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Terapia pela Arte, caminho alternativo para a cura

| 18/02/2019

Terapia pela Arte, caminho alternativo para a cura

by | 18 Fev 19 | Entre Margens

A sensação de paz é uma das melhores e mais importantes sensações que podemos ter presentes na nossa vida quotidiana. Na minha perspetiva, a nossa perceção do mundo e de tudo o que nos rodeia, em grande parte, é um reflexo direto de como nos vemos e sentimos. Quando sentimos amor- próprio e ganhamos consciência do nosso verdadeiro valor, sentimo-nos em paz. Assim sendo, o amor-próprio existe quando nos sentimos em harmonia com o nosso ser, o nosso corpo físico, espiritual e mental, bem como com os nossos pensamentos e ações.

Para alcançar esse amor-próprio, temos de iniciar um trabalho de autoconhecimento suficientemente profundo. Desse modo, abrimos espaço para resolver as nossas inseguranças e traumas e assumir responsabilidade pela nossa vida. Estes sentimentos e experiências foram adquiridos por vivências marcantes e ideias limitativas que nos foram, de alguma forma, impostas e que, por fim, acabam por nos afetar.

Por vezes, as situações estão camufladas, porque a maioria acontece durante a nossa infância e, por isso, permanecem no nosso subconsciente. 

Manter a paz interior nem sempre é fácil, pois haverá sempre desafios e acontecimentos diários que podem desencadear possíveis desequilíbrios. Além do mais, o stress e a pressão provenientes das exigências do dia-a-dia estão presentes na sociedade e a aumentar globalmente. Com esta pressão, há também um aumento da falta de auto estima e de desvalorização pessoal que nos leva a um estado de insatisfação permanente, esquecendo a nossa essência. Como consequência, há um acréscimo significativo na procura de terapias alternativas. Curiosamente, é quando nos entregamos ao processo de terapia, que frequentemente se faz luz quanto à verdadeira busca: qual o nosso propósito?

Há uma frase atribuída a Pablo Picasso que diz: “A arte lava da alma a poeira da vida quotidiana.” O meu percurso artístico levou-me a descobrir as vantagens da arte e do processo criativo na minha vida. A minha dedicação à pintura aprofundou o meu percurso de autoconhecimento e “auto-cura”, tendo rapidamente sentido os seus efeitos terapêuticos. Esse caminho também me levou a fazer da arte a minha profissão. Enquanto artista plástica, tomei a iniciativa de incitar os outros a utilizá-la como uma ferramenta, muito útil, para a terapia em geral. Tive também a possibilidade de testemunhar a alegria e melhoria de qualidade de vida, que a arte pode proporcionar às pessoas com dificuldade de expressão verbal. Esta terapia é essencialmente uma combinação da arte e da psicologia, que nos permite compreender as nossas emoções e expressá-las de forma ilimitada, tendo resultados positivos muito expressivos. 

Por vezes, quando nos expressamos verbalmente, podemos sentir-nos mais reservados. Nas sessões terapêuticas, é criado um espaço seguro para libertar e interpretar as emoções que nem sempre são exploradas noutras dinâmicas. O uso de métodos de expressão criativa funcionam como um intermediário entre a pessoa e o seu problema. 

Ao desbloquear os nossos problemas criamos mais espaço para ouvir a nossa verdade, desencadeando melhores escolhas mais alinhadas com o nosso caminho. 

Quando criamos arte, é possível analisar aspetos variados da nossa vida. No meu caso, foi possível verificar que o que mais me inspira é o que mais necessito para o meu bem-estar. A criatividade permite dar vida e forma tangível a um conceito, sonho ou memória, que até lá era apenas uma ideia abstrata. 

Alguns dos benefícios alcançáveis através da terapia da arte são uma maior autoconfiança, facilidade na resolução de problemas, independência e maturidade emocional.

Todos estes atributos contribuem para a paz que todos procuramos, contudo nem sempre conhecemos todos os métodos disponíveis, nem qual o mais eficaz para nós próprios.

Uma tela branca, no fundo, é uma metáfora da vida: com os mesmos instrumentos, constroem-se infinitas possibilidades. 

“A criatividade requer coragem”, dizia Henri Matisse.

 

Filipa de Carvalho é licenciada em gestão hoteleira, artista plástica e chef de culinária saudável

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