
Leonard Cohen (2008). Foto © Rama, CC BY-SA 2.0 FR, via Wikimedia Commons
Sem qualquer intuito antológico, o 7MARGENS procurará chamar a atenção, nestes tempos, para músicos e músicas que traduzam a urgência da paz em relação a guerras e conflitos que persistem no mundo. Desta vez – depois de um primeiro conjunto com temas dos Rolling Stones e de Judy Collins – trazemos aqui mais duas músicas escolhidas pelo jornalista Manuel Costa Monteiro para o programa Memória de Elefante, que mantém na TSF em co-autoria com Mário Fernando: Half Past France, de John Cale, e The Partisan, cantado por Leonard Cohen.
John Cale, Half Past France
Um músico, compositor, produtor galês, John Cale. Filho de um mineiro de carvão, ganhou uma bolsa de estudo que o lançou para o mundo da música.
Desafiante e imprevisível, esteve na origem dos Velvet Underground. Em diálogo permanente consigo e com o mundo, do compositor multifacetado recordo o quarto e poderoso álbum, Paris 1919, um dos pontos altos da primeira fase do John Cale, a solo.
Apaixonado pelo seu país, mas também viajeiro para outros lugares a experimentar novas experiências, neste álbum evoca fantasmas do passado europeu no início do século XX, e os eventos que levaram à ascensão do nazismo, e dos aristocratas, alto clero, generais e líderes mundiais que mandaram dezenas de milhões de soldados para o palco da guerra. Fala do Natal das crianças do seu país, de Graham Greene, chauvinismo e da Conferência de Paris de 1919, em que as potências vencedoras da primeira grande guerra mundial estabeleceram novos padrões diplomáticos e um diferente mapa político da Europa.
Escolhi a canção Half Past France, o lamento de refugiados de guerra longe das famílias e de um local seguro, que John Cale retrata nesta canção.
“Estamos tão longe,
flutuando nesta baía
estamos tão longe de casa
onde pertencemos.
Porventura o sentimento
de qualquer cidadão do mundo
que lamenta o resultado
da insanidade belicista.”
Leonard Cohen, The Partisan
Uma canção anti-guerra, recriada por Leonard Cohen. O talento dum poeta e cantor singular, um dos mais fascinantes dos cantores/compositores.
Durante um período da sua adolescência lia as suas poesias em bares e cafés do bairro onde vivia, em Montreal. Guardava as canções e poemas em guardanapos de papel.
Para ele, era importante deixar tudo em ordem antes de morrer. Preparou com tempo a sua despedida; deu a volta ao mundo a cantar: 387 shows e mais de 1.100 horas em palco.
The Partisan, uma canção que casa com a actualidade. Escrita em 1942 em plena Segunda Guerra Mundial, foi um hino para a resistência francesa e é universal para os que resistem à opressão em qualquer lugar do mundo, uma luta pela liberdade.
“Através dos túmulos,
o vento está a soprar
a liberdade chegará.”
– canta Cohen: The Partisan
O texto, lido pelo autor na TSF, pode ser ouvido nestes dois ficheiros áudios:
Nesta rubrica já publicámos textos sobre a guerra da Ucrânia ou sobre o Afeganistão, bem como o apelo de paz feito por muitas mães israelitas e palestinianas, uma recensão de um álbum pela paz no meio da guerra da palestiniana Haya Zaatry, que parecia antever os dias de hoje. Dois discos do universo de Peter Gabriel, um da guineense Fattú Djakité, a história de uma escrava basca que chegou a rainha na corte do Al-Andaluz e a fusão do kamancheh iraniano de Kayhan Kalhor com a corá do maliano Toumani Diabaté completam o leque dos discos aqui trazidos.










