Uma casa que o arquitecto Nuno Teotónio Pereira comprou em Marvão foi a base para as fugas de jovens ao serviço militar e à Guerra Colonial. Para Fernando Venâncio e Joel Pinto, a Sexta-Feira Santa de 1970 foi o primeiro dia da liberdade.
Uma base para a fuga de jovens
A Sexta-Feira Santa dos desertores da Guerra ColonialUma casa que o arquitecto Nuno Teotónio Pereira comprou em Marvão foi a base para as fugas de jovens ao serviço militar e à Guerra Colonial. Para Fernando Venâncio e Joel Pinto, a Sexta-Feira Santa de 1970 foi o primeiro dia da liberdade.
Centenário
Inédito 7Margens: Leigos católicos em Portugal – um testemunho de Teotónio PereiraSão quatro histórias de empenhamento de católicos na luta contra o regime ditatorial do Estado Novo aquelas em que se envolveu Nuno Teotónio Pereira (1922-2016), arquitecto, resistente antifascista, militante católico, fundador do Movimento de Renovação de Arte Religiosa e activista da liberdade, da democracia, da justiça e de várias causas sociais, que teria completado 100 anos de nascimento domingo passado, 30 de Janeiro.
Gravações escondidas 50 anos
Poemas da liberdade foram à guerra e voltaramEm finais dos anos 1960, o alferes médico Jorge Ginja não escapou à Guerra Colonial e recebeu guia de marcha para Angola. Na bagagem, transporta uma mala e, lá dentro, um enorme aparelho, uma fita gravada com músicas para enganar a PIDE. No fim, poesias de nomes fundamentais da cultura portuguesa, ditos por Mário Viegas.
Nessa noite de 24 de dezembro de 1971, assisti, na minha vida, ao espetáculo mais deprimente e humanamente degradante que alguma vez imaginei. Quando o álcool se torna o único escape para o Homem esquecer o ambiente e as circunstâncias em que está mergulhado, desce ao mais baixo da sua condição. Foi a isso que assisti, na companhia da minha mulher que, contra todas as regras militares, me acompanhava no mato de Angola, em Cassamba, naquela noite de 24 de dezembro de 1971.
Quando, durante vários anos, antes de 25 de Abril de 1974, o Natal se aproximava, a RTP incluía na sua programação uma espécie de tempo de antena que muitas famílias portuguesas aguardavam com desmedida ansiedade. A partir de várias zonas das então designadas “províncias ultramarinas”, a televisão portuguesa dava um módico de voz aos soldados que para lá tinham ido combater.
A forma como o tema da guerra e da paz esteve presente em Fátima, desde o primeiro momento dos acontecimentos, em 1917, e atravessou grande parte do primeiro século de Fátima, é o tema da terceira reportagem Livrai-nos da Guerra, que nesta sexta-feira, 13, passa no Jornal da Noite, da SIC (20h), como se pode ver neste filme de apresentação.
Neste domingo, em Fátima, será apresentado o livro “A Caixa de Correio de Nossa Senhora” (ed. Temas e Debates/Círculo de Leitores), que resulta da investigação no “Correio de Nossa Senhora”, uma das secções do Arquivo do Santuário de Fátima. Durante um ano, percorri esse correio à procura de cartas, reflexões e experiências relacionadas com o tema da guerra.
A 1 de julho de 1970, o Papa Paulo VI recebeu três líderes dos movimentos de libertação das então colónias portuguesas: Amílcar Cabral, do PAIGC; Agostinho Neto, do MPLA; e Marcelino dos Santos, um dos elementos da troika que dirigia a Frelimo, após o assassinato de Eduardo Mondlane em 1969. O acontecimento reabriu feridas nas relações diplomáticas entre Portugal e a Santa Sé. A gestão da crise e a minimização dos estragos causados na imagem de um regime político que se afirmava como defensor da Igreja Católica não foram suficientes para apagar a perceção de que a estratégia e a doutrina da Santa Sé em relação a África divergiam da política colonial portuguesa.
Uma base para a fuga de jovens
A Sexta-Feira Santa dos desertores da Guerra ColonialUma casa que o arquitecto Nuno Teotónio Pereira comprou em Marvão foi a base para as fugas de jovens ao serviço militar e à Guerra Colonial. Para Fernando Venâncio e Joel Pinto, a Sexta-Feira Santa de 1970 foi o primeiro dia da liberdade.
Centenário
Inédito 7Margens: Leigos católicos em Portugal – um testemunho de Teotónio PereiraSão quatro histórias de empenhamento de católicos na luta contra o regime ditatorial do Estado Novo aquelas em que se envolveu Nuno Teotónio Pereira (1922-2016), arquitecto, resistente antifascista, militante católico, fundador do Movimento de Renovação de Arte Religiosa e activista da liberdade, da democracia, da justiça e de várias causas sociais, que teria completado 100 anos de nascimento domingo passado, 30 de Janeiro.
