Sociedade
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[Dicionário particular III]
‘n’ de namoro – quando o amor dá o lugar ao medo
“A violência no namoro não começa com murros, começa com comentários, pedidos que parecem inocentes, ciúmes que parecem ser amor. A violência instala‑se antes de ser visível e, quando se mostra, já criou raízes.” [Texto de Júlia Costa]
O regresso à escola má
Custa-me imenso falar de educação. A sério. Dói-me. Magoa fundo. O mal que temos tratado a educação escolar nas últimas décadas. Colectivamente. Geração após geração. Incomoda-me a forma como é delegada para planos secundários perante a suposta urgência de temas tão mais mediáticos e populares. Quando nada me parece mais urgente.
Escola: prisão ou libertação?
Evitar o doutrinamento das crianças dá trabalho. Por um lado, necessitam de uma espécie de “catecismo elementar”, onde tudo venha explicado e estruturado de acordo com o seu desenvolvimento. Por outro lado, esta cultura inicial e maneira peculiar de olhar o mundo não podem ser prisão: pouco a pouco, de acordo com o ritmo da criança, virá a escolha de um trabalho personalizado e criativo.
Precisamos de nos ouvir (41) – Dina Pinto: Rostos que não vemos, ecos que não ouvimos
Olhamos ao nosso redor e nem sempre compreendemos que, embora nos cruzemos com rostos que não vemos e com ecos que não ouvimos, há em cada pessoa uma essência verdadeiramente extraordinária. A máscara como mediação, através da qual um Eu olha para o mistério de outro Eu, faz ressoar a verdadeira essência da vida em sociedade: por detrás de cada máscara, há um rosto a ser cuidado mas, ao mesmo tempo, uma grande batalha a ser vencida.
Precisamos de nos ouvir (37) – Paulo Melo: Memória de meu Pai
O meu Pai era assim. Evitava as festas e encontros de sociedade, criava cumplicidades com aqueles, familiares ou amigos, de quem gostava. Cultivava uma indolência que não era necessariamente estéril e que, para mim, foi, neste segundo confinamento, motivo de reflexão e edificação. Num tempo em que a produtividade, a performance, o reconhecimento público são valores socialmente dominantes, reconheço no jeito de viver do meu Pai, com defeitos e manias, um desafio a reavaliar o que realmente conta na vida.
Precisamos de nos ouvir (35) – Alice Caldeira Cabral: Desafio à desinstitucionalização e à esperança
Segundo a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, as pessoas com deficiência têm o direito de escolher com quem querem viver. A lei portuguesa tem que garantir esse direito, mas em Portugal não há, na prática, o direito à habitação, nem um acompanhamento das pessoas com deficiência que carecem de menos acompanhamento.
Precisamos de nos ouvir (30) – David Lito: Morrer só, no meio de uma multidão!
Daqui a muitos anos, quando a minha memória tiver feito o favor de apagar várias coisas más que vivi nesta pandemia, tenho a certeza de que haverá uma imagem que não vou esquecer: a da solidão de uma idosa que durante alguma horas agonizou à minha frente, sozinha, perdida, sem uma mão, sem uma oração, até ao momento final.
Precisamos de nos ouvir (28) – Francisca Pimentel: A vida conjunta passou a ser intensa
Numa família a vida conjunta passou a ser intensa. É muito tempo juntos, são muitas necessidades, algumas exigências, birras e bastantes gargalhadas.
Estes tempos na cidade são duros, stressantes, solitários e muito, muito, sufocantes. No campo, existe uma leveza, o ar puro, a possibilidade de acompanhar as transformações da natureza, o simples abrir a porta e poder sair sabendo que não estamos a infringir a lei, nem a desrespeitar nenhuma regra; simplesmente é um privilégio que temos e estamos a usufruir dele ao máximo.
