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“No meio do caminho”: pedras, sombras, maridos e mulheres da noite

“No meio do caminho”: pedras, sombras, maridos e mulheres da noite

Há um fenómeno de índole espiritual, o marido ou a mulher da noite, de que se fala, em surdina, em Moçambique. Trata-se de um cônjuge invisível, com o qual um parceiro não estabelece um pacto, mas existe entre ele e uma outra pessoa, homem ou mulher, uma ligação marital.

“No meio do caminho”: pedras, sombras, maridos e mulheres da noite

Maria e Marta – como compreender dois nomes num congresso mundial

Foi nesse congresso que, pela primeira vez, tive a explicação relativa a dois nomes, Maria e Marta, cujo significado fiquei de procurar, desde 1983, ano no qual nasceram as minhas primas Maria e Marta. O facto é que, quando elas nasceram, o meu avô materno, impôs que fossem chamadas por esses nomes. Despertou-me curiosidade a insistência, uma vez que já as chamávamos por outros nomes.

“No meio do caminho”: pedras, sombras, maridos e mulheres da noite

Na casa dos meus avós: rituais e tabus que nos inculca(va)m valores

Começo este ano com um assunto muito pessoal. E lembrando a obra Na casa de meu pai: a Africa na filosofia da cultura, de Kwame Anthony Appiah, roubo-lhe o título. Essa obra aborda questões filosóficas, etnográficas, antropológicas, entre outras e será esse o foco do meu texto. Será também na base da sugestão que é lançada pelo autor, no capítulo 4, que tentarei deixar alguns traços da identidade africana vividos na primeira pessoa.

“No meio do caminho”: pedras, sombras, maridos e mulheres da noite

Injustiça social: “ukati, ovaxini vangahona vasati?”*

Marleen faz referência a uma injustiça social. Ao facto de se colocar “por cima dos ombros da mulher” a responsabilidade pelo casamento e pela família. Devo referir que, tradicionalmente, no Sul de Moçambique, o casamento de um homem e de uma mulher, na maior parte das vezes, é um compromisso entre as famílias dos dois. O que Marleen refere na música é que a família de uma determinada esposa se sente orgulhosa, pelo facto de a filha se ter casado.

“No meio do caminho”: pedras, sombras, maridos e mulheres da noite

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”: temos que fazer constar

Em função de um estudo que li sobre uma das culturas moçambicanas, a macua, um povo de Nampula, escrito por Helena Assunção, em 2018, comecei a delinear um sonho: o dia no qual mais elementos do Património Cultural Imaterial do meu país ascendam, à semelhança da timbila e do nyau, à categoria de Património Cultural Imaterial da Humanidade.

“No meio do caminho”: pedras, sombras, maridos e mulheres da noite

Não aos casamentos prematuros: não andemos à deriva

As “tradições” acima narradas já tiveram o seu tempo. Devem ser abolidas, sendo importante que se encontrem rituais de passagem alternativos, que marquem a transição de rapariga para mulher, sem colocarem em causa a sua dignidade, nem o fundamento de se destacar que existe uma distinção clara entre o estado de uma menina e o de uma mulher.

“No meio do caminho”: pedras, sombras, maridos e mulheres da noite

“Nome grande”, nome espiritual

Um indivíduo não existe por si só; ou seja, a sua identidade se encontra ligada à sua família, aos seus ancestrais, à sua espiritualidade e/ou, por vezes a um acontecimento. Quero com isso dizer que, quando lhe perguntam o nome, do ponto de vista da filosofia dos gitonga, o indivíduo deverá dizer o seu, o do pai e o do avô

“No meio do caminho”: pedras, sombras, maridos e mulheres da noite

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