Jornadas Mundiais da Juventude serão em Portugal em 2022

As Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) de 2022, presididas pelo Papa, serão em Portugal e a região de Lisboa acolherá os actos principais – nomeadamente o fim-de-semana de celebração, que habitualmente conta com a participação de cerca de um milhão de jovens de todo o mundo. O anúncio oficial será feito no Panamá, nas próximas JMJ, que decorrem entre 23 e 27 de Janeiro, e nas quais o patriarca de Lisboa (entre vários bispos portugueses) estará presente para receber o testemunho do Papa e do bispo do Panamá. A informação foi confirmada pelo Sete Margens e pela SIC junto de várias fontes eclesiásticas.
Nessa ocasião, o patriarca de Lisboa, acompanhado de uma delegação de jovens portugueses e de Lisboa, receberá a cruz das jornadas – o mais importante símbolo das JMJ, que os jovens do país de acolhimento transportarão e que servirá de centro para diferentes iniciativas, ao longo do tempo de preparação.
O próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, prevê estar no Panamá também para as JMJ de Janeiro, “na esperança” de que o Papa Francisco anuncie que as jornadas seguintes sejam em Portugal. Mas uma tal decisão é tomada com muita antecedência e, neste caso, ela está já assumida há meses, mesmo que, como acontece com as visitas do Papa, ela só seja confirmada com o anúncio oficial – o que acontecerá no final da missa com os jovens, a 27 de Janeiro.
O patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, oficializou o pedido no final de 2017, mas desde 2012 que em várias reuniões do Conselho Pontifício para os Leigos (CPL), do Vaticano, a hipótese de Portugal tem estado a ser pensada. Muitas pessoas sabem já da decisão, até pela enorme operação logística que ela envolve, mas a primeira informação por sair pelo Presidente da República que, já em relação à vinda do Papa em 2017, foi o primeiro a dar indicações de que a vinda de Francisco a Fátima estaria praticamente confirmada.
A história, no entanto, começou muito antes: em 2009, a Conferência Episcopal Portuguesa propôs ao CPL, que, em 2017, as JMJ fossem realizadas em Fátima, por ocasião do centenário. Mas, nessa altura, já se aventava a possibilidade de o Papa estar no santuário português para os 100 anos de Fátima e não fazia sentido que viesse ao mesmo lugar com um intervalo de dois ou três meses (as JMJ decorrem, normalmente, no Verão). Além disso, Madrid acolheu as JMJ de 2011.
Uma jornada em Lisboa seis anos depois seria demasiado próxima: a regra não escrita é que o acontecimento decorra uma vez na Europa e, dois ou três anos depois (o intervalo normal com que se realiza) em outro continente – até agora, nas Américas e na Ásia. Fátima também não teria as condições logísticas que a região de Lisboa garante – embora, num caso como este, a operação exija a mobilização de todas as dioceses do país.
Entretanto, em 2015, um responsável do sector da juventude do CPL, esteve em Portugal para avaliar a capacidade logística do país acolher uma tal iniciativa. O representante do Vaticano ouviu os exemplos da Expo 98, do Europeu de futebol em 2004, do encontro europeu de Taizé em 2004 e das sucessivas visitas dos papas João Paulo II e Bento XVI.
Desta vez, está mesmo decidido, também com a aprovação do Papa Francisco, que as JMJ decorram em Portugal, depois de as últimas edições se terem realizado em Colónia (2005), Sidney (2008) e Madrid (2011), com o Papa Bento XVI, e Rio de Janeiro (2013) e Cracóvia (2016), com Francisco. As JMJ do Panamá são em Janeiro, tendo em conta a sua realização num país que se situa praticamente na linha do Equador. Para evitar o que aconteceu no Rio de Janeiro, em Julho de 2013, em que predominou o frio e a chuva, o encontro do Panamá realiza-se em Janeiro.
Faltará ainda decidir o lugar concreto para o grande encontro com o Papa, que normalmente decorre no fim-de-semana – essa decisão, provavelmente, será avaliada e tomada só a partir de Janeiro. Uma base militar próxima de Lisboa (Ota ou Montijo) poderia ser uma possibilidade. Neste caso, algumas das fontes consultadas pelo RELIGIONLINE e pela SIC dizem que a hipótese de um novo aeroporto vir a ser construído no Montijo poderia facilitar a organização de um acontecimento deste género naquele lugar. Mas isso depende de futuras negociações com o Governo ou outras entidades.
Além disso, a questão logística será importante: fazer chegar um milhão de jovens a um lugar determinado implica um transporte em centenas de autocarros ou dezenas de comboios especiais.
Umas JMJ em Portugal podem também envolver a Espanha: em 2011, antes de confluir para Madrid, vários grupos de diferentes países estiveram em Portugal nos dias iniciais das jornadas, em que se privilegia o contacto de pequenos grupos com realidades locais, de âmbito social, eclesial e cultural.
As JMJ começaram com João Paulo II em 1986, em Roma, depois do Ano Internacional da Juventude, que as Nações Unidas tinham proposto no ano anterior. Sucessivamente, o Papa Wojtyla presidiu às jornadas de Buenos Aires (Argentina, 1987), Santiago de Compostela (Espanha, 1989), Czestochowa (Polónia, 1981), Denver (EUA, 1983), Manila (Filipinas, 1995, onde terão participado mais de quatro milhões de jovens), Paris (França, 1997), Roma (Itália, 2000) e Toronto (Canadá, 2002). João Paulo II também se terá inspirado na celebração que teve com os jovens, no Parque Eduardo VII, em Lisboa, na sua primeira visita a Portugal, em 1981. Assim, depois de ter sido uma inspiração, Lisboa será também lugar de concretização das JMJ.
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