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Um estrado de 5 milhões de pregos

Um estrado de 5 milhões de pregos

Sejamos brutos, porque é preciso, mas justos, porque devemos ser sempre justos: é preciso ser absolutamente cego, insensível, insensato e outras coisas que ultrapassam “bruto” para permitir um estrado de 5 milhões de euros (fora derrapagens, por certo) para servir de altar papal da Jornada Mundial da Juventude, cujas mais valias evangélicas alguém um dia deveria provar (terão notado que eu escrevi evangélicas, não me referia às outras mais valias, obrigadinho pela atenção).

Um estrado de 5 milhões de pregos

3ª de 3 pequenas crónicas sinodais

E se a Jornada Mundial da Juventude for um vazio?

Pensando na JMJ, não esperaria que ela reproduzisse as preocupações da minha juventude mas legitimamente esperaria encontrar um pequeno conjunto de ideias arrebatadoras que funcionassem como motivação e mobilização dos jovens. Temos que compreender a JMJ como um evento de massas mas, ainda assim, não é razoável que ela se quede pela competição dos números (estabelecer recordes de presenças: 2 milhões, 2 milhões e meio, como temos ouvido ao bispo responsável) ou por uma triste insipiência de conteúdos.

Um estrado de 5 milhões de pregos

2ª de 3 crónicas sinodais

Abusos sexuais: um problema sintomático e sistémico, e o confronto entre modelos de igreja

Não podemos deixar de nos interrogar sobre a enorme dificuldade de introspecção da Igreja e a sua opção por demasiadas vezes relativizar, esconder ou dissimular o problema. Ela decorre da sua própria organização e cultura clericalista, própria da Igreja administrativo-funcionalista; será particularmente difícil que ela própria proponha e leve a cabo uma reflexão que a vai colocar directamente em causa. Difícil, mas não impossível.

Um estrado de 5 milhões de pregos

Sim, os direitos humanos nas prisões

Como em todo o mundo, as prisões portuguesas são ocupadas principalmente por pobres. Pobres de dinheiro, pobres de conhecimento, pobres de consciência moral, pobres de perspectivas. Isso deveria interpelar-nos e levar-nos a pensar porque será que o sistema a penal processa basicamente pessoas que vêm da base da pirâmide social.

Um estrado de 5 milhões de pregos

Pregos no caixão

Como resultado de uma evolução e saturação pessoais, cheguei ao ponto de ter medo, no próprio e exacto sentido da palavra, cada vez que vejo um padre ou um bispo aparecer na TV ou ser transcrito num jornal, porque é imensa a possibilidade de das suas bocas sair forte asneira e de os seus gestos e trejeitos serem comprometedores.

JOÃO

Memória

JOÃO

mesmo que todos o saibamos,
mesmo que as palavras pareçam muito evidentes e estupidamente pequenas, não devemos deixar de dizer que o João era uma pessoa especial em todos os sentidos
um homem brilhante, intelectualmente superior, de grande integridade,
tão cerebral quanto emotivo e sensível
um visionário, um estratega com um espírito de missão
um humanista convicto e um homem de fé, uma fé adulta e consequente.

Da memória dos sábados e da ausência de escândalo

Da memória dos sábados e da ausência de escândalo

Os jovens plebeus sempre se aguentaram bem nas suas posições irreverentes, porém respeitadoras do Senhor Patriarca, como era chamado. Pedíamos mais assistentes religiosos que tivessem capacidade de estar com jovens (e como eramos exigentes!, e como nos ficava bem essa exigência que tanto era de fé como de intelectualidade em fase de aprendizagem!), reclamávamos por mais apoio e compreensão da hierarquia.

Um estrado de 5 milhões de pregos

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Sejamos brutos, porque é preciso, mas justos, porque devemos ser sempre justos: é preciso ser absolutamente cego, insensível, insensato e outras coisas que ultrapassam “bruto” para permitir um estrado de 5 milhões de euros (fora derrapagens, por certo) para servir de altar papal da Jornada Mundial da Juventude, cujas mais valias evangélicas alguém um dia deveria provar (terão notado que eu escrevi evangélicas, não me referia às outras mais valias, obrigadinho pela atenção).

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E se a Jornada Mundial da Juventude for um vazio?

Pensando na JMJ, não esperaria que ela reproduzisse as preocupações da minha juventude mas legitimamente esperaria encontrar um pequeno conjunto de ideias arrebatadoras que funcionassem como motivação e mobilização dos jovens. Temos que compreender a JMJ como um evento de massas mas, ainda assim, não é razoável que ela se quede pela competição dos números (estabelecer recordes de presenças: 2 milhões, 2 milhões e meio, como temos ouvido ao bispo responsável) ou por uma triste insipiência de conteúdos.

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Não podemos deixar de nos interrogar sobre a enorme dificuldade de introspecção da Igreja e a sua opção por demasiadas vezes relativizar, esconder ou dissimular o problema. Ela decorre da sua própria organização e cultura clericalista, própria da Igreja administrativo-funcionalista; será particularmente difícil que ela própria proponha e leve a cabo uma reflexão que a vai colocar directamente em causa. Difícil, mas não impossível.

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Como em todo o mundo, as prisões portuguesas são ocupadas principalmente por pobres. Pobres de dinheiro, pobres de conhecimento, pobres de consciência moral, pobres de perspectivas. Isso deveria interpelar-nos e levar-nos a pensar porque será que o sistema a penal processa basicamente pessoas que vêm da base da pirâmide social.

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Como resultado de uma evolução e saturação pessoais, cheguei ao ponto de ter medo, no próprio e exacto sentido da palavra, cada vez que vejo um padre ou um bispo aparecer na TV ou ser transcrito num jornal, porque é imensa a possibilidade de das suas bocas sair forte asneira e de os seus gestos e trejeitos serem comprometedores.

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mesmo que todos o saibamos,
mesmo que as palavras pareçam muito evidentes e estupidamente pequenas, não devemos deixar de dizer que o João era uma pessoa especial em todos os sentidos
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tão cerebral quanto emotivo e sensível
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Joana Lopes: 88 cravos à sua memória

[Entre Margens]

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No próximo Domingo, 11 de Outubro, Joana Lopes, que nos deixou a 5 de Fevereiro deste ano, completaria 88 anos. A Joana teve um papel importante na resistência católica contra a ditadura, tendo levado a cabo lutas muito importantes em que denunciava a guerra colonial. Tinha também uma atividade cívica intensa, assumindo a defesa de lutas políticas essenciais que não são menos importantes no nosso tempo. [Texto de Filipe Moisés].

Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se …

[Arquipélago Jerusalém]

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Acordamos e consultamos as notícias e fica a impressão que o mundo está muito desarrumado e que somos impotentes para o modificar; que pouco podemos fazer contra a ideologia  trumpista, putinista e xijinpinguista – que mistura consumismo e força bruta: preciso de poder comprar o que quero e, se não puder comprar, posso tomá-lo à força. A propaganda alcança o seu fim quando já dispensamos o propagandista e passamos nós próprios a repeti-la. [Texto de Mendo Castro Henriques].

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