Ruy Ventura

Apesar de tudo, a liberdade

Apesar de tudo, a liberdade   Sinto a doença à minha volta e à volta dos meus. E, nesta reclusão involuntária, lembro-me de Trujillo e de suas altas torres. Não de todas, mas de uma que, na sua delgada altivez, se assumiu como mirante. A terra de Pizarro sempre me pareceu estranha. À sua volta quase não distinguimos vegetação e, no meio da...

A grandeza do ínfimo

A grandeza do ínfimo   Há obras de arte que nos incomodam e nos comovem. Creio aliás que uma pintura, uma escultura, um poema, um romance, uma partitura ou outro meio expressivo encontrado pela espécie humana que não incomode e comova nunca passará de um artefacto, por maior que seja a perícia técnica do executante. Acontece o mesmo com os...

Elogio de um submarino

  O mundo está cheio de torrentes. Algumas de água limpa. Outras muito turvas, com lama e detritos. Há mesmo extensões que, de tão largas, não deixam ver as margens se nos colocarmos no meio do leito. O afastamento é demasiado largo, profundo. E quem assim se vê afastado não se conhece, torna-se hostil ao outro, pensa em combates,...

Natal sem tempo

Em memória do António Fournier (1966 – 2019), nascido e falecido no dia de Natal   Sempre que quero explicar aos meus alunos o que é o Natal, socorro-me da língua inglesa. Não sendo eu professor de tal idioma, os miúdos estranham, mas depois lá vão entendendo as veredas tortuosas por onde me proponho levá-los. Normalmente, ao fim de...

Chamas, fuligem, humanidade

  Fito as imagens das igrejas queimadas no Chile e recordo. Trago de novo ao coração lembranças dolorosas: a iconoclastia que irrompeu em tantos momentos do devir humano; o saque de igrejas em demasiadas épocas da História, levado a cabo até por “paladinos” da cristandade que de cristãos pouco tinham; as esculturas e pinturas destruídas...

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