Tive três filhos e perdi quatro. Por um deles, que não sobreviveu in utero, fui levada para uma ala da maternidade onde havia mulheres com os seus filhos, já nascidos ou prestes a nascer. Havia uma outra ala, a de quem estava para abortar.
Tive três filhos e perdi quatro. Por um deles, que não sobreviveu in utero, fui levada para uma ala da maternidade onde havia mulheres com os seus filhos, já nascidos ou prestes a nascer. Havia uma outra ala, a de quem estava para abortar.
Há muito em comum entre todos os sistemas (políticos e religiosos) que se baseiam numa qualquer ideia de perfeição, julgando-se donos de toda a verdade e mandatados para a expansão, mesmo que seja à custa da vida dos outros. A invasão da Ucrânia pela Rússia dá-nos matéria de sobra para a análise do padrão do autoritarismo, que alia a visão unilateral do mundo à manutenção da sociedade fechada, justificando assim os massacres e todas as formas de opressão.
Postos a caminho pelo Papa Francisco, que colocou o “povo de Deus” no eixo do processo de discernimento sobre a Igreja no Terceiro Milénio, deparámo-nos espantosamente com a raiz do próprio cristianismo: essas comunidades de vida e de fé, tão próximas que eram “um só coração e uma só alma”, e tão cheias de amor a Deus.
A felicidade como efeito colateral foi referida pelo psicólogo judeu Viktor Frankl no seu livro Em Busca de Sentido, que retrata a sua vivência nos campos de concentração. Diz Frankl: “Não procurem o sucesso. (…) Porque o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior que a pessoa ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser.”
Por vezes Deus descontrola as nossas continuidades, provoca roturas, para que possamos crescer, destruir em nós uma ideia de Deus que é sempre redutora e substituí-la pela abertura à vida, onde Deus se encontra total e misteriosamente. É Ele, o seu espírito, que nos mostra o nosso nada e é a partir do nosso nada que podemos intuir e abrir-nos à imensidão de Deus, também nas suas criaturas, todas elas.
Das virtudes teologais, a esperança é talvez a mais invisível, incompreendida e, no nosso tempo, desprezada. Custa esperar. Esperar o quê e para quê? E como se espera?
Os encontros revelam-nos sempre o nosso lugar no tempo e na história, desde que estejamos disponíveis para o movimento. Vamos para o encontro como somos e vamos como estamos. Muitas vezes estamos de ego tão exacerbado e de alma tão conturbada que apenas nos transportamos para os encontros, como caixas fechadas e vociferando impressões, sem nada ouvir e receber de quem nos rodeia.
Bem sabe o Criador do que somos feitos, criaturas tão repetitivas no erro e tão errantes nos passos que é certo que não se nos pode pedir senão o básico. Mas ainda que não fosse pela nossa inépcia, é evidente que Deus tem preferência pela simplicidade como se não quisesse contar com o nosso brilhantismo para transmitir a Sua luz.
Tive três filhos e perdi quatro. Por um deles, que não sobreviveu in utero, fui levada para uma ala da maternidade onde havia mulheres com os seus filhos, já nascidos ou prestes a nascer. Havia uma outra ala, a de quem estava para abortar.
Há muito em comum entre todos os sistemas (políticos e religiosos) que se baseiam numa qualquer ideia de perfeição, julgando-se donos de toda a verdade e mandatados para a expansão, mesmo que seja à custa da vida dos outros. A invasão da Ucrânia pela Rússia dá-nos matéria de sobra para a análise do padrão do autoritarismo, que alia a visão unilateral do mundo à manutenção da sociedade fechada, justificando assim os massacres e todas as formas de opressão.
Postos a caminho pelo Papa Francisco, que colocou o “povo de Deus” no eixo do processo de discernimento sobre a Igreja no Terceiro Milénio, deparámo-nos espantosamente com a raiz do próprio cristianismo: essas comunidades de vida e de fé, tão próximas que eram “um só coração e uma só alma”, e tão cheias de amor a Deus.
A felicidade como efeito colateral foi referida pelo psicólogo judeu Viktor Frankl no seu livro Em Busca de Sentido, que retrata a sua vivência nos campos de concentração. Diz Frankl: “Não procurem o sucesso. (…) Porque o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior que a pessoa ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser.”
Por vezes Deus descontrola as nossas continuidades, provoca roturas, para que possamos crescer, destruir em nós uma ideia de Deus que é sempre redutora e substituí-la pela abertura à vida, onde Deus se encontra total e misteriosamente. É Ele, o seu espírito, que nos mostra o nosso nada e é a partir do nosso nada que podemos intuir e abrir-nos à imensidão de Deus, também nas suas criaturas, todas elas.
Das virtudes teologais, a esperança é talvez a mais invisível, incompreendida e, no nosso tempo, desprezada. Custa esperar. Esperar o quê e para quê? E como se espera?
Os encontros revelam-nos sempre o nosso lugar no tempo e na história, desde que estejamos disponíveis para o movimento. Vamos para o encontro como somos e vamos como estamos. Muitas vezes estamos de ego tão exacerbado e de alma tão conturbada que apenas nos transportamos para os encontros, como caixas fechadas e vociferando impressões, sem nada ouvir e receber de quem nos rodeia.
Bem sabe o Criador do que somos feitos, criaturas tão repetitivas no erro e tão errantes nos passos que é certo que não se nos pode pedir senão o básico. Mas ainda que não fosse pela nossa inépcia, é evidente que Deus tem preferência pela simplicidade como se não quisesse contar com o nosso brilhantismo para transmitir a Sua luz.
Testemunho
A floresta ensina que tudo tem o seu tempo novidadeNasci no Uganda há quase 37 anos e estou ao serviço na Missão Catrimani, localizada no coração da floresta amazónica, no Brasil. Chamo-me Bob Mulega e sou padre Missionário da Consolata desde os meus 31 anos. Quando, em 2019, cheguei à Missão Catrimani, e entrei em contacto com o povo indígena yanomami, acreditava que a missão consistia sobretudo em aprender uma nova língua, compreender a cultura do povo e anunciar o Evangelho através da presença e da convivência. ( Texto de Bob Mulega].
"História da Luz: Arte e Visão"
A luz que ainda nos guia novidadeDadas as raízes antropológicas comuns da arte e da religião, tudo indica que as artes terão acompanhado desde os seus primórdios as tendências devocionais dos povos, e nesse sentido, desde tempos imemoriais que a arte testemunha e regista os fenómenos luminosos como uma das principais metáforas da transcendência. [Texto de Sílvia Pinto].
Fundada em 1967
Universidade Católica celebra 60 anos com líderes mundiais e grandes debates sobre o futuro novidadeAngela Merkel, Paul Tighe, Michael O’Flaherty e Paul Richard Gallagher estão entre as personalidades que vão passar pela Universidade Católica Portuguesa (UCP) no âmbito das comemorações dos seus 60 anos, que arrancam este ano e se prolongam ao longo de 2027. Inteligência artificial, direitos humanos, geopolítica, desenvolvimento económico e longevidade serão alguns dos temas em debate.
[Entre Margens]
De Jesus ao cristianismo: como nasceu uma religião novidadeDurante séculos, habituámo-nos a pensar em Jesus como o fundador do cristianismo. A associação parece tão evidente que raramente a questionamos. Mas terá Jesus de Nazaré pretendido fundar uma nova religião? Ou terá o cristianismo surgido de um processo histórico muito mais longo e complexo do que habitualmente imaginamos? [Texto de Dália Fernandes].
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