Terapia pela Arte, caminho alternativo para a cura
A sensação de paz é uma das melhores e mais importantes sensações que podemos ter presentes na nossa vida quotidiana. Na minha perspetiva, a nossa perceção do mundo e de tudo o que nos rodeia, em grande parte, é um reflexo direto de como nos vemos e sentimos. Quando sentimos amor- próprio e ganhamos consciência do nosso verdadeiro valor, sentimo-nos em paz. Assim sendo, o amor-próprio existe quando nos sentimos em harmonia com o nosso ser, o nosso corpo físico, espiritual e mental, bem como com os nossos pensamentos e ações.
Para alcançar esse amor-próprio, temos de iniciar um trabalho de autoconhecimento suficientemente profundo. Desse modo, abrimos espaço para resolver as nossas inseguranças e traumas e assumir responsabilidade pela nossa vida. Estes sentimentos e experiências foram adquiridos por vivências marcantes e ideias limitativas que nos foram, de alguma forma, impostas e que, por fim, acabam por nos afetar.
Por vezes, as situações estão camufladas, porque a maioria acontece durante a nossa infância e, por isso, permanecem no nosso subconsciente.
Manter a paz interior nem sempre é fácil, pois haverá sempre desafios e acontecimentos diários que podem desencadear possíveis desequilíbrios. Além do mais, o stress e a pressão provenientes das exigências do dia-a-dia estão presentes na sociedade e a aumentar globalmente. Com esta pressão, há também um aumento da falta de auto estima e de desvalorização pessoal que nos leva a um estado de insatisfação permanente, esquecendo a nossa essência. Como consequência, há um acréscimo significativo na procura de terapias alternativas. Curiosamente, é quando nos entregamos ao processo de terapia, que frequentemente se faz luz quanto à verdadeira busca: qual o nosso propósito?
Há uma frase atribuída a Pablo Picasso que diz: “A arte lava da alma a poeira da vida quotidiana.” O meu percurso artístico levou-me a descobrir as vantagens da arte e do processo criativo na minha vida. A minha dedicação à pintura aprofundou o meu percurso de autoconhecimento e “auto-cura”, tendo rapidamente sentido os seus efeitos terapêuticos. Esse caminho também me levou a fazer da arte a minha profissão. Enquanto artista plástica, tomei a iniciativa de incitar os outros a utilizá-la como uma ferramenta, muito útil, para a terapia em geral. Tive também a possibilidade de testemunhar a alegria e melhoria de qualidade de vida, que a arte pode proporcionar às pessoas com dificuldade de expressão verbal. Esta terapia é essencialmente uma combinação da arte e da psicologia, que nos permite compreender as nossas emoções e expressá-las de forma ilimitada, tendo resultados positivos muito expressivos.
Por vezes, quando nos expressamos verbalmente, podemos sentir-nos mais reservados. Nas sessões terapêuticas, é criado um espaço seguro para libertar e interpretar as emoções que nem sempre são exploradas noutras dinâmicas. O uso de métodos de expressão criativa funcionam como um intermediário entre a pessoa e o seu problema.
Ao desbloquear os nossos problemas criamos mais espaço para ouvir a nossa verdade, desencadeando melhores escolhas mais alinhadas com o nosso caminho.
Quando criamos arte, é possível analisar aspetos variados da nossa vida. No meu caso, foi possível verificar que o que mais me inspira é o que mais necessito para o meu bem-estar. A criatividade permite dar vida e forma tangível a um conceito, sonho ou memória, que até lá era apenas uma ideia abstrata.
Alguns dos benefícios alcançáveis através da terapia da arte são uma maior autoconfiança, facilidade na resolução de problemas, independência e maturidade emocional.
Todos estes atributos contribuem para a paz que todos procuramos, contudo nem sempre conhecemos todos os métodos disponíveis, nem qual o mais eficaz para nós próprios.
Uma tela branca, no fundo, é uma metáfora da vida: com os mesmos instrumentos, constroem-se infinitas possibilidades.
“A criatividade requer coragem”, dizia Henri Matisse.
Filipa de Carvalho é licenciada em gestão hoteleira, artista plástica e chef de culinária saudável
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Breves
José Allamano e a Consolata
Exposição fotográfica revela 100 anos de história das missões
Por ocasião dos 100 anos da morte de São José Allamano, assinalados este ano, o Consolata Museu, em Fátima, tem patente ao público uma exposição dedicada a este fundador dos dois institutos missionários. [Texto de Juliana Batista].
Relatório Centro Rossing
Jerusalém: ataques violentos a cristãos quase duplicaram em dois anos
Os ataques violentos a cristãos em Israel e em Jerusalém oriental ocupada estão a tornar-se cada vez mais frequentes, tendo quase duplicado nos dois últimos anos, de acordo com organizações israelitas citadas pelo órgão público de rádio alemão Deutsche Welle (DW).