Gravações escondidas 50 anos
Poemas da liberdade foram à guerra e voltaramEm finais dos anos 1960, o alferes médico Jorge Ginja não escapou à Guerra Colonial e recebeu guia de marcha para Angola. Na bagagem, transporta uma mala e, lá dentro, um enorme aparelho, uma fita gravada com músicas para enganar a PIDE. No fim, poesias de nomes fundamentais da cultura portuguesa, ditos por Mário Viegas.
Nessa noite de 24 de dezembro de 1971, assisti, na minha vida, ao espetáculo mais deprimente e humanamente degradante que alguma vez imaginei. Quando o álcool se torna o único escape para o Homem esquecer o ambiente e as circunstâncias em que está mergulhado, desce ao mais baixo da sua condição. Foi a isso que assisti, na companhia da minha mulher que, contra todas as regras militares, me acompanhava no mato de Angola, em Cassamba, naquela noite de 24 de dezembro de 1971.
Quando, durante vários anos, antes de 25 de Abril de 1974, o Natal se aproximava, a RTP incluía na sua programação uma espécie de tempo de antena que muitas famílias portuguesas aguardavam com desmedida ansiedade. A partir de várias zonas das então designadas “províncias ultramarinas”, a televisão portuguesa dava um módico de voz aos soldados que para lá tinham ido combater.
A forma como o tema da guerra e da paz esteve presente em Fátima, desde o primeiro momento dos acontecimentos, em 1917, e atravessou grande parte do primeiro século de Fátima, é o tema da terceira reportagem Livrai-nos da Guerra, que nesta sexta-feira, 13, passa no Jornal da Noite, da SIC (20h), como se pode ver neste filme de apresentação.
Neste domingo, em Fátima, será apresentado o livro “A Caixa de Correio de Nossa Senhora” (ed. Temas e Debates/Círculo de Leitores), que resulta da investigação no “Correio de Nossa Senhora”, uma das secções do Arquivo do Santuário de Fátima. Durante um ano, percorri esse correio à procura de cartas, reflexões e experiências relacionadas com o tema da guerra.
A 1 de julho de 1970, o Papa Paulo VI recebeu três líderes dos movimentos de libertação das então colónias portuguesas: Amílcar Cabral, do PAIGC; Agostinho Neto, do MPLA; e Marcelino dos Santos, um dos elementos da troika que dirigia a Frelimo, após o assassinato de Eduardo Mondlane em 1969. O acontecimento reabriu feridas nas relações diplomáticas entre Portugal e a Santa Sé. A gestão da crise e a minimização dos estragos causados na imagem de um regime político que se afirmava como defensor da Igreja Católica não foram suficientes para apagar a perceção de que a estratégia e a doutrina da Santa Sé em relação a África divergiam da política colonial portuguesa.
Diocese de Portalegre – Castelo Branco
“Um conselho pastoral em cada paróquia”, o desafio está lançado novidadeNo fim do processo, “nem um centímetro” da Diocese de Portalegre – Castelo Branco deve “ficar sem ser coberto por um conselho pastoral paroquial” (ou interparoquial se necessário e conveniente). Foi o desafio do bispo Pedro Fernandes à diocese de que assumiu a tarefa de pastor ainda não há um ano. Esta é talvez a melhor síntese do que foi a “Assembleia Diocesana”, no dia 6 de outubro, em Ponte de Sor, a que várias centenas de pessoas responderam participando de um modo ativo.
[Entre Margens]
Guerras e mudanças de regime novidadeJá muitos se terão esquecido, ao acompanhar a trágica e intrincada evolução da guerra entre Estados Unidos e Israel e o Irão, que, no seu início, essa guerra foi apresentada como tendo por objetivo primacial o de derrubar um regime ditatorial e opressor, que há pouco tempo havia reprimido de forma violenta e mortífera a contestação de largas canadas da população sedentas de uma liberdade que essa guerra lhes haveria de proporcionar. [Texto de Pedro Vaz Patto].
EUA
Arquidiocese no Missouri leva práticas do ICE a tribunal novidadeA arquidiocese de St. Louis, no Missouri (EUA), intentou uma ação contra o Governo federal por ver os seus padres impedidos de distribuir a comunhão e ouvir em confissão os detidos pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, no acrónimo em inglês) internados no Centro de Detenção do Condado de Ste. Genevieve.
[Lugar (in)comum]
“Depressa passas de bestial a besta” novidade“Na era dos ecrãs e da comunicação imediata, construímos expectativas irrealistas, esperando infalibilidade de quem está sob o holofote. Chega a ser irónica a facilidade com que se eleva alguém a um estatuto quase divino para em seguida lhe ser exigido um comportamento humanamente irrepreensível.” [Texto de Júlia Costa]
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