Precisamos de nos ouvir (23) – Darcília Machado: Muito disto está suspenso
A minha escola tem uma horta onde se aprende com a natureza que “há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou”. A minha escola tem heróis que todos os dias se superam a si próprios. Muito disto está suspenso. Tenho vontade de voltar a viver tudo isto, lá.
O regresso à escola má
Custa-me imenso falar de educação. A sério. Dói-me. Magoa fundo. O mal que temos tratado a educação escolar nas últimas décadas. Colectivamente. Geração após geração. Incomoda-me a forma como é delegada para planos secundários perante a suposta urgência de temas tão mais mediáticos e populares. Quando nada me parece mais urgente.
Escola: prisão ou libertação?
Evitar o doutrinamento das crianças dá trabalho. Por um lado, necessitam de uma espécie de “catecismo elementar”, onde tudo venha explicado e estruturado de acordo com o seu desenvolvimento. Por outro lado, esta cultura inicial e maneira peculiar de olhar o mundo não podem ser prisão: pouco a pouco, de acordo com o ritmo da criança, virá a escolha de um trabalho personalizado e criativo.
Precisamos de nos ouvir (41) – Dina Pinto: Rostos que não vemos, ecos que não ouvimos
Olhamos ao nosso redor e nem sempre compreendemos que, embora nos cruzemos com rostos que não vemos e com ecos que não ouvimos, há em cada pessoa uma essência verdadeiramente extraordinária. A máscara como mediação, através da qual um Eu olha para o mistério de outro Eu, faz ressoar a verdadeira essência da vida em sociedade: por detrás de cada máscara, há um rosto a ser cuidado mas, ao mesmo tempo, uma grande batalha a ser vencida.
Precisamos de nos ouvir (37) – Paulo Melo: Memória de meu Pai
O meu Pai era assim. Evitava as festas e encontros de sociedade, criava cumplicidades com aqueles, familiares ou amigos, de quem gostava. Cultivava uma indolência que não era necessariamente estéril e que, para mim, foi, neste segundo confinamento, motivo de reflexão e edificação. Num tempo em que a produtividade, a performance, o reconhecimento público são valores socialmente dominantes, reconheço no jeito de viver do meu Pai, com defeitos e manias, um desafio a reavaliar o que realmente conta na vida.
Precisamos de nos ouvir (35) – Alice Caldeira Cabral: Desafio à desinstitucionalização e à esperança
Segundo a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, as pessoas com deficiência têm o direito de escolher com quem querem viver. A lei portuguesa tem que garantir esse direito, mas em Portugal não há, na prática, o direito à habitação, nem um acompanhamento das pessoas com deficiência que carecem de menos acompanhamento.
Precisamos de nos ouvir (30) – David Lito: Morrer só, no meio de uma multidão!
Daqui a muitos anos, quando a minha memória tiver feito o favor de apagar várias coisas más que vivi nesta pandemia, tenho a certeza de que haverá uma imagem que não vou esquecer: a da solidão de uma idosa que durante alguma horas agonizou à minha frente, sozinha, perdida, sem uma mão, sem uma oração, até ao momento final.
Precisamos de nos ouvir (28) – Francisca Pimentel: A vida conjunta passou a ser intensa
Numa família a vida conjunta passou a ser intensa. É muito tempo juntos, são muitas necessidades, algumas exigências, birras e bastantes gargalhadas.
Estes tempos na cidade são duros, stressantes, solitários e muito, muito, sufocantes. No campo, existe uma leveza, o ar puro, a possibilidade de acompanhar as transformações da natureza, o simples abrir a porta e poder sair sabendo que não estamos a infringir a lei, nem a desrespeitar nenhuma regra; simplesmente é um privilégio que temos e estamos a usufruir dele ao máximo.
Precisamos de nos ouvir (23) – Darcília Machado: Muito disto está suspenso
A minha escola tem uma horta onde se aprende com a natureza que “há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou”. A minha escola tem heróis que todos os dias se superam a si próprios. Muito disto está suspenso. Tenho vontade de voltar a viver tudo isto, lá.
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