Manuel Mendes

Roubaix: um conto de Natal (em Novembro)

  Ao ler uma entrevista (Público/Ípsilon, 11 de setembro) do realizador Arnaud Desplechin, ainda antes de ir ver o filme, houve logo duas coisas que me fizeram pensar no Papa Francisco e no caminho que ele insistentemente propõe aos baptizados. Essa impressão foi agora, no momento em que escrevo, alargada pela leitura da sua nova encíclica...

Um desejo furioso de sacrifício

O primeiro mérito do último filme de André Téchiné O Adeus à Noite – que começa com a profusão e beleza de um imenso cerejal em flor rapidamente ensombrado por um eclipse – é o de nos obrigar a (re)pensar – a não deixar esquecer, apesar de aparentemente estar mais adormecido – o complicado problema que é a sedução exercida pelo jihadismo sobre...

Brincar com a claridade e a escuridão

  “Creio que o filme evoca, subtilmente, que há algo que nos transcende enquanto seres humanos. Talvez seja o hálito divino. Na Galiza, a natureza é forte, está todos os dias a dizer-nos que somos pequenos.” Estas são palavras de Olivier Laxe, o realizador galego – ainda que radicado em França – acerca do seu filme O Que Arde, publicadas no...

Filmar o desejo como quem pinta

Filmar o desejo como quem pinta   Passada a quarentena, foi este o primeiro filme que vi em sala, de máscara como manda a lei: Retrato da Rapariga em Chamas. É um filme magnificamente feminino que coloca ao espectador – talvez ainda mais ao espectador crente – algumas questões que dão que pensar. Penso que não é um filme ideológico a fazer a...

Aprender a falar com feijões

Aprender a falar com feijões   (Re)visto agora, a partir da janela do confinamento, este filme Uma Pastelaria em Tóquio ganha novos sabores, que é como quem diz, entranha-se em nós de uma maneira mais intensa. Podemos então começar por dizer que temos diante de nós, três personagens de idades e situações diferentes “em quarentena”, quer...