
Começo as minhas caminhadas pela contemplação do nascer ou do pôr do Sol. É neste lusco-fusco que o meu Espírito se eleva, se mistura com a paisagem e eu me sinto envolvida no Universo, chegando mesmo a ser levada a orar ou a fazer poemas. Nestes últimos, surge frequentemente nas paisagens exuberantes e transcendentais, um casal de mãos dadas e. g. uma das minhas filhas e o seu marido, a minha avó e o Papa, terminam com o abraço entre o Universo e a Humanidade.

Nascer do Sol visto a partir de rua do Covão, 44. Monte Real. “Estamos no abraço que une / O Universo e o nosso próprio ser / Viveremos! / O Amor prevalecerá! / A Humanidade resistirá! / O Universo criará!” Frase da autora retirada de PHILIA 2024. Foto captada pela filha Marta.
Em Monte Real, vou da casa da família, caminho cerca de 200m, e logo encontro o Mosteiro de Santa Clara, de jardins impecavelmente cuidados. Neste mosteiro, entraram recentemente onze jovens noviças timorenses (ver 7MARGENS). Estas jovens noviças participam na Eucaristia, com alguns dos seus cânticos timorenses. Gostaria de referir que as Clarissas prestam serviço à comunidade, fazendo também trabalhos manuais, nomeadamente lavores e culinária, incluindo almoços de baptizados e outras festas.
Caminho mais cerca de 1Km e meio, viro à direita e continuo a caminhar sempre em frente até encontrar o pelourinho, uma coluna assente em três degraus circulares e indica que Monte Real terá sido sede de Concelho. Mais uns 200m e começo a subir o monte das ruínas dos antigos Paços de D. Diniz e da Rainha Santa, que segundo M. Heleno, eram apreciados por aqueles monarcas, dado estarem num lugar alegre, com a vizinhança do rio Liz, e oferecerem boa caça. Aí temos, construída mais recentemente, a Capela da Rainha Santa, mãe da Paz. Durante a guerra colonial, as mães confiavam os seus filhos à Rainha Santa e diz-se que nenhum deles por lá faleceu, o que terá de ser confirmado. Daqui, temos uma vista deslumbrante sobre os campos do Liz, salgueiros, amieiros, canas, milheirais, feijoais, tomatais e outras culturas agrícolas e frutíferas. Ao longe avista-se o Rio. Aqui me detenho, a vista é muito verde e abrangente. É o momento de descansar, meditar, contemplar.
Desço do monte, tenho a capela de S. João Baptista. Continuando a descer, surge a fonte da Rainha Santa, uma fonte rústica onde só corre água no Verão e foi considerada milagrosa por a Rainha Santa lá beber. De acordo, com o Padre José Ferreira de Lacerda (1881-1971), esta fonte era procurada pelas mães que não tinham leite para alimentar os seus filhos.
Segue-se uma boa caminhada de cerca de 2 Km, e tenho à esquerda a Igreja Paroquial que tem um pórtico muito bonito, com um mosaico em mármore do pintor Jorge Valadas.
Por fim ainda, a descida mais atraente, é já no parque das termas, as velhas e frondosas árvores da minha infância já foram cortadas e substituídas por outras, naturalmente menos frondejantes, mas mesmo assim muito variadas, numerosas e estendendo-se a uma grande superfície.
Chego ao meu local favorito, o pequeno lago, que se insere de um lado nas instalações do Spa das termas e do outro nos campos do Liz. As sombras dos pinheiros e outras árvores espelham-se nas águas do lago, tapetadas nalgumas áreas com nenúfares de flores brancas e onde abundam peixes e patos. Sento-me e permaneço a olhar indefinidamente.

Pequeno lago junto ao Spa das termas de Monte Real. ‘O meu espírito repousa / E o Salmo torna-se real / “Só Deus basta!” ‘. Frase da autora retirada de PHILIA 2024. Foto captada pela neta Madalena.
É magnífico! É comovente!
Maria Aldina Brás








