Manuel Mendes

Brincar com a claridade e a escuridão

  “Creio que o filme evoca, subtilmente, que há algo que nos transcende enquanto seres humanos. Talvez seja o hálito divino. Na Galiza, a natureza é forte, está todos os dias a dizer-nos que somos pequenos.” Estas são palavras de Olivier Laxe, o realizador galego – ainda que radicado em França – acerca do seu filme O Que Arde, publicadas no...

Filmar o desejo como quem pinta

Filmar o desejo como quem pinta   Passada a quarentena, foi este o primeiro filme que vi em sala, de máscara como manda a lei: Retrato da Rapariga em Chamas. É um filme magnificamente feminino que coloca ao espectador – talvez ainda mais ao espectador crente – algumas questões que dão que pensar. Penso que não é um filme ideológico a fazer a...

Aprender a falar com feijões

Aprender a falar com feijões   (Re)visto agora, a partir da janela do confinamento, este filme Uma Pastelaria em Tóquio ganha novos sabores, que é como quem diz, entranha-se em nós de uma maneira mais intensa. Podemos então começar por dizer que temos diante de nós, três personagens de idades e situações diferentes “em quarentena”, quer...

A poesia é a verdade justa

A poesia é a verdade justa   “A coisa mais antiga de que me lembro é dum quarto em frente do mar dentro do qual estava, poisada em cima duma mesa, uma maçã enorme e vermelha”, escreve Sophia de Mello Breyner na sua Arte Poética III. Foi destas palavras que me lembrei ao ver o filme Poesia do sul coreano Lee Chang-dong, de 2010,...

A verdade não é tudo, mas é um bom princípio

A verdade não é tudo, mas é um bom princípio   O affaire Dreyfus, que abalou a França no final do século XIX, foi um momento provavelmente decisivo, por ser um marco – alguns dizem que um farol – do empenhamento público e político dos intelectuais. O Manifesto J’Accuse, do escritor e intelectual Émile Zola, publicado no jornal L’Aurore de 13...