Apelo ao Governo
Cristãos do Bangladesh querem feriado no Domingo de Páscoa e maior representação na vida pública
Um cordão humano com mais de 100 pessoas exigiu, durante toda a manhã de dia 31 de março, em frente ao Clube Nacional de Imprensa, em Daca, que o Domingo de Páscoa fosse reconhecido pelo Governo do Bangladesh como feriado nacional. A concentração organizada pela Associação Cristã de Bangladesh reivindicou também lugares na vida pública reservados à representação dos cristãos e de outras minorias.
Sexta-feira Santa
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O Papa presidirá a todas as 14 estações da Via Sacra no Coliseu de Roma, carregando a cruz pessoalmente durante toda a liturgia, que será marcada pelas meditações escritas pelo frei franciscano Francesco Patton, ex-Custódio da Terra Santa (2016-2025) e que atualmente vive no santuário do Memorial de Moisés no Monte Nebo, na Jordânia.
Boas notícias
Apelo de Metz
Com Leão XIV, líderes das grandes religiões assumem compromisso de união pela paz e dignidade humana
Os representantes das principais tradições religiosas presentes em França comprometeram-se esta segunda-feira, na cidade de Metz, a aprofundar o diálogo entre si, a educar as novas gerações para o conhecimento mútuo e a permanecerem unidos na promoção da justiça e da paz.
É notícia
Entre margens
[Entre Margens]
Estafetas no fio da navalha
Há uma situação que, para mim, começa a ser difícil de explicar sem recorrer à ironia: centenas de estafetas têm conseguido, nos tribunais portugueses, o reconhecimento do seu vínculo laboral com as plataformas digitais. Ou seja, a Justiça diz, em determinadas decisões, que ali existe uma relação de trabalho. [Texto de Marcel Borges, presidente da Associação dos Imigrantes e Trabalhadores por Aplicação]
[Entre Margens]
Nem que seja uma só criança
Ontem, 27 de setembro, as comunidades católicas de todo o mundo assinalam o 112.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado. O Papa Leão XIV escolheu o tema: “Mesmo uma só destas crianças”. [Texto de António de Almeida-Ribeiro].
[Entre Margens]
Inteligência lógica e emocional
Li uma vez que Paulo Freire (educador e filósofo brasileiro, 1921-1997) fez um tipo de desafio com camponeses chilenos, pois “todos” dizem que lavradores são ignorantes e os “letrados” são “oooh! Incríveis!”, os “sabe-tudo”. O desafio era: 10 coisas que os camponeses saberiam fazer e ele, Paulo Freire, não – e vice-versa. [Texto de Denise Sabino, Porto Alegre |Brasil].
Cultura e artes
7MARGENS é co-organizador
Como os média religiosos viveram a nova liberdade de imprensa pós-25 de Abril novidade
“Liberdade de imprensa: revolução e democracia em Portugal” é o tema do colóquio que, no dia 22 de Outubro, colocará em debate, na Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Lisboa, investigadores e protagonistas do período pós-25 de Abril de 1974, para aprofundar questões relacionadas com a imprensa – incluindo a religiosa – durante a revolução democrática.
NAZA estreou nos cinemas
O filme israelita que documenta o genocídio em Gaza novidade
O filme dos realizadores Yuval Abraham e Rachel Szor, NAZA, é um objeto de cinema que ultrapassa os limites do ecrã e nos coloca frente a frente com a máquina de morte que Israel montou para destruir Gaza – cometendo genocídio.
In Memoriam
Walter Osswald (1928-2026): um homem sólido, um grande coração novidade
Há vidas tão belas, tão ricas e tão bem preenchidas que a sua morte, apesar e além da profunda tristeza que suscita, consegue ao mesmo tempo segregar o perfume de um profundo êxito. É o caso de Walter Osswald [cientista e professor universitário, que morreu no passado dia 22 de setembro, dois dias depois de ter completado 98 anos].
Bíblia da CEP
Disponibilizada tradução provisória do Livro de Baruc e Carta de Jeremias
A Comissão Coordenadora da Tradução da Bíblia da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) disponibilizou a tradução provisória do Livro de Baruc e da Carta de Jeremias, dando continuidade ao processo de revisão e tradução dos textos bíblicos. Como nas restantes publicações, a comissão convida os leitores a enviar sugestões e comentários para contribuir para a revisão do texto.
Sete Partidas
7Partidas
Vinte e cinco anos depois
Em 2001, vivíamos em San Francisco. Naquela segunda-feira, dia 11 de Setembro, fomos acordados pelo meu sogro, que nos ligava da Alemanha para avisar que os EUA estavam a ser atacados. Em San Francisco era ainda madrugada; em Nova Iorque passava das nove da manhã, e as duas torres já estavam a arder. [Texto de Helena Araújo].
Visto e Ouvido
Igreja tem política de “tolerância zero” aos abusos sexuais, mas ainda está em “processo de purificação”
Agenda
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