutos. Pego no caderno que está debaixo da almofada, a caneta, anoto o sonho.

Rádio Solar deixou de brilhar

Volodymyr

Fazia calor. O suor, em gotas espessas, deslizava-lhe trémulo pela testa, nuca e fontes. O pescoço molhado pedia socorro. Desculpe, senhor, perdoe-me, dizia ele. Não podemos continuar com o seu serviço, respondeu o homem. Prometo, senhor, não voltar a fazê-lo, insistiu. Ouvi a conversa sem querer. Fiquei confusa. O melhor empregado da empresa – melhor no verdadeiro sentido da palavra. Humano e prático – acabara de ser despedido.

Rádio Solar deixou de brilhar

A Sophia chamá-las-ia de pessoas sensíveis

Os aeroportos são verdadeiras casas do terror. Multidões com olhos de zombie cruzam-se esbaforidas, a fazer lembrar carreiros de formigas. Os ecrãs, pendurados por todo o lado, dão ordens à gente. [O texto de Ana Sofia Brito]

Rádio Solar deixou de brilhar

O inferno ficou oco

O Ratazano, quando subia à superfície e suportava a claridade por mais de um qualquer tempo, quase sempre procurava buracos para se esconder e respirar a sombra. Também os havia lá em cima, os buracos. Bem escondidos, mas havia-os. Ah, se os havia. Eram restos guardados em surdina para a oportunidade do futuro. E a lucidez coitada, tão ingénua, não se dava conta. Mas o Ratazano, esse sim, descobria tudo quanto era viscoso. Faro apurado. [Texto alegórico de Ana Sofia Brito]

Rádio Solar deixou de brilhar

Rádio Solar deixou de brilhar

A Rádio Solar fechou. Agora, na emissora 94FM escutamos o plágio das rádios nacionais comerciais. Independentemente do laço afetivo que eu tinha com a Solar. Independentemente da Solar ter sido a minha escola. Independentemente da Solar ser a casa onde pude sonhar e realizar sonhos. [Texto de Ana Sofia Brito].

Rádio Solar deixou de brilhar

Artur e a felicidade

O Artur olhou para o iate e sonhou alto. Sonhar alto tem tanto de cenoura à frente do burro como de absurdo. Sonho e imaginação serão a mesma coisa?
É importante dizer que o Artur é um rapaz de apenas 18 anos, detesta a escola (e por isso desistiu dela tão cedo). Ama a pesca e percebe do mar, dos barcos e dos peixes. [Texto de Ana Sofia Brito]

Rádio Solar deixou de brilhar

Coitado de quem não sabe senão gritar

Eu até nem queria voltar a falar de ratazanas aqui nestas crónicas; mas, vocês já se aperceberam da fraqueza dos que gritam? Tenho-lhes demasiada pena para conseguir ignorar. O grito, na literalidade, não vale absolutamente nada. O grito é daquelas coisas que só engrandece na metáfora. Grito como explosão de afinidade, empatia, criatividade, arte, abraço. Esse é o grito que vale a pena. O grito metafórico é o oposto do literal. [Texto de Ana Sofia Brito].

Rádio Solar deixou de brilhar

Eu e o psiquiatra

Acordei como acordo sempre. Perdida no espaço. Até que ao fim de dez longos segundos reconheço o meu quarto. O despertador tocou cinco vezes, às quais não obedeci por incapacidade física, pesa-me o corpo todo, chega a ser dor. A dor passa ao fim de cinco minutos. Pego no caderno que está debaixo da almofada, a caneta, anoto o sonho.

Rádio Solar deixou de brilhar

Volodymyr

Fazia calor. O suor, em gotas espessas, deslizava-lhe trémulo pela testa, nuca e fontes. O pescoço molhado pedia socorro. Desculpe, senhor, perdoe-me, dizia ele. Não podemos continuar com o seu serviço, respondeu o homem. Prometo, senhor, não voltar a fazê-lo, insistiu. Ouvi a conversa sem querer. Fiquei confusa. O melhor empregado da empresa – melhor no verdadeiro sentido da palavra. Humano e prático – acabara de ser despedido.

Rádio Solar deixou de brilhar

A Sophia chamá-las-ia de pessoas sensíveis

Os aeroportos são verdadeiras casas do terror. Multidões com olhos de zombie cruzam-se esbaforidas, a fazer lembrar carreiros de formigas. Os ecrãs, pendurados por todo o lado, dão ordens à gente. [O texto de Ana Sofia Brito]

Rádio Solar deixou de brilhar

O inferno ficou oco

O Ratazano, quando subia à superfície e suportava a claridade por mais de um qualquer tempo, quase sempre procurava buracos para se esconder e respirar a sombra. Também os havia lá em cima, os buracos. Bem escondidos, mas havia-os. Ah, se os havia. Eram restos guardados em surdina para a oportunidade do futuro. E a lucidez coitada, tão ingénua, não se dava conta. Mas o Ratazano, esse sim, descobria tudo quanto era viscoso. Faro apurado. [Texto alegórico de Ana Sofia Brito]

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