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Afinal, há mais 20 poemas inéditos de Frei Agostinho da Cruz

Missa encerra comemorações

Afinal, há mais 20 poemas inéditos de Frei Agostinho da Cruz

A publicação de vinte poemas inéditos atribuídos a frei Agostinho da Cruz marca o encerramento das comemorações dos 400 anos da morte e 480 do nascimento do poeta da Arrábida, que se assinala neste sábado, 17 de Julho, em Azeitão, com a celebração de uma missa presidida pelo bispo de Setúbal, D. José Ornelas, na Igreja de São Lourenço.

A tábua do abade e a distância social

A tábua do abade e a distância social

Contaram-me numa vila transmontana que, indo certo dia o arcebispo de Braga visitar a paróquia, quis inspeccionar a casa do senhor abade, onde este vivia com jovem mulher a quem chamava criada. O prelado – cujo nome desconheço, mas dava ares do arguto e bom São Frei Bertolameu dos Mártires – andou por todos os compartimentos do tugúrio sacerdotal.

A tábua do abade e a distância social

A mula de Santo Inácio e a primeira pedra

Perante este vendaval “purificador” que deseja derrubar estátuas, obras de arte, filmes, livros, mas sobretudo pessoas, porque em determinado momento do seu passado se revelaram menos “puros”, cometeram erros ou foram apenas homens do seu tempo, tenho-me lembrado muito da narrativa do encontro de Cristo com a mulher adúltera, que tantos queriam apedrejar.

Fr. Agostinho da Cruz, professor da liberdade (e o seu último poema, quase “inédito”)

Fr. Agostinho da Cruz, professor da liberdade (e o seu último poema, quase “inédito”)

Da leitura dos poemas de Frei Agostinho da Cruz, nascido no dia 3 de Maio de 1540 (faz 480 anos), na vila de Ponte da Barca, nunca saímos de mãos vazias. Ao lê-lo, esquecemos que a sua linguagem tem mais de quatrocentos anos. Trata-se de um poeta cuja actualidade se torna patente a cada hora de convívio. Não se limitou a revestir de beleza artificial os lugares comuns do seu tempo. Confrontamo-nos com um ser que se expôs em cada linha, na sua biografia tumultuosa, cheia de “guerras” e de desilusões.

A tábua do abade e a distância social

Morrer da cura

Luís não chegou ainda aos quarenta. É solteiro e vive só. Habitando com os pais a mesma cidade, decidiu decretar a sua independência comprando há uns anos um exíguo apartamento. Está agora confinado em casa. Não pode visitá-los, pois tem medo de contaminá-los ou de ser contaminado por eles. Afinal, a mãe ainda trabalha num centro de saúde. Corporalmente, Luís está bem, diz. Mas a “alma” já não está a cem por cento.

A tábua do abade e a distância social

Apesar de tudo, a liberdade

Sinto a doença à minha volta e à volta dos meus. E, nesta reclusão involuntária, lembro-me de Trujillo e de suas altas torres. Não de todas, mas de uma que, na sua delgada altivez, se assumiu como mirante.

A tábua do abade e a distância social

A grandeza do ínfimo

Há obras de arte que nos incomodam e nos comovem. Creio aliás que uma pintura, uma escultura, um poema, um romance, uma partitura ou outro meio expressivo encontrado pela espécie humana que não incomode e comova nunca passará de um artefacto, por maior que seja a perícia técnica do executante. É o caso de “Uma Vida Escondida”.

Afinal, há mais 20 poemas inéditos de Frei Agostinho da Cruz

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A publicação de vinte poemas inéditos atribuídos a frei Agostinho da Cruz marca o encerramento das comemorações dos 400 anos da morte e 480 do nascimento do poeta da Arrábida, que se assinala neste sábado, 17 de Julho, em Azeitão, com a celebração de uma missa presidida pelo bispo de Setúbal, D. José Ornelas, na Igreja de São Lourenço.

A tábua do abade e a distância social

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Contaram-me numa vila transmontana que, indo certo dia o arcebispo de Braga visitar a paróquia, quis inspeccionar a casa do senhor abade, onde este vivia com jovem mulher a quem chamava criada. O prelado – cujo nome desconheço, mas dava ares do arguto e bom São Frei Bertolameu dos Mártires – andou por todos os compartimentos do tugúrio sacerdotal.

A tábua do abade e a distância social

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Perante este vendaval “purificador” que deseja derrubar estátuas, obras de arte, filmes, livros, mas sobretudo pessoas, porque em determinado momento do seu passado se revelaram menos “puros”, cometeram erros ou foram apenas homens do seu tempo, tenho-me lembrado muito da narrativa do encontro de Cristo com a mulher adúltera, que tantos queriam apedrejar.

Fr. Agostinho da Cruz, professor da liberdade (e o seu último poema, quase “inédito”)

Fr. Agostinho da Cruz, professor da liberdade (e o seu último poema, quase “inédito”)

Da leitura dos poemas de Frei Agostinho da Cruz, nascido no dia 3 de Maio de 1540 (faz 480 anos), na vila de Ponte da Barca, nunca saímos de mãos vazias. Ao lê-lo, esquecemos que a sua linguagem tem mais de quatrocentos anos. Trata-se de um poeta cuja actualidade se torna patente a cada hora de convívio. Não se limitou a revestir de beleza artificial os lugares comuns do seu tempo. Confrontamo-nos com um ser que se expôs em cada linha, na sua biografia tumultuosa, cheia de “guerras” e de desilusões.

A tábua do abade e a distância social

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Luís não chegou ainda aos quarenta. É solteiro e vive só. Habitando com os pais a mesma cidade, decidiu decretar a sua independência comprando há uns anos um exíguo apartamento. Está agora confinado em casa. Não pode visitá-los, pois tem medo de contaminá-los ou de ser contaminado por eles. Afinal, a mãe ainda trabalha num centro de saúde. Corporalmente, Luís está bem, diz. Mas a “alma” já não está a cem por cento.

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Sinto a doença à minha volta e à volta dos meus. E, nesta reclusão involuntária, lembro-me de Trujillo e de suas altas torres. Não de todas, mas de uma que, na sua delgada altivez, se assumiu como mirante.

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