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“À Sombra do Silêncio” – Elogio ao poeta do ‘pensar emocionado’

“À Sombra do Silêncio” – Elogio ao poeta do ‘pensar emocionado’

Que coisa é a poesia, o pensamento poético, senão o labor silencioso da captação da ausência, do invisível que está aí para que se veja, se apresente? Só um fino olhar, transfigurado e transfigurador, captará tal modo de ser presença. Este pensar sensível, que mantém a tensão entre o conceito e a intuição, a razão e a pulsão, mantem-nos despertos do longo sono do racionalismo estrito, de uma razão tecnológica glicémica, mas estreita e pesada, que nos adormece e embala, de teorema em teorema, não obstante a condição trágica em que os humanos vivem – a permanente e inacabada “noite do Getsémani”.

Alma mutilada

Alma mutilada

Samuel caminhava dançante num jogo de toca e foge com a suave rebentação da extensa e espelhada beira-mar de Keri Beach. Entusiasmado com a chegada à nova cidade, discursava e gesticulava comparações entre as imensas praias por onde passara. O fiel Odara escutava-o ao longe, absorto no encantamento da devoradora paisagem. Caminhava a passos curtos e lentos, sentindo atentamente a incomum textura da areia que se lhe entranhava nos dedos dos pés a cada novo pisar

Embriaguez sem vinho

Embriaguez sem vinho

A juventude é a embriaguez sem vinho, dizia Goethe, mas quando o vinho está azedo a embriaguez passa a doença. A recorrência das crises, os surtos pandémicos e a falta de horizontes podem estar a criar uma geração perdida. Mas não terá sido quase sempre assim?

Banco da solidariedade, experiência única

Banco da solidariedade, experiência única

Sobre uma oportunidade de resistência coletiva     Muito se tem escrito e tenho escrito sobre a falta de saúde mental a que, provavelmente, estamos e estaremos sujeitos durante e após esta pandemia. Os números crescem, traduzidos por sofrimentos enquadráveis...

Um novo isolamento, uma nova oportunidade

Um novo isolamento, uma nova oportunidade

A solidão é uma espécie de monstro que todos tememos, principalmente com o avançar dos anos, onde aquela se vai agarrando a nós com uma terrível força, fruto da nossa rotina e do aprofundar dos nossos pensamentos. É o local onde mais ninguém nos pode ouvir, onde somos confrontados com as nossas próprias vozes, sem distrações ou amparos, apenas o silêncio dos nossos receios. É claro que ter a companhia e o amor do nosso próximo é impreterível a uma vida mais feliz.

Um “suave milagre” de busca interior!

Um “suave milagre” de busca interior!

Hoje, aqueles que na sua fragilidade buscam um suave milagre, vivem isolados em apartamentos, lares ou residências. Sentem-se entrevados pelo peso da idade ou pelo contágio da indiferença. Esperam ansiosamente pela fraternidade de um gesto e pela hospitalidade de um afeto, de um qualquer “mendigo” que diariamente ouse aproximar-se para repartir o pão da esperança e da dignidade.

Estamos rodeados de pessoas e coisas, mas sentimos um vazio em nós

Estamos rodeados de pessoas e coisas, mas sentimos um vazio em nós

“Sinto-me sozinho”, “ninguém me compreende”, “sinto sempre que me falta algo”. Estas são frases muito comuns que ouvimos dos nossos colegas e amigos. No entanto, muitas vezes somos nós próprios à procura das respostas a estas questões, isto porque a solidão toca a todos.

O sentido dos ritos

O sentido dos ritos

Era uma igreja bonita e simples, como são as pequenas igrejas rurais. Um adro pequeno, algumas árvores e casas em volta. Os bancos estavam demasiado próximos, indicando a tentativa de aproveitar bem o espaço – afinal, estamos no Minho e o mês de julho é, tradicionalmente, de casamentos. Na sua maioria, ainda são na igreja, o noivo esperando nervoso à porta, a noiva de branco conduzida ao altar pelo pai.

“À Sombra do Silêncio” – Elogio ao poeta do ‘pensar emocionado’

“À Sombra do Silêncio” – Elogio ao poeta do ‘pensar emocionado’

Que coisa é a poesia, o pensamento poético, senão o labor silencioso da captação da ausência, do invisível que está aí para que se veja, se apresente? Só um fino olhar, transfigurado e transfigurador, captará tal modo de ser presença. Este pensar sensível, que mantém a tensão entre o conceito e a intuição, a razão e a pulsão, mantem-nos despertos do longo sono do racionalismo estrito, de uma razão tecnológica glicémica, mas estreita e pesada, que nos adormece e embala, de teorema em teorema, não obstante a condição trágica em que os humanos vivem – a permanente e inacabada “noite do Getsémani”.

Alma mutilada

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Samuel caminhava dançante num jogo de toca e foge com a suave rebentação da extensa e espelhada beira-mar de Keri Beach. Entusiasmado com a chegada à nova cidade, discursava e gesticulava comparações entre as imensas praias por onde passara. O fiel Odara escutava-o ao longe, absorto no encantamento da devoradora paisagem. Caminhava a passos curtos e lentos, sentindo atentamente a incomum textura da areia que se lhe entranhava nos dedos dos pés a cada novo pisar

Embriaguez sem vinho

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A solidão é uma espécie de monstro que todos tememos, principalmente com o avançar dos anos, onde aquela se vai agarrando a nós com uma terrível força, fruto da nossa rotina e do aprofundar dos nossos pensamentos. É o local onde mais ninguém nos pode ouvir, onde somos confrontados com as nossas próprias vozes, sem distrações ou amparos, apenas o silêncio dos nossos receios. É claro que ter a companhia e o amor do nosso próximo é impreterível a uma vida mais feliz.

Um “suave milagre” de busca interior!

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Hoje, aqueles que na sua fragilidade buscam um suave milagre, vivem isolados em apartamentos, lares ou residências. Sentem-se entrevados pelo peso da idade ou pelo contágio da indiferença. Esperam ansiosamente pela fraternidade de um gesto e pela hospitalidade de um afeto, de um qualquer “mendigo” que diariamente ouse aproximar-se para repartir o pão da esperança e da dignidade.

Estamos rodeados de pessoas e coisas, mas sentimos um vazio em nós

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